As 11 melhores capas de jornal sobre o 7 a 1

Há exatamente um ano, a seleção brasileira…

Quer saber? Não precisa lembrar da história.

Aqui estão as 11 melhores capas de jornal sobre aquele dia.

11. A Bola (Portugal)

Único jornal gringo, mas eu não podia perder o trocadilho. A foto de David Luiz, símbolo daquela derrota, é forte: tristeza, vergonha, o gesto que tenta pedir desculpas.

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10. Jornal NH (RS)

Quando confrontados com um acontecimento tão chocante e sem precedentes, nosso grande desafio é encontrar palavras para contar a história. O jornal de Novo Hamburgo fez da própria indescritibilidade as suas palavras. Se não tivesse complementado com o texto de baixo, ficaria ainda melhor.

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9. O Dia (RJ)

Fale a verdade, foto mais do que oportuna. Muitos usaram, mas só aqui ela tomou a capa inteira. A manchete faz referência a uma declaração do próprio Felipão em entrevista coletiva alguns dias antes, e reflete a desintegração da figura do técnico, muito querido pelos brasileiros até a segunda passagem pela seleção.

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8. A Tarde (BA)

Capa limpa é sempre bom, e a ideia do obituário tem que ser representada nesta lista – melhor que seja na versão com as datas, mais bem sacada. Eu tiraria o “em 2014”, mas isso é picuinha minha.

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7. Lance! (RJ e SP)

A ideia da “tábula rasa” é muito boa, mas a execução sofre um pouco pelo excesso de palavras hiperbólicas (pecado, aliás, cometido por muitos e muitos jornais, dado o calor do momento).

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6. Extra (RJ)

Lembrar a seleção de 50 é clichê? É sim! Mas pode? PODE MUITO!

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5. O Vale (SP)

Eu confesso, sou fã de editoriais na capa. É uma prática que deve ser usada com parcimônia e sabedoria, claro, mas justamente por isso acho que ela fortalece o jornal e ressalta mais marcadamente, na história documental, os grandes eventos.

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4. Diário Catarinense (SC)

Combinação perfeita: uma foto auto-explicativa sozinha na página e sem muitas palavras por cima, apenas o necessário para dar o tom da cobertura. Perde alguns pontinhos pela falta do ponto de interrogação (sou desses) e pelo fato de que a imagem não é local.

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3. Gazeta do Povo (PR)

A melhor foto de torcida daquele dia, na minha opinião. A manchete acerta três vezes: economia de palavras, força dramática e oportunismo com a expressão oficial da Copa.

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2. Metro (Nacional)

A foto é originalmente da Folha de S.Paulo, mas lá ela aparece menor e rodeada de outras manchetes, já que o tradicional diário paulistano preferiu não dar a capa toda só para o jogo. O Metro valorizou melhor a imagem.

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Legenda da foto: “Para não esquecer: placar de Brasil x Alemanha no Mineirão, às 19h17 de ontem”

1. Meia Hora (RJ)

Merecida vencedora de um Prêmio Esso, e ostentando a típica criatividade molecona do Meia Hora. Nada mais a tratar. Apenas aprecie.

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Os 11 maiores jogadores da Alemanha

Atual campeã do mundo, anfitriã de um campeonato que é sucesso absoluto de público e crítica, celeiro de craques em todas as décadas, dona de uma história coroada e honrosa, detentora de uma das camisas mais pesadas do planeta bola. A Alemanha também é um país do futebol, desde muito antes de impôr 7 a 1 sobre os inventores do termo.

É hora de celebrar os principais nomes que construíram essa trajetória. Muitos outros aqui caberiam, mas a graça está justamente em se esforçar para escolher. Os meus eleitos são estes. Sem mais delongas, os maiores jogadores da história do futebol alemão.

Miroslav-Klose-comemora-seu-16º-gol-na-história-das-Copas-do-Mundo-nas-semifinais-do-Mundial-2014-contra-o-Brasil11. Miroslav Klose

O centroavante nascido na Polônia jamais foi um primor de técnica e habilidade. Mas esta lista não honra os MELHORES, e sim os MAIORES. Klose é o jogador com mais gols na história das Copas do Mundo, e ajudou a Alemanha a estar quatro vezes seguidas entre as três primeiras colocadas da competição. Isso garante a ele um lugar aqui.

Klose se destacou pelo Kaiserslautern no início dos anos 2000, e permaneceu no modesto clube até 2004. Sua presença na grande área e o talento no cabeceio sempre foram seus cartões de visita. Em 2006, jogando pelo Werder Bremen, foi artilheiro da Bundesliga e levou o tradicional prêmio Jogador do Ano no país. Pelo Bayern de Munique foi bicampeão nacional e vice europeu, e venceu uma Copa Itália com a Lazio. A carreira em times não é de arregalar os olhos. Mas foi defendendo a seleção alemã, especialmente em Copas do Mundo, que Klose se tornou gigante.

Aos 23 anos foi titular já em sua primeira Copa, em 2002, e marcou cinco gols na campanha do vice-campeonato. Na Copa de 2006, em solo germânico, fez outros cinco e foi artilheiro isolado do torneio. Com mais quatro em 2010 igualou o compatriota Gerd Müller em total de gols feitos em mundiais, e se tornou o único jogador da história a marcar pelo menos quatro vezes em três Copas diferentes. A glória definitiva veio na Copa de 2014, a única em que não foi titular: mais dois tentos para tornar-se o recordista de redes balançadas em mundiais (superando os 15 de Ronaldo) e, na quarta tentativa, o título. O 16º gol foi marcado em cima do Brasil naquele joguinho, lembra?

Aposentado do futebol internacional desde a conquista da Copa, Klose é o maior artilheiro da história da Nationalelf – 71 gols – e segundo jogador alemão que mais atuou pela seleção. Além da marca de gols, detém outros 13 recordes individuais de Copas do Mundo. Nada mal para um caneludo.

10. Matthias Sammera82c51de163334e5d89da07339c474dd

O último grande jogador da Alemanha Oriental conseguiu também marcar sua história no futebol da Alemanha reunificada. O meio-campista Sammer nasceu em Dresden, uma das principais cidades ao leste do Muro de Berlim, e foi um dos maiores ídolos do grande time local, o Dynamo Dresden. Lá venceu dois campeonatos nacionais e uma copa. Pela seleção oriental, venceu a Eurocopa Sub-18 de 1986 e, quatro anos depois, capitaneou o grupo na última partida da história da Alemanha Oriental. Marcou os dois gols na vitória sobre a Bélgica.

Pouco antes da reunificação da Alemanha, Sammer já havia se transferido para o outro lado da muralha, para atuar pelo Stuttgart. Com a junção dos países, passou a defender a seleção recém-nascida, e foi presença certa nas convocações ao longo da década de 1990. Sua posição de origem era o meio-campo, mas eventualmente fez a transição para o papel de líbero armador, onde podia exercer sua técnica e visão de jogo apuradas.

Nessa nova posição teve seus melhores dias vestindo a camisa do Borussia Dortmund, clube no qual desembarcou em 1993, após uma temporada decepcionante no futebol italiano. Foi o principal jogador do time aurinegro que conquistou o bicampeonato na Bundesliga em 1995 e 1996 e a Liga dos Campeões de 1997. Por dois anos seguidos, em 1996 e 1997, Sammer foi eleito Jogador do Ano da Alemanha. Foi também o grande craque da Eurocopa de 1996, e principal responsável pelo título da Alemanha na competição. Também em 1996 venceu a prestigiosa Bola de Ouro de melhor jogador do futebol europeu.

Obrigado a aposentar-se pouco depois desse período de glórias, devido a uma lesão no joelho, Sammer virou técnico. Eventualmente retornou ao Borussia Dortmund para conquistar mais títulos, consolidando seu status de maior ídolo da história do clube.

9. Paul Breitner5332

Famoso pela chamativa combinação entre cabelo black power, costeletas e bigodão, Breitner foi mais do que um rostinho bonito nos palcos do futebol. Jogou como lateral-esquerdo na primeira perto da carreira, e foi o melhor na posição que a Alemanha já teve. Incisivo e muito técnico, migrou para o meio-campo e também teve sucesso.

Breitner teve um início de carreira primoroso. Titular do Bayern de Munique desde sua chegada ao time profissional, também não demorou a tomar conta da posição na seleção alemã, e com 21 anos foi titular na conquista da Eurocopa de 1972. Com o clube, viveu o período de dominância do início dos anos 1970, vencendo um tricampeonato nacional e uma Copa dos Campeões Europeus (precursora da Champions). Coroou os bons anos com o título da Copa do Mundo de 1974, na qual fez três gols. A vitória alemã na final teve contribuição direta do lateral. Depois de a Holanda sair na frente, foi Breitner que empatou, cobrando pênalti. A Alemanha viraria o jogo para sagrar-se campeã.

Depois da conquista, porém, Breitner desligou-se do futebol alemão. Foi jogar no Real Madrid e separou-se da seleção, entrando numa precoce aposentadoria internacional motivada por fatores extracampo: o jogador sempre foi muito politizado, dono de opiniões fortes, e acabou por cultivar inimizades com colegas e superiores. Os dias merengues foram prolíficos, rendendo dois Campeonatos Espanhois e uma Copa do Rei. O retorno à terra pátria foi através do pequeno Eintracht Braunsweig, onde ficou apenas uma temporada e concretizou a virtuosa mudança de função em campo.

Breitner retornou ao Bayern e imediatamente se reencontrou com os títulos. Conquistou outro bi da Bundesliga e bateu na trave em uma segunda Copa dos Campeões. No novo papel tornou-se mais artilheiro, e fazia uma combinação fatal com seu companheiro de ataque e amigo pessoal Rummenigge. Voltou também à seleção, já às vésperas da Copa de 1982, e foi ao torneio, ajudando a Alemanha a voltar à decisão. O título não veio, mas, ao fazer o gol de consolação do time contra a campeã Itália, o jogador tornou-se um dos únicos da história a marcar em duas finais mundiais diferentes. Em sua companhia estão Vavá, Pelé e Zidane.

Breitner pendurou as chuteiras cedo, aos 31 anos. Foi Jogador do Ano em 1981.

oliver-kahn-und-verena-kerth_gallery_large_landscape8. Oliver Kahn

Pode ser difícil de acreditar mas, em meio a quatro títulos e muitas outras campanhas de destaque, a Alemanha só fez o melhor jogador (oficial, pelo menos) da Copa do Mundo uma vez. Foi em 2002, quando o mal-encarado goleiro Kahn fez um torneio quase perfeito. As falhas da decisão estão bem vivas na história e na memória dos brasileiros, é verdade, mas tudo que veio antes disso faz do arqueiro um colosso – o melhor de seu país na posição, na opinião deste blogueiro, batendo por pouco o histórico Sepp Maier.

Formado pelo Karlsruher, clube que ajudou a levar a uma semifinal de Copa da Uefa, Kahn é identificado mesmo com o Bayern de Munique, cuja meta guardou de 1994 até o fim da carreira. Aterrissou na Bavária em uma época de vacas magras, tomou conta da titularidade e foi fundamental na reestruturação do Bayern, que voltou a ser uma potência nacional e internacional. Tudo começou com o título da Copa da Uefa de 1996, passou por um tricampeonato da Bundesliga e culminou com títulos da Liga dos Campeões e da Copa Intercontinental (o Mundial de Clubes ainda não existia) em 2001.

Ao longo desse período, Kahn virou capitão da equpe e foi escolhido seis vezes seguidas como melhor goleiro do país, quatro como melhor do continente e, em 2000 e 2001, Jogador do Ano da Alemanha, além de concorrer repetidamente à Bola de Ouro de melhor futebolista europeu. Na final da Champions de 2001, contra o Valencia, pegou três pênaltis nas cobranças decisivas e foi votado homem do jogo. Se havia um jogador dominante no futebol alemão na virada do milênio, esse jogador era o Titan do Bayern.

Faltava a esse currículo o sucesso pela seleção. O goleiro foi a duas Copas do Mundo e uma Eurocopa como reserva, e foi ganhar a posição já perto dos 30 anos. Logo virou também capitão. A Copa de 2002 foi sua apoteose. Sofreu apenas um gol até a decisão, à qual a mediana seleção alemã provavelmente não chegaria se não fosse por ele. Ao levar o prêmio de craque do torneio foi não só o primeiro germânico a conseguir o feito, mas também o primeiro arqueiro. A final foi uma infelicidade, mas as boas atuações prévias ficaram marcadas. Kahn ainda foi à Copa de 2006, com a expectativa de liderar o time nacional em casa, mas foi preterido – surpreendentemente até – por Jens Lehmann. Em vez de irritar-se, fez-se de esteio do colega e solidificou o status de ídolo nacional.

Após a Copa, Kahn deu adeus à seleção. Pouco depois, durante uma turnê asiática do Bayern de Munique, despediu-se também dos gramados.

jrgenklinsmann1990wc17. Jürgen Klinsmann

Foi o mais internacional dos futebolistas alemães, tendo atuado em clubes de quatro países – além da Alemanha, claro. O entusiástico e eficiente atacante acumulou mais temporadas no Stuttgart, ainda no início da carreira, mas tem identificação com praticamente todos os clubes que defendeu. Carismático, bem-humorado e dono de muita entrega em campo, angariou o carinho das torcidas de Internazionale, Monaco, Tottenham, Bayern de Munique e do minúsculo Orange County Blue Star (Estados Unidos).

Após se destacar no Stuttgart na segunda metade dos anos 1980, sendo uma vez artilheiro da Bundesliga e eleito Jogador do Ano em 1988 (mesmo ano em que conquistou medalha de bronze nas Olimpíadas de Seul), transferiu-se para a Inter de Milão. Lá venceu uma Copa da Uefa, torneio no qual batera na trave alguns anos antes. Enquanto isso, fazia sucesso pela seleção: formou uma forte dupla de ataque com Rudi Völler, foi vice da Eurocopa de 1992 e campeão da Copa do Mundo de 1990, sempre marcando gols importantes.

Teve boa passagem pelo Monaco e ajudou o Bayern a conquistar a Copa da Uefa de 1996, sendo artilheiro da competição, e a voltar a vencer a Bundesliga, em 1997. No Tottenham foi ídolo, apesar de jogar lá por apenas uma temporada e meia: foi o craque da Premier League em 1995 e reforçou o clube na reta final do campeonato de 1998, por empréstimo, quando foi crucial para salvar os Spurs do rebaixamento. No mesmo ano, que seria o último de sua carreira, venceu pela segunda vez o prêmio de Jogador do Ano da Alemanha – que não se restringe aos atletas que atuam no próprio país.

Klinsmann também jogou as Copas de 1994 e 1998, e foi o capitão alemão na conquista da Eurocopa de 1996. Depois da aposentadoria oficial foi morar nos Estados Unidos e teve uma breve volta aos gramados numa história rocambolesca: reforçou o Blue Star, time californiano da quarta divisão, sob um pseudônimo, apenas por diversão. Apenas vários anos depois confirmou o caso, que era tratado como uma lenda nos círculos da bola.

O atacante trocou as chuteiras pela prancheta. Virou técnico da seleção da Alemanha logo após a Eurocopa de 2004, que foi um fiasco, e promoveu uma renovação do elenco em sua gestão, dando as primeiras chances a vários atletas que eventualmente protagonizariam o título mundial de 2014. Conseguiu calar críticos e empolgar a torcida nacional na campanha da Copa do Mundo de 2006, disputada em casa, mesmo caindo na semifinal. Também treinou o Bayern e a seleção dos Estados Unidos.

6. Philipp Lahm2014-07-13T222812Z_992011801_TB3EA7D1QIJO4_RTRMADP_3_SOCCER-WORLD-M64-GER-ARG

O primeiro dos capitães de títulos da Copa do Mundo da Alemanha nesta lista é o versátil Lahm, nominalmente lateral-direito mas capaz de atuar também na esquerda e no meio de campo. Usou a braçadeira no mundial de 2014 e foi o terceiro alemão a levantar a Taça Fifa. Foi também o capitão do Bayern de Munique na conquista da única tríplice coroa da história do futebol germânico, em 2013.

Nascido em Munique e criado no Bayern, o jogador passou duas temporadas emprestado ao Stuttgart, onde aprendeu a atuar na lateral canhota. De volta ao clube de origem, Lahm domina a ala direita desde 2005, quando retornou e virou titular. Já era figura fácil na Nationalelf, inclusive como líder. Havia capitaneado as seleções de base e, como suplente, participara da Eurocopa de 2004.

Dos cinco torneios internacionais que disputou como titular (Copas de 2006, 2010 e 2014 e Eurocopas de 2008 e 2012), foi votado o melhor de sua posição em todos – independentemente de qual das laterais estivesse preenchendo. Por cinco vezes foi também o o melhor lateral do continente. Virou capitão nacional a partir do mundial de 2010, graças à contusão que impossibilitou Michael Ballack de participar do torneio, e só foi largá-la depois da Copa de 2014, quando anunciou voluntariamente sua aposentadoria internacional apesar de ter apenas 30 anos. A chance de sair assim tão por cima, afinal de contas, não é de se jogar fora.

Além do papel de protagonista no tetracampeonato mundial da Alemanha, Lahm foi central também à brilhante temporada do Bayern em 2012-13. O clube bávaro conquistou os três títulos mais importantes possíveis: a Bundesliga, a Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões. Completou assim a tríplice coroa, feito único no futebol alemão e apenas a oitava ocorrência no futebol europeu. As primeiras mãos a tocar cada um dos troféus naquela jornada foram as do capitão Lahm. Detalhe que ele só foi assumir o posto em 2011, depois ter alcançado a mesma responsabilidade pela seleção.

Mais recentemente o jogador tem acumulado atuações como volante, aproveitando toda a sua qualidade com a bola nos pés para abrilhantar a saída de jogo do Bayern.

81RummeniggeBALLON5. Karl-Heinz Rummenigge

A Alemanha é conhecida por produzir jogadores físicos, rápidos, fortes e determinados. Rummenigge era de outra escola. Extremamente técnico, habilidoso, elegante, driblador, completo em todos os aspectos do ataque. Finalizava e armava com igual talento. Foi o melhor jogador alemão da entressafra entre os títulos mundiais de 1974 e 1990, e o grande craque da seleção e do país nos anos 1980.

King Kalle se projetou jogando, que surpresa, pelo Bayern de Munique, que já foi mencionado dúzias de vezes nesta lista. De imediato assumiu um papel de destaque na equipe, que era a base da seleção alemã. No meio craques do nível de Uli Hoeness, Sepp Maier, Gerd Müller e Franz Beckenbauer, o garoto Rummenigge, 20 anos recém completados, achou seu espaço. Venceu duas Copas dos Campeões e a Copa Intercontinental de 1976, sobre o Cruzeiro.

Rumo ao fim da década, o Bayern se renovou. Os ídolos foram embora, aposentados ou transferidos. Rummenigge virou o dono do time, e fez jus. Foi artilheiro da Bundesliga três vezes, bicampeão nacional e venceu a Bola de Ouro duas vezes seguidas, em 1980 e 1981, como melhor jogador do continente. Teve a valiosa ajuda do amigo Breitner, que retornou ao Bayern para compor a dupla de meio-campo que ficou conhecida como Breitnigge. Só faltou ao par um título europeu, que quase veio em 1982: pararam na final, diante do Aston Villa.

O meia-atacante foi fundamental à seleção alemã, que defendeu por dez anos, e o ponto alto foi a conquista da Eurocopa de 1980. Dois anos depois foi um dos destaques da Copa do Mundo da Espanha, da qual foi vice-artilheiro com cinco gols. A Nationalelf cairia na final, perdendo para a Itália. O mesmo destino esperava Rummenigge em 1986, dessa vez contra a Argentina – e ele marcou na final. Jogou aquele torneio baleado e aposentou-se do cenário internacional logo depois, sem conseguir levantar a Taça Fifa. Também havia jogado o mundial de 1978.

Em 1984, Rummenigge descolou uma transferência milionária para a Internazionale. Com o dinheiro, o Bayern montou sua próxima geração de ídolos. Depois da aposentadoria continuou ajudando o clube bávaro: virou cartola.

4. Fritz Walterbc8b38caf3d497eb0d8357f195aac8af

Rápido, pense em tudo que a Alemanha significa e apresenta no futebol internacional. Aplicação, vontade, consistência, seriedade, competência, resiliência. Tudo isso condensado é a campanha do primeiro título mundial germânico, na Copa de 1954, que começou com a humildade dos coadjuvantes e culminou no destronamento dos favoritíssimos húngaros. Aquela seleção campeã contra todas as probabilidades teve como líder e símbolo maior seu capitão, o meia-atacante Fritz Walter. Um craque e um sobrevivente.

Por toda sua carreira Walter defendeu o Kaiserslautern, time de sua cidade natal. Foi protagonista do futebol do país desde as primeiras botinadas, e fez uma estreia em grande estilo na seleção nacional, assinando um hat-trick. Porém a trajetória teve que ser interrompida pela Segunda Guerra Mundial. Convocado pelo exército para lutar, o atleta, que não compartilhava das ideologias nazistas, trocou as chuteiras pelos coturnos. Foi capturado pelos soviéticos e enviado para um campo de prisioneiros na Romênia, onde contraiu malária. Escapou de ser eventualmente enviado para um gulag, onde certamente morreria, graças à intervenção de um guarda húngaro, que já o tinha visto jogar e conseguiu convencer os colegas a não levá-lo.

Libertado e de volta à vida civil depois do conflito, Walter encontrou o futebol alemão em frangalhos. Ajudou o Kaiserslautern a ser campeão nacional duas vezes (os primeiros títulos do clube, e os únicos até a década de 1990) e vice outras três. Defender o time era tudo que podia fazer, uma vez que a seleção alemã estava banida de competir internacionalmente. Quando a proibição foi revogada, Walter tornou-se o capitão da Nationalelf e liderou a classificação para a Copa do Mundo da Suíça, em 1954, que seria o reencontro do país que provocou a guerra com o mundo que ainda tentava se recuperar dela.

A Alemanha não constava entre as favoritas, e entrou no torneio de cabeça baixa, tentando humildemente reconquistar algum respeito. Ao longo da trajetória de seis jogos, Walter liderou impecavelmente o time, armando jogadas e motivando os companheiros. Fez três gols e brilhou na semifinal contra a Áustria, marcando duas vezes e dando duas assistências. A decisão foi contra a forte Hungria, invicta há 31 partidas. A improvável vitória por 3-2, de virada, entrou para a história como “O Milagre de Berna”, compõe o mito fundador do futebol alemão. E Walter virou o símbolo do triunfo que devolveu à Alemanha algum orgulho.

O jogador ainda atuaria pelo Kaiserslautern por mais cinco anos e jogaria a Copa de 1958, já não como capitão. Em 1956, no rescaldo da Revolução Húngara, que representou a submissão definitiva do país à União Soviética, Walter providenciou suporte logístico e financeiro para que a seleção nacional pudesse continuar jogando. Uma pequena retribuição, e um pedido de desculpas pela destruição do sonho da Copa, à nação do homem que possivelmente salvou sua vida na guerra.

Fritz Walter é um dos “capitães honorários” da seleção alemã, e dá nome ao estádio do Kaiserslautern. Também influenciou o vocabulário do país: até hoje, dias nublados e chuvosos na Alemanha são conhecidos como Fritz Walter Wetter (“clima de Fritz Walter”). Segundo consta, as complicações oriundas da malária faziam com que o jogador ficasse debilitado no calor, e tivesse suas melhores atuações em tempo ruim.

i_old_ger_matthaeus_920_th3. Lothar Matthäus

O interminável Matthäus, dono de uma carreira de duas décadas em alto nível, guarda a honra de ter sido o primeiro agraciado com o prêmio de Jogador do Ano da Fifa, em 1991. Até hoje é o único alemão com esse troféu na estante. O meio-campista e líbero é o recordista histórico de partidas em Copas do Mundo, com 25 ao longo de cinco edições, e também o jogador que mais atuou com a camisa da Alemanha – foram 150 aparições. Em meio a tantos feitos invejáveis, talvez o maior deles seja o de ter sido considerado por Diego Maradona o maior rival e competidor que o argentino já teve.

Matthäus surgiu como um foguete no Borussia Mönchengladbach e alcançou o vice da Copa da Uefa em 1980. Chegou à seleção antes dos 20 anos, Já disputando – e vencendo, mesmo como reserva – a Eurocopa do mesmo ano. Seria também vice da Copa do Mundo de 1982, e a partir daí seus dias de coadjuvante estavam acabados. Conquistou uma vaga no meio de campo da Nationalef, descolou uma transferência para o Bayern de Munique e partiu para voos maiores.

Com a equipe bávara, em duas passagens distintas, levantou sete Bundesligas, três copas nacionais e uma Copa da Uefa. Bateu na trave duas vezes na Liga dos Campeões, em 1987 contra o Porto (quando o torneio ainda se chamava Copa dos Campeões) e em 1999 contra o Manchester United, sempre sofrendo viradas nos minutos finais. Nunca ter erguido a principal taça do continente foi a grande frustração da carreira. Os períodos defendendo o Bayern foram interrompidos apenas por quatro temporadas que Matthäus passou na Internazionale, compondo um talentoso pelotão alemão com o atacante Klinsmann e o lateral Andreas Brehme. Na Itália, ganhou um scudetto, uma nova Copa da Uefa e protagonizou duelos memoráveis contra Maradona, que jogava pelo Napoli.

Matthäus também encontrou o gênio argentino em momentos decisivos de Copas do Mundo. Em 1986, já como destaque do time, foi designado para marcar El Pibe na decisão, mas Maradona estava impossível naquele mundial e levou a melhor. Quatro anos depois, no solo italiano que ambos conheciam tão bem, voltaram a se encontrar em uma decisão. Matthäus já era capitão da Alemanha, marcara quatro gols e se projetava como um dos melhores da competição. A vitória magra da seleção germânica deu a ele a chance de arrancar a Taça Fifa das mãos do rival. De quebra, ao fim do ano, foi eleito Jogador do Ano da Alemanha e levou a Bola de Ouro europeia. No ano seguinte, estreou a condecoração máxima da Fifa.

Mudando de posição ao longo da década para compensar o envelhecimento e manter o melhor uso de seus talentos, Matthäus virou volante e depois líbero. Capitaneou o time nacional novamente na Copa de 1994 e depois caiu em ostracismo devido à projeção de seu desafeto Berti Vogts para o cargo de treinador. Perdeu a braçadeira e acabou não convocado para a Eurocopa de 1996, que a Alemanha venceu. Mas retornou para a Copa de 1998, onde igualou o mexicano Antonio Carbajal ao disputar o quinto mundial e participou das partidas que o deram o recorde de participações no palco mundial.

O veteraníssimo craque manteve-se em atividade mesmo depois disso, e até mereceu pela segunda vez o título de Jogador do Ano alemão. Foi 1999, ano em que conduziu o Bayern de volta à final da Liga dos Campeões – mas perdeu para o Manchester com gols nos acréscimos, como já foi dito. Tinha, então, 38 anos. Disputou mais uma Eurocopa com a seleção, em 2000, que marcou sua despedida internacional. Ainda jogaria por alguns meses no MetroStars, dos Estados Unidos, e teria uma carreira esquecível como treinador. Já havia, porém, se firmado no panteão da Alemanha.

2. Gerd Müllerla-legende-vivante-gerd-muller-meilleur-buteur-de-nationalmannschaft-et-du-bayern-munich-vient-fermer-la-marche-avec-un-record-de-732-buts-d-ou-son-surnom-der-bomber_55303_wide

Alguns atletas do futebol não podem ser descritos como “jogadores”. Isso implicaria um envolvimento com diferentes habilidades e etapas do jogo, versatilidade que Gerd Müller não tinha. Ele era, simplesmente, um fazedor de gols. E é possível que ninguém tenha sido melhor nessa tarefa do que ele. Baixinho para a posição de centroavante (1.76m), compensava com velocidade, finalização impecável e um senso de colocação fora do comum.

A trajetória de bolas nas redes começou no minúsculo TSV Nördlingen, clube de sua cidade natal. Em apenas uma temporada lá, Müller marcou gols em uma média de mais de um por jogo, e chamou a atenção de outro time pequeno – o Bayern de Munique. Não se espante: naqueles tempos, em meados dos anos 1960, o Bayern não era muita coisa. Tudo mudaria em breve, muito graças à chegada de seu artilheiro do futuro. Ele desembarcou na Bavária em 1964 e já no primeiro ano ajudou o time a vencer a Liga Regional Sul e conseguir o acesso para a Bundesliga.

Na divisão principal da Alemanha, Müller fez a festa. Foi artilheiro de sete das quinze temporadas que disputou, e totalizou 365 gols – a melhor marca da história da Bundesliga. Só em 1971-72 foram 40, o recorde da liga em uma só temporada. Venceu o prêmio de Jogador do Ano em duas ocasiões, 1967 e 1969. Este segundo foi conquistado na temporada do primeiro título nacional do Bayern desde os anos 1930. Ao todo, o centroavante conquistou quatro com o time, além de quatro Copas da Alemanha. Também foi tricampeão da Copa dos Campeões, marcando em duas das decisões e sendo goleador máximo de duas das edições. No total, foi artilheiro de quatro torneios continentais. Na Copa Intercontinental de 1976, também fez um e levou a taça. Mora no coração de todos os torcedores do Bayern como um dos monstros sagrados da história do clube.

Pela seleção da Alemanha, Müller jogou comparativamente pouco. Foram menos de 70 partidas oficiais e apenas três torneios. A passagem, porém, foi muito bem aproveitada. Com 68 gols marcados, alcançou média de mais de um por jogo e estabeleceu um recorde que só seria quebrado depois de quatro décadas, por Klose – que jogou mais do que o dobro de vezes. Disputou  Eurocopa de 1972, a primeira que a Alemanha venceu. Dos cinco gols da seleção, quatro foram de Müller, artilheiro e melhor jogador da competição.

Seus dez gols na Copa do Mundo de 1970 são marca em uma única edição superada apenas pelos 13 do francês Just Fontaine, ainda em 1958. Desde então, ninguém mais. A atuação, que incluiu dois hat-tricks em quatro dias, o gol da vitória na quarta-de-final contra a Inglaterra e dois no apoteótico duelo de semifinal contra a Itália, rendeu-lhe a Bola de Ouro de melhor jogador europeu do ano. Com outros quatro gols no mundial de 1974 – que a Alemanha venceu, com gol decisivo dele na final – Müller somou 14 tentos em Copas, total que só seria superado mais de 30 anos depois, primeiro pelo brasileiro Ronaldo e depois pelo compatriota Klose. No entanto, Müller precisou de apenas dois torneios.

Os recordes não param por aí, e mesmo os que já foram derrubados levaram décadas para cair. O alemão manteve-se como maior artilheiro de competições europeias de clubes até ser superado pelo espanhol Raúl, em 2010, e segurou o posto de maior artilheiro de um só ano de calendário (de janeiro a dezembro) no futebol europeu até aparecer um certo Lionel Messi, que tirou-lhe a glória em 2012. Um feito que ainda resiste é o de maior artilheiro internacional do futebol mundial (contando gols por seleção e clubes em partidas internacionais), mas que fatalmente será tomado por Messi e/ou Cristiano Ronaldo – dois seres extraterrestres, admita-se.

A dificuldade que jogadores sobrenaturais encontram para ultrapassar os números de Gerd Müller, mesmo tantos anos depois e em outro tipo de futebol, são testemunho indiscutível de que Der Bomber não tinha igual no palco da grande área.

1. Franz BecFranz Beckenbauerkenbauer

Não é à toa que ele é o Kaiser. Vitorioso a nível nacional e internacional, com time e seleção, como jogador e como técnico, Franz Beckenbauer e futebol alemão são sinônimos inseparáveis. É um dos poucos defensores da história do esporte, senão o único, a ser rotineiramente incluído entre os melhores de todos os tempos. Técnica e taticamente brilhante, revolucionou sua posição. Modelo de líder, capitaneou e comandou esquadrões rumo a conquistas históricas. Tem a salas de troféus mais abarrotada do que muitos times. Não é à toa que ele é o Kaiser.

Beckenbauer foi produto da base do Bayern de Munique num tempo em que o clube bávaro disputava divisões inferiores e não era uma força do futebol alemão. Em sua primeira temporada como profissional, porém, ajudou na conquista do título da Liga Regional Sul e da promoção para a Bundesliga. Fazia parte de um grupo de jogadores jovens que, juntos, leveriam o Bayern à estratosfera. Além dele, o centroavante Gerd Müller, o goleiro Sepp Maier, o zagueiro Hans-Georg Schwarzenbeck e o meia Franz Roth eram os destaques do futuro.

O time venceu a Copa da Alemanha em seu primeiro ano como membro da elite, e a partir daí as coisas só melhoraram. Beckenbauer recuou para a posição de líbero, em poucos anos assumiu a braçadeira de capitão e passou a acumular títulos: outras três Copas, quatro Bundesligas, três Copas dos Campeões consecutivas e uma Copa Intercontinental. O clube não teria passado de figurante a dono do mundo sem a colaboração de seu principal líder em campo – e também referência técnica.

Isso porque, apesar de jogar como zagueiro e líbero, Beckenbauer tinha muita qualidade e finesse com a bola nos pés. Quando jovem, atuava no ataque, e depois passou para o meio de campo. Tinha capacidade de fazer a saída de bola ou mesmo avançar para a criação de jogadas. Tinha também a consciência tática para fazer a troca de posições e organizar a equipe toda em campo. Além de tudo, era um primoroso defensor.

Pela seleção da Alemanha, o Kaiser projetou-se para o planeta. A Fifa elegeu-o para os “times dos sonhos” das Copas do Mundo e do século XX. Em sua primeira Copa, em 1966, o ainda jovem líbero foi terceiro artilheiro, com 4 gols, e quase derrubou a anfitriã Inglaterra na final. Em 1970 Beckenbauer protagonizou uma das mais memoráveis cenas do futebol mundial na semifinal contra a Itália: quebrou a clavícula e fez questão de permanecer em campo, braço em tipoia, já que o time não podia mais fazer substituições. A disputa foi perdida na prorrogação, mas ele não comprometeu. Ficou de novo entre os melhores do torneio.

A partir de 1972 Beckenbauer tornou-se o capitão da Nationalelf, e nessa condição ergueu a taça da Eurocopa de 1972, o primeira conquista alemã da competição. Dois anos depois, na Copa do Mundo realizada em sua casa, levantou mais um caneco. Foi o primeiro capitão a erguer a Taça Fifa, feita especialmente para aquela edição do mundial. Pela primeira vez uma seleção campeã europeia conquistava o mundo, e o Kaiser estava no centro dos acontecimentos em ambas.

Ainda falta falar do vice-campeonato da Eurocopa de 1976, da Bundesliga conquistada jogando pelo Hamburgo e da passagem pelo New York Cosmos de Pelé, que rendeu três títulos. Falta falar das duas Bolas de Ouro, recorde para um zagueiro, e dos quatro prêmios de Jogador do Ano da Alemanha, recorde absoluto. Falta falar da carreira como técnico, que teve um título alemão (Bayern), um francês (Olympique de Marselha), uma Copa da Uefa (Bayern) e uma Copa do Mundo (Alemanha, claro). Falta falar do papel fundamental que Beckenbauer teve para fazer da Alemanha novamente anfitriã de uma Copa do Mundo. Ufa.

Intra e extracampo, um dos maiores de todos os tempos. Na Alemanha, maior dos maiores. Não é à toa que ele é o Kaiser.

Os 11 maiores confrontos entre brasileiros na Libertadores

Com o São Paulo e o Corinthians convivendo no mesmo grupo da Copa Libertadores de 2015, o clássico Majestoso fez sua estreia no torneio continental sul-americano este ano. No primeiro jogo, fácil vitória alvinegra por 2-0 – mas os times voltam a se encontrar na última rodada, provavelmente com a classificação em jogo, e no Morumbi. Promessa de bom embate.

O encontro entre os rivais paulistanos é um dos principais dérbis do futebol brasileiro, e seu mero acontecimento dentro de uma Libertadores já dá a esta edição da competição um caráter mais charmoso. Em homenagem a isso, o Onze Ideal elenca aqui os 11 maiores duelos entre equipes brasileiras que a Copa Libertadores da América já teve o prazer de oferecer

11. Cruzeiro x Internacional, 1976 (fase de grupos)

É o único confronto desta lista que não aconteceu em contexto de mata-mata – mas, às vezes, é necessário saber apreciar um jogo de futebol apenas pelo que ele foi em si mesmo, e não pelo que antecipou ou representou. Cruzeiro e Internacional, finalistas do Campeonato Brasileiro de 1975, se reencontraram no grupo 3 da Libertadores de 1976 (que também tinha os paraguaios Olimpia e Sportivo Luqueño). Eram duas verdadeiras seleções, possivelmente os melhores times do Brasil na década. Se o Inter havia levado a melhor no nacional, foi a vez de o esquadrão celeste sair por cima. Já na primeira rodada, uma partida épica no Mineirão terminou em 5-4 para os donos da casa. Foi um jogo de gato e rato, com o Cruzeiro abrindo dois e o Internacional sempre correndo atrás, buscando empates e pressionando. A partida contou com duas raríssimas falhas do zagueiro colorado Elías Figueroa e atuaçõe de gala da dupla celeste Palhinha-Joãozinho. Dias mais tarde o Cruzeiro faria 2-0 em Porto Alegre e, invicto na chave, prosseguiria como primeiro colocado rumo ao título continental. O Inter teve um prêmio de consolação: no fim do ano, conquistou o bicampeonato brasileiro.

CRUZEIRO 5-4 INTERNACIONAL – 07.03.1976 – Mineirão, Belo Horizonte
CRUZEIRO: Raul; Nelinho, Moraes, Darcy, Vanderlei; Zé Carlos, Eduardo, Roberto Batata (Isidoro); Jairzinho, Palhinha, Joãozinho
Téc: Zezé Moreira
INTERNACIONAL: Manga; Cláudio (Valdir), Figueroa, Hermínio, Vacaria; Caçapava, Falcão, Valdomiro; Escurinho, Flávio (Ramon), Lula
Téc: Rubens Minelli
GOLS: Palhinha (2), Lula, Joãozinho, Valdomiro, Zé Carlos (contra), Joãozinho, Ramon, Nelinho
EXPULSÃO: Palhinha

INTERNACIONAL 0-2 CRUZEIRO – 28.03.1976 – Beira-Rio, Porto Alegre
INTERNACIONAL: Manga; Cláudio (Valdir), Figueroa, Hermínio, Vacaria; Caçapava, Falcão, Valdomiro; Escurinho, Ramon (Flávio), Lula (Jair)
Téc: Rubens Minelli
CRUZEIRO: Raul; Nelinho, Moraes, Ozires, Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Eduardo; Jairzinho, Palhinha, Joãozinho
Téc: Zezé Moreira
GOLS: Jairzinho, Joãozinho

10. Grêmio x Palmeiras, 1995 (quartas-de-final)

Um total de 11 gols em dois jogos. Foi o saldo do encontro entre Grêmio e Palmeiras, os dois únicos representantes brasileiros na Libertadores de 1995, na fase de quartas-de-final. O tricolor gaúcho seria campeão do torneio, mas antes teria que ir da euforia às portas do desespero contra o Palmeiras da era Parmalat, bicampeão brasileiro. No jogo de ida, passeio gremista: 5-0 no Olímpico, e a certeza da classificação. A partida de volta seria mera formalidade. No dia do embarque para São Paulo, porém, surgiu a notícia de que o goleiro Danrlei havia sido suspenso pela Conmebol, por ter agredido o palmeirense Válber no primeiro duelo – na ocasião, o juiz deixara passar e o arqueiro não levara nem cartão amarelo. O reserva, Murilo, recuperava-se de uma fratura na mão, mas teria que jogar mesmo assim. Em campo, as coisas pareciam dar certo para o Grêmio quando Jardel abriu o placar. O Palmeiras, que tinha três desfalques, teria que marcar seis vezes só para levar a decisão para os pênaltis. Impossível? Pois fizeram cinco, praticamente devolvendo o placar da ida. Apesar da pressão, porém, o sexto não veio. O Grêmio respirou aliviado com o apito final e seguiu adiante.

GRÊMIO 5-0 PALMEIRAS – 26.07.1995 – Olímpico, Porto Alegre
GRÊMIO: Danrlei; Arce (Scheidt), Rivarola, Adílson, Roger; Dinho, Luís Carlos Goiano, Arílson, Carlos Miguel (Alexandre); Paulo Nunes, Jardel (Nildo)
Téc: Luiz Felipe Scolari
PALMEIRAS: Sérgio; Cafu, Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos; Amaral (Alex Alves), Flávio Conceição, Mancuso, Válber; Müller (Daniel Frasson), Rivaldo
Téc: Carlos Alberto Silva
GOLS: Arce, Arílson, Jardel (3)
EXPULSÕES: Dinho, Válber, Rivaldo

PALMEIRAS 5-1 GRÊMIO – 02.08.1995 – Palestra Itália, São Paulo
PALMEIRAS: Sérgio, Índio, Antônio Carlos, Cléber, Wagner; Amaral (Magrão), Mancuso, Cafu, Paulo Isidoro; Müller, Alex Alves (Maurílio)
Téc: Carlos Alberto Silva
GRÊMIO: Murilo; Arce, Rivarola, Scheidt, Roger; Adílson, Luís Carlos Goiano, Arílson (André Vieira), Carlos Miguel; Paulo Nunes (Vágner Mancini), Jardel (Nildo)
Téc: Luiz Felipe Scolari
GOLS: Jardel, Cafu, Amaral, Paulo Isidoro, Mancuso, Cafu

9. São Paulo x Palmeiras, 1994 (oitavas-de-final)

Um ano antes de cair diante do Grêmio, o milionário Palmeiras dos anos Parmalat já havia sofrido uma decepção na Libertadores – mas na forma de um clássico regional, o primeiro da nossa lista. O São Paulo era o atual bicampeão continental, e, nessa condição, só precisou estrear no torneio na fase de mata-mata. Quis o destino que os paulistas se encontrassem. Com seu elenco estrelado, o Palmeiras era favorito, mesmo não tendo feito uma boa fase de grupos (classificara-se em terceiro no grupo, quando o regulamento ainda permitia isso). O São Paulo precisou botar em campo um time misto, e foi o goleiro Zetti que garantiu o empate sem gols no Pacaembu, com uma partida brilhante. A segunda partida foi no Morumbi, e dessa vez foi o atacante Euller que definiu o resultado, marcando duas vezes e tirando a classificação do alcance do rival. O Palmeiras ainda terminaria o ano com o segundo título nacional consecutivo nas mãos. O São Paulo avançaria para sua terceira final de Libertadores seguida, mas perderia para o Vélez Sársfield nos pênaltis.

PALMEIRAS 0-0 SÃO PAULO – 27.04.1994 – Pacaembu, São Paulo
PALMEIRAS: Fernández, Cláudio, Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho (Amaral), Rincón, Zinho; Edmundo (Edílson), Evair
Téc: Vanderlei Luxemburgo
SÃO PAULO: Zetti; Cafu, Júnior Baiano, Gilmar, André Luiz; Doriva, Axel, Leonardo (Juninho Paulista), Jamelli (Vítor); Euller, Müller
Téc: Telê Santana

SÃO PAULO 2-1 PALMEIRAS – 24.07.1994 – Morumbi, São Paulo
SÃO PAULO: Zetti, Vítor, Júnior Baiano, Gilmar, André Luiz; Válber, Axel, Cafu (Juninho Paulista), Palhinha (Ronaldo Luiz); Euller, Müller
Téc: Telê Santana
PALMEIRAS: Fernández, Cláudio (Jean Carlo), Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson; Edmundo, Evair
Téc: Vanderlei Luxemburgo
GOLS: Euller (2), Evair
EXPULSÃO: Cléber

8. Corinthians x Vasco, 2012 (quartas-de-final)

Ambos os times viviam momentos de redenção. O Corinthians, cinco anos depois de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro, avançava na Libertadores como campeão nacional e com um time fortíssimo. O Vasco vivera seu próprio drama de descenso, em 2008, e agora retornava à Libertadores após 11 anos de ausência como campeão da Copa do Brasil. Esbarraram um no outro nas quartas-de-final, em um duelo que teve mais tensão do que bola na rede. Na ida, em São Januário, a forte chuva que caiu no Rio de Janeiro impediu um embate técnico. Num lance de bola parada, no segundo tempo, o Vasco chegou a ter um gol anulado por impedimento. Prevaleceu o 0-0 e a decisão ficou para o Pacaembu. Lá, no início do segundo tempo, o técnico corintiano Tite foi expulso por reclamação. Não se fez de rogado: foi para as arquibancadas e passou a acompanhar o jogo e dar instruções para os jogadores perto do alambrado, no meio da torcida. Pouco depois, Diego Souza, meia do Vasco, desperdiçou uma chance gigantesca: arrancou sozinho depois de roubar uma bola no campo de defesa e chutou colocado, mas o goleiro Cássio fez uma defesa quase impossível, com a ponta dos dedos. Os nervos à flor da pele da Fiel só desabrocharam, em êxtase, quando o volante Paulinho, já no fim do segundo tempo e com prorrogação à vista, saltou nas estrelas e acertou uma cabeçada após uma cobrança de escanteio para fazer o único gol do confronto. Tite foi engolido pelos torcedores na comemoração, e o Corinthians avançava para sagrar-se campeão de sua primeira Libertadores.

VASCO 0-0 CORINTHIANS – 16.05.2012 – São Januário, Rio de Janeiro
VASCO: Fernando Prass; Fágner, Renato Silva, Rodolfo, Thiago Feltri; Rômulo, Nilton, Juninho Pernambucano (Felipe), Diego Souza (Carlos Alberto); Éder Luís, Alecsandro
Téc: Cristóvão Borges
CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex (Douglas), Danilo (Elton); Jorge Henrique, Emerson Sheik (Willian)
Téc: Tite

CORINTHIANS 1-0 VASCO – 23.05.2012 – Pacaembu, São Paulo
CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex, Danilo; Jorge Henrique (Willian), Emerson Sheik (Liédson)
Téc: Tite
VASCO: Fernando Prass; Fágner, Renato Silva, Rodolfo, Thiago Feltri (Felipe); Rômulo, Nilton, Juninho Pernambucano, Diego Souza; Éder Luís (Carlos Alberto), Alecsandro
Téc: Cristóvão Borges
GOL: Paulinho
EXPULSÕES: Tite, Juninho Pernambucano

7. Fluminense x São Paulo, 2008 (quartas-de-final)

Se o Vasco quebrou jejum de 11 anos ao chegar à Libertadores de 2012, o Fluminense de 2008 superou essa marca com muita sobra: faziam 23 temporadas que o tricolor carioca não disputava o principal torneio da América do Sul. A campanha notável, porém, parecia que pararia no forte São Paulo, atual bicampeão brasileiro (e a caminho do tri) e finalista recente da Libertadores em duas oportunidades. O favoritismo são-paulino se fez valer no jogo de ida, no Morumbi, com uma vitória magra, como era característica daquele time: 1-0. O Maracanã estava fazendo a diferença para o Flu, e teria que continuar. O contestado centroavante Washington abriu o placar já no início do duelo de volta, e o time manteve pressão. O São Paulo empatou no segundo tempo, complicando a situação dos donos da casa. Pelas regras do gol qualificado, não bastava ao Fluminense agora vencer pela mesma diferença, pois o gol fora de casa dos paulistas dava a vantagem. Seria preciso marcar mais dois. O segundo veio quase imediatamente. Já nos acréscimos, no último lance da partida – um escanteio – apareceu Washington de novo. Ele escorou de cabeça para dentro do gol, garantindo o time das Laranjeiras na semi. Ficou célebre a imagem do técnico Renato Gaúcho, ídolo do Flu quando jogador, sentado no gramado vazio após o apito final, emocionado, recebendo a ovação das arquibancadas. A equipe só cairia na decisão, diante da LDU.

SÃO PAULO 1-0 FLUMINENSE – 14.05.2008 – Morumbi, São Paulo
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Zé Luís, Alex Silva, Miranda; Jancarlos, Fábio Santos, Hernanes, Richarlyson; Hugo; Dagoberto (Aloísio), Adriano
Téc: Muricy Ramalho
FLUMINENSE: Fernando Henrique; Gabriel, Luiz Alberto, Roger, Júnior César; Ygor, Arouca, Cícero, Thiago Neves (Conca); Dodô, Washington
Téc: Renato Gaúcho
GOL: Adriano

FLUMINENSE 3-1 SÃO PAULO – 21.05.2008 – Maracanã, Rio de Janeiro
FLUMINENSE: Fernando Henrique; Gabriel (Alan), Thiago Silva, Luiz Alberto, Júnior César; Ygor (Maurício), Arouca (Dodô), Cícero, Conca, Thiago Neves; Washington
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Zé Luís, Alex Silva, Miranda; Jancarlos (Joílson), Fábio Santos, Hernanes, Richarlyson; Hugo (Jorge Wagner); Dagoberto (Aloísio), Adriano
Téc: Muricy Ramalho
GOLS: Washington, Adriano, Dodô, Washington
EXPULSÃO: Joílson

6. Palmeiras x Corinthians, 1999 (fase de grupos e quartas-de-final)

O principal clássico do futebol paulista aconteceu duas vezes na Libertadores de 1999. Palmeiras e Corinthians se encontraram no grupo 3, que também tinha Olimpia e Cerro Porteño. Os confrontos foram equilibrados: uma vitória e dois gols para cada lado. Prosseguiram ambos, e voltaram a se trombar nas quartas – dessa vez, era vencer ou cair. A tensão refletiu-se na disciplina: foram 12 cartões amarelos e dois vermelhos distribuídos entre os times nos dois jogos. O fator decisivo desse mata-mata foi um elemento inesperado: o goleiro palmeirense Marcos. Reserva até o fim da fase de grupos, foi forçado a campo por uma contusão do titular Velloso. Foi nas quartas que começou a construir sua canonização. Na primeira partida, triunfo alviverde por 2-0. O placar engana: o Corinthians criou dúzias de chances e sempre parou nas mãos de Marcos, em grande noite. O Timão conseguiu devolver os números na volta, levando a decisão para os pênaltis. O Palmeiras converteu todos os seus. Marcos defendeu o chute de Vampeta, e ainda contou com uma cobrança para fora de Dinei. A eliminação do arquirrival com atuações de gala originaram o apelido de “São Marcos”, que o goleiro carregou para o resto da carreira – é claro que ajudou muito para sua santidade o fato de o Palmeiras ter sido campeão daquela Libertadores. Já o Corinthians foi (bi)campeão brasileiro no fim do ano, o que garantiu que ambos os times estariam de volta ao torneio no ano seguinte. Voltariam a protagonizar grandes momentos, como veremos adiante.

PALMEIRAS 2-0 CORINTHIANS – 05.05.1999 – Morumbi, São Paulo
PALMEIRAS: Marcos; Arce, Júnior Baiano, Cléber, Rubens Júnior; Galeano, César Sampaio, Zinho, Alex (Rogério); Paulo Nunes (Jackson), Oséas (Evair)
Téc: Luiz Felipe Scolari
CORINTHIANS: Nei, Índio (Rodrigo), Nenê, Gamarra, Sylvinho; Amaral, Vampeta, Ricardinho (Dinei), Marcelinho Carioca; Edílson, Fernando Baiano
Téc: Oswaldo de Oliveira
GOLS: Oséas, Rogério

CORINTHIANS 2-0 PALMEIRAS – 12.05.1999 – Morumbi, São Paulo
CORINTHIANS: Maurício; Índio (Rodrigo), Nenê, Gamarra, Sylvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho (Amaral), Marcelinho Carioca; Edílson, Fernando Baiano (Dinei)
Téc: Oswaldo de Oliveira
PALMEIRAS: Marcos; Arce, Júnior Baiano, Cléber, Júnior; Galeano (Euller), César Sampaio, Zinho, Alex (Rogério); Paulo Nunes, Oséas (Evair)
Téc: Luiz Felipe Scolari
GOLS: Edílson, Ricardinho
EXPULSÕES: Edílson, Júnior

5. São Paulo x Atlético Paranaense, 2005 (final)

Por muitos anos o regulamento da Libertadores agrupava times do mesmo país na fase de grupos (ou nas fases, quando havia mais de uma), restringindo a classificação de equipes compatriotas às fases decisivas e evitando que elas se encontrassem nas decisões. O sistema mudou nos anos 2000, abrindo caminho para o acontecimento inédito do torneio de 2005: uma final entre dois times do mesmo país. O Brasil foi o privilegiado, e seus representantes eram o São Paulo e o Atlético Paranaense, respectivamente terceiro e segundo colocados no Campeonato Brasileiro do ano anterior. O Atlético não pôde usar seu estádio, a Arena da Baixada, porque a Conmebol exigia uma capacidade mínima de 40 mil lugares para os palcos da final – a Arena abrigava, na época, apenas 25 mil. A determinação gera reclamações dos atleticanos até hoje. Por causa disso o primeiro jogo foi no Beira-Rio, em Porto Alegre, e terminou empatado. Na volta, o tricolor venceu fácil no Morumbi e ficou com o título continental, seu terceiro. Apesar da pouca competitividade e ausência de rivalidade regional, este confronto entra na lista por ter decidido o título.

ATLÉTICO PARANAENSE 1-1 SÃO PAULO – 06.07.2005 – Beira-Rio, Porto Alegre
ATLÉTICO: Diego; Jancarlos (André Rocha), Danilo, Durval, Marcão; Cocito, Alan Bahia, Fabrício, Fernandinho (Evandro); Lima, Aloísio
Téc: Antônio Lopes
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Fabão, Lugano, Alex; Cicinho, Josué, Mineiro, Júnior; Danilo; Amoroso, Luizão
Téc: Paulo Autuori
GOLS: Aloísio, Durval (contra)

SÃO PAULO 4-0 ATLÉTICO PARANAENSE – 14.07.2005 – Morumbi, São Paulo
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Fabão, Lugano, Alex; Cicinho, Josué, Mineiro, Júnior (Fábio Santos); Danilo; Amoroso (Diego Tardelli), Luizão (Souza)
Téc: Paulo Autuori
ATLÉTICO: Diego; Jancarlos, Danilo, Durval, Marcão (Rodrigo); Cocito, André Rocha (Alan Bahia), Fabrício, Evandro; Lima (Fernandinho), Aloísio
Téc: Antônio Lopes
GOLS: Amoroso, Fabão, Luizão, Diego Tardelli

4. Santos x Botafogo, 1963 (semifinal)

No início dos anos 60, o futebol brasileiro tinha dois níveis: Santos e Botafogo em um, e o resto do país no outro. As equipes eram a base da seleção brasileira bicampeã mundial, escalando nomes como Pelé, Garrincha, Gilmar, Nilton Santos, Zito e Zagallo. Em 1962, decidiram a Taça Brasil em um confronto histórico. No ano seguinte, se reencontraram na Libertadores. Era a primeira vez que o Brasil tinha dois representantes no torneio. O Santos já tinha vaga garantida por ter sido campeão no ano anterior, e só precisou estrear nas semifinais. Assim, o lugar do campeão brasileiro coube ao Botafogo, que fez campanha perfeita na fase de grupos. O primeiro encontro foi no Pacaembu, e o alvinegro carioca quase saiu com a vitória. Depois de Jair Bala abrir o placar, foi preciso um gol de Pelé, ao 45 do segundo tempo, para dar respiro ao Peixe. Com o jogo de volta no Maracanã, eram boas as chances de o Botafogo eliminar os campeões e arrancar a vaga para a final. Mas, de novo, Pelé brilhou: ainda no primeiro tempo marcou três vezes, efetivamente tirando a partida do alcance do adversário. Lima fechou a goleada, assegurando ao Santos a segunda final consecutiva – e, nela, viria o segundo título. O Botafogo, por incrível que pareça, não conseguiu voltar à Libertadores nos anos 60 para dar uma segunda chance à sua gloriosa geração.

SANTOS 1-1 BOTAFOGO – 22.08.1963 – Pacaembu, São Paulo
SANTOS: Gilmar; Geraldino, Mauro, Calvet, Dalmo; Zito, Lima; Dorval, Coutinho, Pelé, Tite (Toninho Guerreiro)
Téc: Lula
BOTAFOGO: Manga; Joel, Zé Carlos, Nilton Santos, Rildo; Élton, Aírton; Amoroso, Quarentinha, Jair Bala, Zagallo
Téc: Danilo
GOLS: Jair Bala, Pelé

BOTAFOGO 0-4 SANTOS – 28.08.1963 – Maracanã, Rio de Janeiro
BOTAFOGO: Manga; Joel, Zé Carlos, Nilton Santos, Rildo; Élton, Aírton; Garrincha, Amoroso, Quarentinha, Zagallo (Jair Bala)
Téc: Danilo
SANTOS: Gilmar; Geraldino, Mauro, Calvet, Dalmo; Zito, Lima; Dorval, Coutinho (Almir), Pelé, Pepe
Téc: Lula
GOLS: Pelé (3), Lima

3. Flamengo x Atlético Mineiro, 1981 (fase de grupos e jogo-desempate)

Foram três jogos entre Flamengo e Atlético na Libertadores de 1981, e o terceiro deles permanece até hoje como um dos mais polêmicos da história do futebol brasileiro. Comecemos pelo começo. Os times fizeram a decisão do Campeonato Brasileiro de 80, jogos carregados de tensão, e traziam a chama da rivalidade acesa desde então. Como era de praxe na Libertadores naquela época, foram agrupados em uma chave binacional, o grupo 3, com os paraguaios Cerro Porteño e Olimpia. Como prova do nível acirrado de disputa entre os dois times brasileiros, os dois encontros regulamentares entre eles terminaram no mesmo 2-2. Ambos encerraram a primeira fase iguais em pontos. Como apenas o campeão de cada grupo se classificava, e não havia previsão de critérios de desempate no regulamento da competição, foi necessário realizar um jogo extra, em campo neutro, para decidir a vaga. O local escolhido foi o Serra Dourada, em Goiânia, cujo gramado estampava um incompreensível padrão geométrico para a ocasião. O jogo foi nervoso, truncado, cheio de faltas – e não terminou. Numa confusa e controversa sequência de eventos, o árbitro José Roberto Wright expulsou quatro atleticanos em seis minutos ainda no primeiro tempo, deixando o Galo no limite de jogadores necessários para continuar a partida. Revoltados, os remanescentes da equipe abandonaram a partida. Assim, apito final e vitória automática do Flamengo. A classificação seria mais um passo rumo ao título rubro-negro daquela Libertadores.

FLAMENGO 0-0 ATLÉTICO MINEIRO – 21.08.1981 – Serra Dourada, Goiânia
FLAMENGO: Raul; Carlos Alberto, Figueiredo, Mozer, Júnior; Leandro, Adílio, Zico; Tita, Nunes, Baroninho
Téc: Paulo César Carpegiani
ATLÉTICO: João Leite; Orlando, Osmar Guarnelli, Alexandre, Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo, Palhinha; Vaguinho, Reinaldo, Éder
Téc: Carlos Alberto Silva
EXPULSÕES: Reinaldo, Éder, Palhinha, Chicão

2. Internacional x São Paulo, 2006 (final)

Foi a segunda final da Libertadores entre times do mesmo país, a segunda entre brasileiros e a segunda consecutiva. Como consequência, foi um jogo que provocou uma mudança no regulamento do torneio. Após duas edições com os brasileiros monopolizando a decisão, a Conmebol determinou que, sempre que dois times do mesmo país chegassem à semifinal, eles teriam que se enfrentar, independentemente do chaveamento. Antes dessa determinação, porém, Inter e São Paulo decidiram a Libertadores de 2006 em dois bons jogos, em que o Colorado exerceu domínio incontestável e, como eternizou o locutor Pedro Ernesto Dernardin, da Rádio Gaúcha, “rasgou a camisa do São Paulo e pisou em cima”. Vale lembrar que o tricolor era o atual campeão continental e mundial, e favorito para bisar a conquista. Já no Morumbi, na ida, vitória gaúcha, com destaque para o atacante Rafael Sóbis, autor de dois gols. O São Paulo até tentou correr atrás na segunda partida após sair em desvantagem, mas uma falha do ídolo Rogério Ceni quando o momento do jogo parecia bom acabou enterrando as esperanças. O Inter pôde comemorar em casa sua primeira Libertadores, que inaugurou um período de muito sucesso do clube fora das fronteiras. O São Paulo pode ter perdido a Libertadores, mas certamente encontrou consolo no tricampeonato brasileiro que se seguiu.

SÃO PAULO 1-2 INTERNACIONAL – 09.08.2006 – Morumbi, São Paulo
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Fabão, Lugano, Edcarlos (Aloísio); Souza, Josué, Mineiro, Júnior; Danilo (Lenílson); Leandro (Richarlyson), Ricardo Oliveira
Téc: Muricy Ramalho
INTERNACIONAL: Clemer; Bolívar, Edinho, Fabiano Eller; Ceará (Wellington Monteiro), Fabinho, Tinga, Jorge Wagner; Alex (Índio); Fernandão, Rafael Sóbis (Michel)
Téc: Abel Braga
GOLS: Rafael Sóbis (2), Edcarlos
EXPULSÕES: Josué, Fabinho

INTERNACIONAL 2-2 SÃO PAULO – 16.08.2006 – Beira-Rio, Porto Alegre
INTERNACIONAL: Clemer; Bolívar, Índio, Fabiano Eller; Ceará, Edinho, Tinga, Jorge Wagner; Alex (Michel); Fernandão, Rafael Sóbis (Ediglê)
Téc: Abel Braga
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Fabão, Lugano, Edcarlos (André Dias); Souza, Mineiro, Richarlyson (Thiago), Júnior; Danilo (Lenílson); Leandro, Aloísio
Téc: Muricy Ramalho
GOLS: Fernandão, Fabão, Tinga, Lenílson
EXPULSÃO: Tinga

1. Palmeiras x Corinthians, 2000 (semifinal)

Cerca de um ano depois de seus duelos eliminatórios pela Libertadores de 1999, Palmeiras e Corinthians voltavam a se encontrar no mata-mata continental, desta vez uma fase adiante, e por vaga direta na final. Ambos os times estavam maiores: o Verdão era o atual campeão da América do Sul, defendendo seu título; o Timão vinha do bicampeonato brasileiro. Poderia ser a revanche alvinegra ou o puro deleite alviverde. As fichas em jogo eram mais numerosas. E o confronto fez jus, com um total espantoso de 12 gols nos dois jogos – seis para cada lado. A primeira partida já foi eletrizante: depois de o Corinthians (dono do mando de campo) abrir vantagem de 3-1, o Palmeiras conseguiu buscar o empate, só para ver o volante Vampeta, aos 45 do segundo tempo, retomar a ponta e garantir a vitória corintiana. Precisando vencer a volta, o Palmeiras abriu o placar na segunda partida mas tomou a virada. Na base da superação, porém, Alex e Galeano marcaram para salvar as esperanças alviverdes. Placar fechado em 3-2. Se houvesse a regra do gol qualificado, a vaga já era do Palmeiras, por ter marcado mais fora de casa. Como só o que valia era o saldo de gols, a conclusão ficou para os pênaltis. Boa recordação para palmeirenses: no ano anterior, Marcos brilhara. Não foi tão rápido dessa vez, já que todos os jogadores acertaram suas cobranças de ambos os lados. No derradeiro chute, Marcelinho Carioca, maior ídolo do escrete corintiano e especialista em bolas paradas, foi confrontar Marcos, o santo palmeirense com fama de muralha. Marcelinho disparou no pé da trave direita; Marcos pulou certo e bloqueou. Defesa que conduziu o Palmeiras à final mais uma vez, rejeitando o principal craque do maior rival. Um dos grandes momentos da história do time palestrino, do Dérbi Paulistano e da Copa Libertadores.

CORINTHIANS 4-3 PALMEIRAS – 30.05.2000 – Morumbi, São Paulo
CORINTHIANS: Dida; Daniel (Índio), Fábio Luciano, Adílson, Kléber (Édson); Vampeta, Edu, Ricardinho, Marcelinho Carioca; Edílson, Luizão (Dinei)
Téc: Oswaldo de Oliveira
PALMEIRAS: Marcos; Neném, Argel, Roque Júnior, Júnior; Galeano, Rogério (Marcelo Ramos), César Sampaio, Alex; Euller, Pena
Téc: Luiz Felipe Scolari
GOLS: Ricardinho, Júnior, Marcelinho Carioca, Edílson, Alex, Euller, Vampeta

PALMEIRAS 3-2 CORINTHIANS – 06.06.2000 – Morumbi, São Paulo
PALMEIRAS: Marcos; Rogério, Argel, Roque Júnior, Júnior; Galeano, César Sampaio (Tiago Silva), Alex; Euller (Asprilla), Pena (Luiz Cláudio), Marcelo Ramos
Téc: Luiz Felipe Scolari
CORINTHIANS: Dida; Daniel (Índio), Fábio Luciano, Adílson, Kléber; Vampeta, Edu, Ricardinho, Marcelinho Carioca; Edílson, Luizão (Dinei)
Téc: Oswaldo de Oliveira
GOLS: Euller, Luizão (2), Alex, Galeano