As 11 melhores capas de jornal sobre o 7 a 1

Há exatamente um ano, a seleção brasileira…

Quer saber? Não precisa lembrar da história.

Aqui estão as 11 melhores capas de jornal sobre aquele dia.

11. A Bola (Portugal)

Único jornal gringo, mas eu não podia perder o trocadilho. A foto de David Luiz, símbolo daquela derrota, é forte: tristeza, vergonha, o gesto que tenta pedir desculpas.

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10. Jornal NH (RS)

Quando confrontados com um acontecimento tão chocante e sem precedentes, nosso grande desafio é encontrar palavras para contar a história. O jornal de Novo Hamburgo fez da própria indescritibilidade as suas palavras. Se não tivesse complementado com o texto de baixo, ficaria ainda melhor.

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9. O Dia (RJ)

Fale a verdade, foto mais do que oportuna. Muitos usaram, mas só aqui ela tomou a capa inteira. A manchete faz referência a uma declaração do próprio Felipão em entrevista coletiva alguns dias antes, e reflete a desintegração da figura do técnico, muito querido pelos brasileiros até a segunda passagem pela seleção.

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8. A Tarde (BA)

Capa limpa é sempre bom, e a ideia do obituário tem que ser representada nesta lista – melhor que seja na versão com as datas, mais bem sacada. Eu tiraria o “em 2014”, mas isso é picuinha minha.

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7. Lance! (RJ e SP)

A ideia da “tábula rasa” é muito boa, mas a execução sofre um pouco pelo excesso de palavras hiperbólicas (pecado, aliás, cometido por muitos e muitos jornais, dado o calor do momento).

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6. Extra (RJ)

Lembrar a seleção de 50 é clichê? É sim! Mas pode? PODE MUITO!

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5. O Vale (SP)

Eu confesso, sou fã de editoriais na capa. É uma prática que deve ser usada com parcimônia e sabedoria, claro, mas justamente por isso acho que ela fortalece o jornal e ressalta mais marcadamente, na história documental, os grandes eventos.

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4. Diário Catarinense (SC)

Combinação perfeita: uma foto auto-explicativa sozinha na página e sem muitas palavras por cima, apenas o necessário para dar o tom da cobertura. Perde alguns pontinhos pela falta do ponto de interrogação (sou desses) e pelo fato de que a imagem não é local.

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3. Gazeta do Povo (PR)

A melhor foto de torcida daquele dia, na minha opinião. A manchete acerta três vezes: economia de palavras, força dramática e oportunismo com a expressão oficial da Copa.

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2. Metro (Nacional)

A foto é originalmente da Folha de S.Paulo, mas lá ela aparece menor e rodeada de outras manchetes, já que o tradicional diário paulistano preferiu não dar a capa toda só para o jogo. O Metro valorizou melhor a imagem.

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Legenda da foto: “Para não esquecer: placar de Brasil x Alemanha no Mineirão, às 19h17 de ontem”

1. Meia Hora (RJ)

Merecida vencedora de um Prêmio Esso, e ostentando a típica criatividade molecona do Meia Hora. Nada mais a tratar. Apenas aprecie.

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Os 11 melhores livros sobre futebol da minha coleção

Eu deveria estar trabalhando na minha monografia neste exato momento. É um estudo sobre como crônica e futebol se encontraram no Brasil, e como um influenciou o outro. Fiz bem em escolher um assunto agradável. Se tivesse prosseguido com minhas intenções de fazer um sisudo estudo crítico da mídia eu estaria sofrendo bastante. A princípio pensei que precisava de um tema “sério”, e que era hora de deixar o futebol um pouco de lado. Não consegui. Conselho pra você que vai fazer sua monografia em breve: não fuja das suas preferências. Nunca. A tentação de escrever alguma coisa “importante” é grande, eu sei, mas não vale a pena se esfalfar de estudar algo que é desconfortável pra você. Se você gosta do assunto, vai fazer um bom trabalho. É nisso que eu me fio.

Enfim. Eu deveria estar trabalhando nisso agora. Aí me vi cercado por meus livros sobre futebol, que estou usando na monografia, e pensei nesta lista. Aí joguei tudo pro alto, me convenci a ficar uma noite sem dormir pra compensar o tempo perdido e toquei a elencar meus 11 preferidos entre os integrantes da minha pequena biblioteca esportiva. Aí vão, acompanhados por fotos dos exemplares que eu tenho.

11 SÃO PAULO: DENTRE OS GRANDES, ÉS O PRIMEIRO (Conrado Giacomini)
Ganhei este aqui do meu pai. Devorei rapidinho, claro. Faz parte de uma coleção muito boa chamada Camisa 13, em que célebres torcedores dos principais clubes do país assinam obras sobre a história dos times. Mas Conrado Giacomini é uma exceção a essa regra. No meio de nomes como Luís Fernando Verissimo (Internacional), Aldir Blanc (Vasco) e Mário Prata (Palmeiras), aparece um advogado estreante em publicações que recém tinha passado dos 25 anos de idade quando o livro foi lançado. Não estou sacaneando, ele mesmo aponta isso. Seja como for, ele fez um grande trabalho, traçando a história do São Paulo – desde a primeira fundação, em 1930, passando pela falência e refundação em 1935, construção do Morumbi, títulos brasileiros, anos Telê, etc. – através de partidas notáveis do clube. Sempre, claro, tirando um sarrinho dos rivais.

10 BOLA FORA (Paulo Vinícius Coelho)
PVC – ou PVCpedia, ou PVC3PO, como preferir – é provavelmente o mais dedicado e minucioso jornalista esportivo que há no Brasil. Só mesmo ele poderia escrever um livro tão sucinto, preciso e saboroso sobre um assunto a princípio tão intangível quanto o êxodo de jogadores brasileiros para o exterior. Bola fora registra os contextos das saídas de atletas do país para todos os outros mercados futebolísticos importantes do planeta desde sempre, e procura, em cada caso, buscar motivos e entender como influenciou o futebol brasileiro. Muitos lamentam sobre como é ruim que estejamos perdendo nossos jovens talentos para times estrangeiros. Apenas um pesquisou, estudou e registrou. Só você mesmo, PVC.

9 O FUTEBOL EXPLICA O BRASIL (Marcos Guterman)
A proposta de Marcos Guterman, jornalista do Estado de S. Paulo, é ambiciosa e intreigante: mostrar que, no Brasil, história social e história do futebol sempre caminharam juntas, e estudar o esporte é uma forma de estudar (e entender) o país. É um trabalho que ajuda a vencer um preconceito: o de que o futebol é um “escapismo”, um “ópio do povo”, porque não é um assunto “importante”. Basta ler algumas páginas escritas por Guterman para perceber que não dizem que somos o país do futebol à toa. Dá, sim, para o futebol explicar o Brasil, ou no mínimo ilustrar, exemplificar, representar. Porque o jogo bretão fincou raízes muito profundas na nossa sociedade, no nosso povo e nos nossos hábitos, e certamente também incorporou muito da nossa personalidade e da nossa identidade – assim como ajudou a construi-las.

8 À SOMBRA DAS CHUTEIRAS IMORTAIS (Nelson Rodrigues)
Bom, este cara é o mestre, falemos a verdade. Foi por causa dele que escolhi fazer uma monografia sobre crônica esportiva. Este livro também foi um presente, e é o mais recente da coleção: recebi do meu avô quando fui visitá-lo em Santa Catarina no fim do ano passado. Não só eu estava atrás dele feito louco para a monografia como queria lê-lo, por prazer mesmo há muito tempo. À sombra das chuteiras imortais – assim como A pátria em chuteiras, da mesma coleção – é uma coletânea de crônicas de Nelson Rodrigues. Neste livro está, por exemplo, o texto que define o “complexo de vira-latas”, estado de espírito cunhado por Nelson Rodrigues para definir os brasileiros no período antes de vencermos qualquer Copa do Mundo – e que, com adaptações, aplica-se até hoje. Também constam os relatos das partidas das campanhas vitoriosas de 1958, 1962 e 1970.

7 A DANÇA DOS DEUSES: FUTEBOL, SOCIEDADE, CULTURA (Hilário Franco Júnior)
É um dos vovôs da coleção. A dança dos deuses foi, acho, o primeiro livro mais profundo sobre futebol que adquiri. É uma obra bastante abrangente – o que não a torna vaga ou imprecisa. Aborda sociologia, história, religião, política, até linguística, com o objetivo de mostrar como o futebol espraia-se através de várias áreas do conhecimento humano. É uma ótima recomendação para iniciantes, não por ser especialmente fácil ou pouco profunda, mas por introduzir muito bem esse conceito para o leitor: o de que o futebol é um tema influente, complexo e fascinante.

6 LANCEPÉDIA (LANCE! Publicações)
Outro presente, desta vez da minha namorada, que leu minha mente. Pela foto dá pra ver que são dois volumes. É isso mesmo. Cmo o próprio nome diz, é uma enciclopédia do futebol brasileiro, elaborada pelos profissionais do Lance!. Traz fichas e informações bem detalhadas sobre jogadores, clubes, técnicos, estádio, juízes, jornalistas, competições, federações, dirigentes, ufa! Em resumo, muita informação. Para sanar qualquer dúvida, folhear nas horas vagas ou mesmo tirar ideias para listas neuróticas sobre futebol, como certas pessoas fazem.

5 SOCCERNOMICS (Simon Kuper / Stefan Szymanski)
É o primeiro dos três livros em inglês que vão aparecer nesta lista. O grande mérito de Soccernomics é oferecer uma visão do futebol diferente de tudo que estamos acostumados a ver. Uma visão que procura se livrar de vícios amadorísticos que ainda ditam algumas regras no meio do esporte. Uma visão não necessariamente empresarial, mas racional, prática, lógica. Ajuda nisso o fato de Kuper e Szymanski serem pessoas de formação diferenciada dos que costumam escrever sobre futebol: este é professor de economia, e aquele é articulista do Financial Times, de Londres (ou pelo menos era essa a situação de cada um quando a obra foi publicada). O texto é bastante acessível, mesmo quando usa alguns raciocínios e cálculos matemáticos e estatísticos mais complicados – não é preciso compreendê-los totalmente para pegar as ideias dos autores.

4 FEVER PITCH (Nick Hornby)
Nick Hornby era um inglês aspirante a escritor que não conseguia emplacar nada até escrever Fever pitch, em 1992. Daí para frente sua carreira foi alavancada e ele já foi até indicado ao Oscar por um roteiro adaptado. E tudo por causa do Arsenal, seu time do coração, que o motivou a escrever uma espécie de biografia futebolística – coisa que pretendo fazer um dia, quem sabe. A história de Hornby é a história de todos nós, fãs obssessivos do esporte (como ele próprio se descreve). Ele confessa que deixa de prestar atenção à vida real para pensar em futebol, garante que não vai a jogos para se divertir e sim para sofrer pela sua equipe e admite todo tipo de comportamento incompreensível para quem não padece do mesmo mal. Faz isso em nome daqueles que não tem coragem de fazê-lo por quererem preservar um mínimo de integridade pública. Hornby não teve vergonha, e levou adiante o sentimento de muitos homens (e algumas mulheres): futebol é nossa vida, sim, somos meio malucos, sim, acostumem-se com isso.

3 O MUNDO DAS COPAS (Lycio Vellozo Ribas)
Me deparei com este livro meio que por acaso, na FNAC de Brasília. Era época de Copa do Mundo e as prateleiras da entrada da loja estavam abarrotadas de livros sobre futebol, de modo que eu não precisava dar mais do que dois passos para encontrar as coisas que normalmente procuro em livrarias (geralmente preciso dar algumas voltas até achar a seção de esportes). O mundo das Copas estava lá, imenso, dominante na paisagem, me chamando. Comprei sem saber muito bem no que estava me metendo, atraído pela promessa do livro: contar tudo, absolutamente tudo, sobre as Copas do Mundo. Não é que era verdade? Durante o período pré-Copa juroque não me afastei três metros deste adorável calhamaço. Levava para todos os lugares, como uma criança com um brinquedo novo. Na universidade atraí alguns olhares debruçado sobre aquele livrão em vez de socializar com as pessoas. Valeu a pena. Acredite: tem tudo MESMO.

2 THE BALL IS ROUND (David Goldblatt)
Se você quer ter sua cabeça obliterada, pegue algumas semanas da sua vida para ler The ball is round. Já deu pra ver que está lista está cheia de autores com planos grandiosos que, no fim das contas, cumprem. David Goldblatt chega a um novo patamar com um livro do tamanho de uma Bíblia (e páginas tão finas quanto as de uma) que conta, simplesmente, a história do futebol em todo. O. Planeta. E não é “só” isso. Ele começa falando de todos os esportes de bola-no-pé que a humanidade já praticou e conta como isso tudose transformou nesse tal futebol que conhecemos hoje – não sem antes mostrar como o próprio futebol, já com esse nome e uma cara mais ajeitada, passou por um milhão de estágios antes de tomar forma. E é apenas o começo. Goldblatt bombardeia o leitor a cada fração de linha com datas, nomes, eventos, fatos, por vezes abandona o futebol durante páginas só para falar de história global. É um livro que exige pausas para respiração. Eu comecei a ler no ano passado. Ainda não terminei. Pense nisso.

1 O NEGRO NO FUTEBOL BRASILEIRO (Mário Filho)
Eu não li Sérgio Buarque de Hollanda, não li Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro ou Euclides da Cunha. Ainda. Mas li Mário Filho, e devo dizer que ele não deve muito a esses outros caras não. O negro no futebol brasileiro merece um lugar lá em cima, junto com as obras definidoras do Brasil e dos brasileiros. É a história de como o futebol se tornou o esporte do povo no país, como deixou de ser um passatempo das elites para abraçar eser abraçado por todos que o quisessem jogar. Como diz o título, o ponto central é a participação dos negros – e também dos mulatos -, cuja entrada definitiva nas disputas futebolísticas marcou de fato a democratização deste que é o esporte coletivo mais acessível a qualquer pessoa, pela simplicidade das regras, pouca exigência de equipamentos e poucas especificidades físicas. O texto de Mário Filho é delicioso, dá a impressão de que você está lendo uma enorme crônica. Recomendo a todos, mesmo quem pouco se interessa por futebol. É uma obra-base do Brasil, excepcional para esclarecer quem somos e porque somos quem somos.

Os 11 maiores estádios do mundo

Minha última lista foi sobre os maiores estádios do Brasil (aqui), e vimos como o Maracanã está tão à frente dos demais que mesmo sendo redimensionado continuará na frente como maior arena de futebol do país. Nosso colosso já foi o maior do planeta também. Foi inaugurado assim, e por muitos anos comportou públicos massivos, multidões imensuráveis. Isso mudou. Reformas sucessivas reduziram o Maraca, e hoje ele caiu fora da relação de maiores estádios do mundo.

E quem são esses que superaram o Maracanã? Quais são, afinal, os maiores estádios de futebol do mundo? Aqui está a resposta.

11 ANZ (Sydney, Austrália) – 83.500
Pelo nome atual pode ser que fique difícil identificar o local, mas este é o estádio olímpico de Sydney, construído para os Jogos de 2000. A nomenclatura oficial desde 2008 deve-se a um acordo com o banco ANZ, mas o estádio continua popularmente conhecido como Stadium Australia, seu nome de batismo. Nasceu como o maior estádio olímpico do mundo, com capacidade para 110.000 espectadores, mas passou por obras de redução com o tempo. É o maior da Oceania. Abriga até mais jogos de rúgbi e futebol australiano do que de futebol propriamente (a seleção australiana joga lá de vez em quando, e o Sydney FC já fez uso das instalações algumas poucas vezes), mas o suficiente para entrar na lista. Como sede da final do futebol na Olimpíada de Sydney foi um dos primeiros palcos em que se apresentou a Espanha campeã mundial – ou quase isso: o time espanhol medalha de prata tinha Xavi, Carles Puyol, Carlos Marchena e Joan Capdevila. O ouro foi para o time de Camarões, que tinha Samuel Eto’o.

10 BORG EL ARAB (Alexandria, Egito) – 86.000
É um estádio muito novo, inaugurado em 2007. Fica localizado no distrito turístico e industrial de mesmo nome próximo a Alexandria e destaca-se pelo fato de estar postado bem no meio do deserto. É tremendamente sub-utilizado: a casa da seleção egípcia é o Estádio Internacional de Cairo, e, pelo fato de o Borg El Arab ser gerido pela federação local, nenhum time o utiliza. O estádio foi inaugurado no Mundial Sub-20 de 2009, do qual foi uma das sedes, mas recebeu apenas um mísero jogo: a abertura, entre Egito e Trinidad e Tobago. E calma, que as bizarrices estão só começando.

9 BUNG KARNO (Jacarta, Indonésia) – 88.306
Pois é. Um dos maiores estádios de futebol do mundo fica na Indonésia. O Bung Karno tem esse nome em homenagem a Sukarno, primeiro presidente da Indonésia, que iniciou sua construção. Fica dentro de um complexo poliesportivo que também conta com piscinas e quadras de tênis. Teve seu nome alterado para Senayan durante a gestão de Suharto, sucessor de Sukarno no governo do país, mas a mudança foi revertida. Foi erguido no início dos anos 60 e finalizado em 1962, ano em que recebeu os Jogos Asiáticos. De lá para cá foram várias outras competições internacionais: edições dos Jogos do Sudeste Asiático, do Campeonato do Sudeste Asiático e da Copa da Ásia.

8 WEMBLEY (Londres, Inglaterra) – 90.000
Dispensa maiores apresentações. Muitos estádios são palcos históricos do futebol mundial, mas apenas um pode receber o título de santuário, e esse é Wembley. Claro, o Wembley de hoje, que entra nesta lista, não é o mesmo das lendas. Para quem não sabe, o Wembley original foi demolido em 2003 e, no mesmo lugar, foi construída uma versão modernizada, que abriu os portões em 2007. Não importa. A história ficou. Wembley viu o futebol amadurecer, recebeu de braços abertos incontáveis esquadrões de clubes britânicos que lá jogaram e até hoje recebe a final da mais antiga competição do esporte, a FA Cup (além de outros torneios menores). Sediou a Copa de 1966 e abrigou o único título mundial dos inventores do futebol. Recebeu a Olimpíada de 1948, a Eurocopa de 1996, várias finais continentais e o concerto Live Aid, em 1985. Remodelado, será a sede do futebol nas Olimpíadas de Londres. Certamente essa medalha de ouro terá um gosto a mais para a seleção vencedora.

7 SOCCER CITY (Joanesburgo, África do Sul) – 95.000
Esse não tem como não lembrar. Na Copa de 2010 só deu Soccer City, palco de três dos mais marcantes jogos: abertura, com empate entre África do Sul e México; final, com título inédito da Espanha sobre a Holanda; e a quarta-de-final entre Uruguai e Gana que teve a mão de Luis Suárez e o pênalti perdido de Asamoah Gyan no último milissegundo. Mas o estádio já tinha uma grande história antes do mundial. Construído em 1989 e desde sempre um monumento do marcante bairro de Soweto, foi onde Nelson Mandela deu seu primeiro discurso após ser libertado da prisão, em 1990, e recebeu em 1993 o funeral do ativista Chris Hani, líder do Partido Comunista Sul-Africano e combativo opositor do apartheid. Uma curiosidade: o nome oficial do Soccer City é FNB Stadium, devido a um acordo com o principal banco da África do Sul, mas a FIFA não permite que estádios-sede de Copas tenham nomes de empresas. O nome Soccer City foi um apelido criado para contornar isso, e acabou pegando. É o maior estádio da África.

6 CAMP NOU (Barcelona, Espanha) – 99.354
A casa do Barcelona é o maior estádio da Europa e a segunda maior arena particular do mundo (mas a maior pertencente a um clube; calma, já chego lá). Tinha que ser com o Barcelona. O Camp Nou foi erguido na segunda metade dos anos 50 (inaugurado em 1957) como substituto do Les Corts, primeiro campo do Barça e impossibilitado de se expandir devido a limitações físicas da região onde se localizava. O nome oficial do estádio por muitos anos foi Estadi del FC Barcelona, mas a torcida sempre se referiu a ele carinhosamente como Camp Nou – “campo novo” em catalão. O informal virou formal em 2000, com a adoção definitiva da alcunha. Muito mais adequado, convenhamos. O Camp Nou foi palco da Copa de 1982, da Olimpíada de 1992 e de várias finais de Copas Europeias e Ligas dos Campeões.

5 AZADI (Teerã, Irã) – 100.000
Enfim chegamos aos seis dígitos. A partir daqui só estádios com 100.000 lugares ou mais, como é o caso do Azadi, o estádio nacional do Irã. Ele foi construído em 1974 como parte de um complexo poliesportivo destinado a receber os Jogos da Ásia. Desde então é a casa da seleção iraniana e, diferente da maioria dos estádios públicos desta lista, recebe constantemente partidas de clubes. Persepolis e Esteghlal, rivais de Teerã, mandam jogos no Azadi. É comum o estádio sofrer com episódios de superlotação. Um deles, em 2005, foi especialmente grave: em um confronto entre Irã e Japão, pelas eliminatórias asiáticas para a Copa de 2006, sete pessoas morreram. O Azadi inaugura não só o nosso top 5, mas também um pequeno desfile de excentricidades: quatro dos cinco maiores estádios do mundo estão na Ásia.

4 BUKIT JALIL (Kuala Lumpur, Malásia) – 100.200
Isso mesmo, Malásia. Veja você. É um espanto, mas o pior é que tem motivo. Em 1998 a Malásia tornou-se o primeiro país asiático a sediar os Jogos da Commonwealth (a competição esportiva da Comunidade das Nações, que é a união de países que, um dia, foram colônias britânicas). Para celebrar a marca, projetou-se e levantou-se uma gigantesca arena em Kuala Lumpur: o Bukit Jalil. A capacidade do estádio é variável e pode gerar controvérsia quanto à classificação na lista. O número oficial aponta 87.411, mas isso com assentos para todos. A marca indicada acima, 100.200, é atingida quando o público pode ficar de pé. Preferi me guiar pela possibilidade maior. Caso minha escolha tivesse sido pela outra, o Bukit Jalil entraria em 9º lugar. Ou seja, é um gigante de qualquer forma. Outras competições importantes que o estádio já sediou foram os Jogos do Sudeste Asiático de 2001 e a Copa da Ásia de 2007. Chelsea e Manchester United já jogaram por lá em turnês de pré-temporada.

3 AZTECA (Cidade do México, México) – 105.000
Outro que tem muita história. O Azteca é o maior estádio das Américas e maior estádio particular do mundo – só que não pertence a um time. A dona do Azteca é a Televisa, uma das maiores empresas de comunicações do planeta. A companhia já permitiu que o campo fosse usado por diversos times mexicanos (Necaxa, Atlante, Pumas, Atlético Español, Cruz Azul), e o atual mandante dos jogos por lá é o América. O Azteca abriu em 1966, e seu propósito inicial era abrigar a Olimpíada de 1968. Acabou abrigando muito mais. Basta dizer que Pelé e Maradona brilharam no gramado do Azteca em Copas do Mundo, o Rei como regente do brilhante esquadrão brasileiro que venceu o tri em 1970 e o Pibe como astro maior da seleção argentina que levou o bi em 1986. Foi o Azteca que presenciou, na mesma partida, a Mão de Deus e o Gol do Século – ambos cortesia de Maradona. É o único estádio da história a receber duas finais de mundiais (será igualado pelo Maracanã em 2014). As arquibancadas do Azteca com certeza já viram muita coisa.

2 SALTLAKE (Calcutá, Índia) – 120.000
Depois da breve intromissão de um estádio significativo, retomamos a parada de arenas imensas localizadas em países asiáticos. É a vez da Índia e seu Saltlake Stadium. A única grande competição do estádio foram os Jogos do Sul Asiático de 1987 (três anos após a construção), mas ninguém pode acusar o governo do estado de Bengala Ocidental, dono da instalação, de mão-fechada: atualmente três times da primeira divisão indiana adotam o Saltlake como casa, entre eles Mohun Bagan e East Bengal, rivais de Calcutá, que disputam seus dérbis por lá. O nome oficial do estádio é Yuva Bharati Krirangan – traduzindo, “estádio da juventude indiana”. Foi lá, estranhamente, que o goleiro alemão Oliver Kahn encerrou sua carreira profissional, num amistoso entre seu Bayern de Munique e o Mohun Bagan.

1 RUNGRADO MAY DAY (Pyongyang, Coréia do Norte) – 150.000
Então. Chegamos finalmente à Coréia do Norte, lar do maior estádio de futebol do mundo. É. Deu pra reparar por esta lista que a tendência é erguer enormes estádios em ocasião de grandes eventos esportivos realizados em países que raramente os recebem. O governo norte-coreano preferiu não esperar essa oportunidade minimamente conveniente e ergueu um leviatã de concreto em homenagem a Kim Il-Sung, falecido pai do atual ditador Kim Jong-Il e “eterno presidente” da Coréia do Norte – quando ele ainda era vivo, diga-se. Durma-se com um barulho desses. O nome do estádio é uma homenagem ao 1º de maio, Dia do Trabalhador, e remete também à ilha de Rungra, no rio Taedong, que é onde se localiza o estádio. Perceba você que Pyongyang tem pelo menos outros dois estádios para jogos de futebol, e a seleção norte-coreana jogou neles durante as eliminatórias da Copa de 2010, por exemplo. O Rungrado May Day recebe partidas do esporte bretão de forma bastante esparsa, portanto, mas recebe. A função principal da arena é sediar o Festival Arirang, uma pomposa exibição de artes e ginástica que dura dois dias e comemora, surpresa!, o aniversário de Kim Il-Sung.

As 11 melhores músicas sobre futebol

Dizem que quem joga bem, “joga por música”. Um ás do piano, ou da guitarra, ou mesmo do vocal é um “craque”. Futebol e música se misturam com muita facilidade, por vários motivos. O clima nos estádios, a vibração da torcida, vai instintivamente em direção a cantos para embalar o time, provocar o adversário ou expressar paixão. Uma música entoada por milhares de fãs é parte essencial de um jogo de futebol. O Brasil é especialista nisso. É famoso o caso da partida entre a seleção nacional e a Espanha, pela segunda fase da Copa de 1950, quando os torcedores presentes ao Maracanã, empolgados com a goleada de 6-1, improvisaram um coro da marchina “Touradas em Madri”, para fazer graça com os espanhóis. O povo brasileiro já foi descrito como um povo naturalmente musical e o jogo brasileiro já foi comparado ao samba. É absolutamente natural que futebol e música se encontrem tão harmoniosamente por aqui.

Muitos são os compositores que já prestaram reverência ao nobre esporte através de seu som. Alguns deles conseguiram criar verdadeiras obras-primas. Aqui estão as 11 maiores.

11. “O futebol” (Chico Buarque)

Chico, para muitos (inclusive eu) o maior compositor brasileiro vivo, é um futebólatra. Torcedor do Fluminense, ele tem seu próprio time de futebol amador, o Politheama, e um campo de dimensões oficiais em sua casa, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Não surpreende que tenha gasto um pouco de seus dotes em uma pequena ode ao futebol, chamada, apropriadamente, “O futebol”. O destaque da composição é a tabelinha imaginária que Chico, como tantos garotos colecionadores de figurinhas e jogadores de botão, arma entre seus ídolos: Didi, Garrincha, Pagão, Pelé e Canhoteiro trocam passes nos versos finais da música.

10. “Aqui é o país do futebol” (Milton Nascimento / Fernando Brant)

A dupla do Clube da Esquina resolveu compôr uma homenagem não só ao futebol mas, principalmente, ao dono de um dos mais talentosos pares de pés que Minas Gerais já produziu: Tostão. “Aqui é o país do futebol” foi o resultado. É uma música que bate na tecla da obsessão nacional, com trechos como “Brasil está vazio na tarde de domingo, né?” e “Esqueça a casa e o trabalho/A vida fica lá fora”. Fazendo jus ao caráter de linguagem universal do futebol, a canção dos mineiros foi gravada com sucesso pela gaúcha Elis Regina e pelo carioca Wilson Simonal – versão que pode ser conferida abaixo.

9. “Camisa dez” (Luiz Américo)

O time brasileiro na Copa de 1970 era um sonho – e, como tal, durou pouco. Já para o mundial seguinte o Brasil não teria vários jogadores que levantaram a taça no México. A principal dificuldade era encontrar um substituto para Pelé, que se aposentou da seleção um ano depois do tri. É esse momento angustiante que ficou preservado em “Camisa dez”, uma espirituosíssima composição do sambista Luiz Américo. Durante a letra são feitas referências a vários jogadores da época, culminando na reclamação pela falta de um legítimo camisa dez para cumprir a tarefa impossível de substituir o Rei. Deixo maiores explicações para o vídeo, que conta a história com mais detalhes.

8. “Ally’s Tartan Army” (Andy Cameron)

Única música estrangeira da lista, “Ally’s Tartan Army” é um dos maiores exemplos de bom humor e auto-ironia do mundo do futebol. Foi escrita e gravada pelo comediante escocês Andy Cameron antes da Copa de 1978, e seu título faz referência à seleção nacional (“Ally” é o treinador Alistair MacLeod, e “Tartan Army” é o apelido dado aos torcedores escoceses). Durante a preparação para o mundial, MacLeod bravateou que seu time traria o título para a Escócia. Não era um mau time, é verdade, mas era ambição demais. Todo o país resolveu embarcar na onda, sem levar a sério, e foi daí que nasceu a música. Na letra, Cameron proclama que os seus compatriotas supreenderão e vencerão a Copa, porque “a Escócia é o maior time de futebol”. Os compatriotas foram eliminados na primeira fase, mas valeu pela brincadeira.

7. “Aqui tem um bando de loucos” (Torcida do Corinthians)

Eu sou são-paulino. Mas é impossível ficar indiferente à torcida do Corinthians quando esta resolve usar sua força para apoiar o time. É um espetáculo como poucos no futebol brasileiro. No ano do rebaixamento corintiano (ah, 2007, quanta alegria você me deu…) esses laços se fortaleceram a extremos comoventes, e a volta à primeira divisão, no ano seguinte, foi uma apoteose de amor à camisa. Merecem palmas por isso. Ainda na campanha da derrocada um dos muitos gritos de guerra dos alvinegros nas arquibancadas se destacou. Foi o tal do “Aqui tem um bando de loucos…”, que unia tudo que o Corinthians representa para seus seguidores: devoção ensandecida, doses cavalares de drama, luta, superação. Em poucas frases uma das relações time-torcida mais umbilicais e bem definidas do futebol brasileiro foi descrita com perfeição. Eu sei que não é bem uma música, como as outras da lista, mas não podia ficar de fora.

6. “Futebol, mulher e rock’n’roll” (Dr. Sin)

A música do grupo de hard rock Dr. Sin (brasileiro, apesar do nome) não fala só de futebol, é verdade, mas tem um trunfo muito valioso entre suas concorrentes da lista: a contribuição de ninguém menos do que Silvio Luiz, na minha opinião o maior narrador esportivo do universo. Silvio não só empresta seus sensacionais bordões como também aparece no clipe, de óculos escuros e guitarra no ombro, fazendo cara de malvado. Impagável. O vídeo e a composição são carregados de testosterona: mulheres em trajes sumários, trocadilhos de mesa de bar e uma entrega total à proposta.

5. “Fio Maravilha” (Jorge Ben Jor)

João Batista de Sales foi revelado pelo Flamengo e lá jogou durante quase uma década. Foi uma espécie de pré-Obina: desajeitado, pouco glamouroso, longe de ser um craque, aparecia em momentos importantes e ganhou o carinho da torcida. Um flamenguista em especial levou esse carinho para o estúdio e gravou um tributo. Era Jorge Ben Jor. “Fio Maravilha” (nomeada a partir do apelido que o jogador ganhou da torcida) foi um grande sucesso, logo adotada pelas arquibancadas rubro-negras. Fio Maravilha deixou o Flamengo em 1973 com boas lembranças e esse precioso legado musical – infelizmente manchado por uma briga judicial entre o atleta e Jorge Ben Jor pelos direitos autorais da canção. Por muito tempo Jorge teve que mudar a letra para “Filho Maravilha”, mas o assunto foi resolvido em 2007 e os dois fizeram as pazes.

4. “O campeão” (Neguinho da Beija-Flor)

A primeira frase de “O campeão” já é suficiente para colocá-la entre as músicas definitivas sobre o futebol brasileiro: “Domingo eu vou ao Maracanã”. Neguinho compôs a música para seu primeiro disco solo, no início dos anos 80, mas teve uma bela sacada: não preencheu o poderoso refrão com o nome de nenhum time específico. Evidente que ele pensara no seu Flamengo ao escrever a letra, mas não explicitou. Desse modo, ao ser abraçada pelos torcedores, a música virou um hino geral: qualquer torcida poderia inserir seu clube ali e transformar o canto em seu próprio. Acabaram sendo mesmo os flamenguistas que mais se identificaram com a composição e são mais frequentemente vistos (ou melhor, ouvidos) cantando-a, mas mas pode se dizer que ela é uma filha com vários pais adotivos.

3. “A taça do mundo é nossa” (Wagner Maugeri / Maugeri Sobrinho / Victor Dagô / Lauro Müller)

O Brasil tem uma vasta coleção de músicas dedicadas a suas participações em Copas do Mundo, mas nenhuma delas supera a mãe de todas: “A taça do mundo é nossa”. Composta como uma marchinha, ela traduz toda a catarse que foi a vitória na Suécia em 1958. O famigerado “complexo de vira-lata”, captado por Nelson Rodrigues, foi definitivamente mandado para o espaço a cada vez que uma garganta eufórica soltava um “Com brasileiro, não há quem possa!” pelas ruas do país. O nome da canção virou frase muitas vezes repetida em diversos contextos e até título de um filme do Casseta&Planeta. Vale, ainda, prestar atenção em um dos versos, que exemplifica bem o que a introdução desta lista argumenta: “Sambando com a bola no pé”.

2. “Um a zero” (Pixinguinha)

Eu escrevi lá em cima que uma das principais ligações entre música e futebol é o canto da torcida nos estádios. Então como pode uma música instrumental ser tão relacionada ao esporte? Bom, pergunte a Pixinguinha, autor do magnífico choro “Um a zero”, possivelmente uma das primeiras manifestações musicais de um grande artista em direção ao futebol. “Um a zero” foi composta para comemorar a primeira grande conquista da seleção brasileira: o Sul-Americano de 1919. O nome alude ao jogo decisivo, contra o Uruguai, que terminou com o placar de 1-0, gol de Friedenreich. As chuteiras do atacante ficaram vários dias expostas em uma vitrine do centro do Rio de Janeiro e houve muita comoção pelo título. Tanta que Pixinguinha, um dos monstros sagrados da música brasileira, entrou na roda e criou uma peça imortal.

1. “É uma partida de futebol” (Skank / Nando Reis)

A parceria entre o cruzeirense Samuel Rosa, líder do Skank, e o são-paulino Nando Reis deu à luz uma das maiores músicas de toda a minha geração e certamente a maior composição sobre futebol que já se produziu. Nela não falta nada: fantasia, fanatismo, euforia, idolatria, reverência, tudo em meio a guitarras alucinantes e metais irresistíveis – sem falar em um dos refrões mais reconhecíveis do rock nacional, começando em “Bola na trave não altera o placar…”, e você sabe o resto. A música é enriquecida pela participação das torcidas de Atlético-MG e Cruzeiro em alguns trechos e por um clipe irretocável, completo com passagens de clássicos entre os rivais mineiros, Samuel no meio da galera na arquibancada e tomadas épicas do baterista Haroldo Ferretti tocando no centro do gramado do Mineirão. Um clássico.