Os 11 cartolas que mais fizeram cartolices

O cartola é uma figura essencial do futebol brasileiro. Aquele dirigente falastrão, paternalista, aferrado ao poder, nada profissional, metido em maracutaias e politicagens. Que vê seu clube como uma extensão de si mesmo e faz de tudo para levá-lo ao sucesso, em parte por paixão de torcedor e em parte por vaidade pessoal. Há também a variedade que comanda entidades, e que compensa com mais despotismo o que não pode ter de títulos.

A categoria está em alta. Cartolas tupiniquins exercem alguns dos principais papéis na investigação que está fazendo a casa da FIFA cair como nenhuma outra casa jamais caiu antes. É o Brasil fazendo bonito na primeira divisão da criminalidade internacional. Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo del Nero são a geração de ouro da nossa cartolagem, os nossos Gullit-Rijkaard-Van Basten de terno e gravata.

Em homenagem a eles, vamos recordar os maiores representantes do ofício na história do futebol brasileiro. A trinca de ouro atualmente ocupando manchetes policiais em todo o planeta vira hors concours aqui, senão não teria graça. Fica como café-com-leite também o grande capo da famiglia FIFA, o inabalável João Havelange, que é o bode na sala do escândalo. Noves fora esse hall da fama, eis a nata da dirigência boleira nacional.

11. Carlito Rocha (Botafogo)

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Carlito Rocha é uma exceção nesta lista pelo fato de que não se metia em delinquências. Fora esse detalhe, preenchia ao extremo todos os outros requisitos da cartolagem e era particularmente talentoso em uma característica: a excentricidade. Era supersticioso ao ponto de parecer lunático. Foi jogador e técnico do Botafogo, mas foi na condição de presidente do clube, entre 1948 e 1951, que mais se celebrizou. Mandava dar nós nas cortinas da sede social como forma de azarar as pernas dos adversários, recusava-se a estar dentro de um carro que desse ré por achar que era má sorte e carregava consigo um alfinete de fralda repleto de medalhinhas de santos. Em sua gestão, o Botafogo arrancou o Campeonato Carioca de 1948 das mãos do Vasco, que era, na época, o melhor time do Rio de Janeiro e base da seleção brasileira. Uma das contribuições mais longevas do dirigente ao clube de General Severiano foi o cachorro Biriba, adotado como mascote. O animalzinho, que pertencia ao zagueiro Macaé, invadiu o campo durante uma partida de aspirantes que o Botafogo acabou por vencer. Dali em diante, Carlito só entrava no estádio com Biriba em punho.

10. Laudo Natel (São Paulo)

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O ponto de partida para os cartolas metidos em práticas escusas é com o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do São Paulo Laudo Natel, um dos principais responsáveis pela construção do estádio do Morumbi – através de manobras no mínimo duvidosas. Natel presidiu o Tricolor entre 1958 e 1971, justamente o intervalo durante o qual foi erguida a obra. Durante esse período, acumulou por alguns anos o cargo com o posto de vice-governador do estado (justiça seja feita, licenciou-se do clube sempre que assumiu a titularidade do governo, uma vez pela cassação de Adhemar de Barros e outra por eleição indireta). Também ocupou um assento na diretoria do Bradesco, que usou para facilitar a obtenção de créditos e títulos para o São Paulo. Jamais ficou claro se aproveitou suas posições políticas para beneficiar diretamente o clube, mas a cessão do terreno onde se encontra o estádio é envolta em mistério até hoje, e as boas conexões de Laudo Natel, combinadas com sua longeva presidência, contribuem para tornar a história toda ainda mais suspeita.

9. Andrés Sanchez (Corinthians, CBF)

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Atravessando a cidade de São Paulo, chegamos ao Corinthians e a Andrés Sanchez, um cartola dos novos tempos. Envolvido em políticas clubísticas desde cedo (foi fundador da torcida organizada Pavilhão Nove), Sanchez assumiu a presidência em 2007 e conduziu o Timão no renascimento pós-rebaixamento. Sua grande obra foi a construção do Itaquerão, feito que alcançou através de sua amizade com Lula, então presidente da República. O financiamento da Caixa Econômica Federal, as isenções tributárias concedidas e a briga política para colocar o novo estádio na Copa do Mundo (e assim justificar sua construção) são os rastros deixados pelas relações perigosas de Andrés Sanchez no caminho para a realização do projeto da casa própria do Corinthians. Aliado de primeira hora de Ricardo Teixeira, conseguiu rachar o Clube dos 13 no meio de uma negociação de direitos de televisão que prometia ser histórica, tudo para ajudar o status quo da CBF. Chegou a diretor de seleções e tinha tudo para suceder Teixeira, mas a renúncia do mentor mudou o cenário e ele perdeu força. Hoje é deputado federal e ainda vai aprontar muito.

8. Vicente Matheus (Corinthians)

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Outro que não sujou o nome com falcatruas, Vicente Matheus sobe na lista pela excelência nos critérios “longevidade” e “boca grande”, além da entrega carnal que tinha pelo Corinthians. Diretor de futebol no auge do sucesso do time nos anos 1950, foi presidente por 16 anos, ao longo de oito mandatos que abrangeram porções de quatro décadas diferentes – e ainda emplacou a esposa, Marlene, em uma eleição. Na sua gestão foi quebrado o tabu de 23 anos sem títulos, e foi com ele que o Timão conquistou o Campeonato Brasileiro pela primeira vez. Matheus investia (muito) dinheiro do próprio bolso para financiar o clube (prática adotada por vários cartolas hoje) e bancou o crescimento da Gaviões da Fiel, que ganhou muita influência na política interna corintiana graças a seu apoio. Talvez seja mais conhecido do grande público como frasista desastrado. São de sua autoria pérolas como “O Sócrates é inegociável, invendável e imprestável”; “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático”; “Comigo ou sem migo o Corinthians vais ser campeão”; e “O difícil, vocês sabem, não é fácil”.

7. Eduardo José Farah (FPF)

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Como eu disse, existem cartolas que fazem fama não liderando clubes, mas comandando federações, regendo campeonatos e moldando o cenário do futebol nacional de forma mais ampla. É o caso de Eduardo José Farah, que foi presidente do Guarani no fim dos anos 60 mas ganhou fama mesmo em seus 15 anos como mandatário da Federação Paulista de Futebol, entre 1988 e 2003. Sua longa gestão foi marcada por invencionices que tiveram vida curta, como as disputas de pênaltis para desfazer todos os empates e a escalação de dois juízes por partida. Farah também investiu na importação de árbitros estrangeiros para apitar jogos do Paulista, iniciativa que culminou na infame performance do argentino Javier Castrilli na semifinal de 1998, entre Corinthians e Portuguesa. No mesmo ano, bolou o bizarro “Disque-Marcelinho”: a FPF comprou o passe de Marcelinho Carioca do Valencia e promoveu uma votação telefônica entre as torcidas para decidir qual clube ficaria com o meia (ganhou o Corinthians). Uma ideia do cartola que pegou foi a adoção do spray dos árbitros – que foi por muito tempo visto como uma excentricidade. Farah também ficou marcado por denúncias de sonegação, evasão de divisas e desvio de recursos da Federação, e pela campanha que fez contra as torcidas organizadas. Sua presidência baniu os bandeirões, proibição que vigora até hoje no futebol paulista e que deixa os estádios menos festivos.

6. Caixa D’Água (FERJ)

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Enquanto Farah reinava em São Paulo, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro vivia sob o jugo de Eduardo Vianna, mais conhecido pelo apelido de “Caixa D’Água” (recebido nos tempos de estudante, quando ia aos bebedouros da escola paquerar as colegas). Homem de muita instrução e cultura, usou toda a sua inteligência para reinar por 22 anos na FERJ, escorado na base eleitoral das inúmeras ligas amadoras do Rio. Assumiu a Federação em 1984 e só deixou o posto graças à pequena inconveniência de seu falecimento em 2006. Carregou nas costas denúncias de formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica, foi acusado de desviar receitas de bilheteria do Maracanã e chegou a ser afastado judicialmente do cargo por duas vezes, mas sempre conseguiu voltar. Bancou viradas de mesa no Campeonato Brasileiro quando elas beneficiaram times cariocas, e também aprontou das suas no campeonato estadual local. O Carioca de 2002, eternizado como “Caixão”, foi uma odisseia que só terminou sete anos depois nos tribunais, em meio a mudanças no regulamento e polêmicas de arbitragem. Curiosamente, um dos prejudicados naquele certame foi o Americano, clube do coração de Caixa D’Água, a quem ele era constantemente acusado de beneficiar.

5. Nabi Abi Chedid (Bragantino, CBF)

FUTEBOL - HISTÓRIA DO BRAGANTINO

Membro mais notável da família que colocou o Bragantino no mapa do futebol nacional, o libanês de nascimento Nabi Abi Chedid foi presidente entre 1959 e 1977, e em sua gestão o clube conquistou pela primeira vez o acesso para a elite do Campeonato Paulista. Os anos dourados no início da década de 90, com título estadual e vice Brasileiro, foram sob os auspícios de seu irmão Jesus (sim), mas Nabi era patrono e comandava o futebol. Suas atenções, porém, estavam divididas com voos mais altos. Sua carreira passou por todos os níveis da cartolagem: do Bragantino foi para a presidência da FPF, entre 1979 e 1982, e de lá ambicionou a CBF. Em 1986, ano de eleição na entidade, o cenário eleitoral projetava um rigoroso empate entre Nabi e o candidato da situação, Medrado Dias (havia número par de federações na época). Sedento pela vitória, o cartola apelou a uma manobra: como o estatuto da CBF previa a vitória do candidato mais velho em caso de igualdade de votos, Nabi inverteu a chapa com seu vice, o sexagenário presidente da FERJ Octávio Pinto Guimarães. O detalhe, que faria Frank Underwood corar, é que Nabi apostava que o câncer que acometia Guimarães deixaria a presidência vaga em breve. Não foi o que aconteceu. O novo mandatário cumpriu o mandato e faleceu cerca de um ano após o fim, deixando seu ávido vice de mãos abanando. Modo de dizer, claro, pois o cartola continuou influente em todos os níveis do futebol e deteve mandatos de deputado estadual durante toda a vida adulta, até sua morte em 2006. O estádio do Bragantino foi rebatizado em sua homenagem graças ao atual presidente, Marquinho Chedid – seu filho, que sucedeu Jesus e está no posto há quase 20 anos.

4. Rivadávia Corrêa Meyer (AMEA, CBD)

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Hora de voltar bastante no tempo e revisitar os primórdios do futebol brasileiro, quando o amadorismo ainda vigorava e ser jogador não era uma profissão. Esses tempos teriam durado para sempre se dependesse de Rivadávia Corrêa Meyer. Ligado ao Botafogo, onde fora atleta e dirigente, detinha a presidência da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA) do Rio de Janeiro no início dos anos 30, quando esquentou no país a disputa entre os puristas do esporte amador e os defensores da profissionalização. Rivadávia era capitão do primeiro time. Considerava que pagar alguém para jogar futebol era indigno, e até chamou publicamente os atletas que reivindicavam salário e reconhecimento profissional de “gigolôs”. Lutava uma causa perdida, pois tinha o apoio apenas de seu Botafogo, do Flamengo e de clubes pequenos (do outro lado estavam Fluminense, Vasco, América, Bangu e, eventualmente, a própria CBD). Mas conseguiu provocar uma cisão no futebol carioca, que forçou o surgimento de uma liga paralela e acabaria por sepultar a AMEA. Depois disso, presidiu a CBD entre 1943 e 1955, ou seja, durante a Copa do Mundo de 1950, no Brasil. No calor do torneio, expôs a seleção às hostes de políticos que quiseram tirar vantagem do contato com os jogadores e permitiu o oba-oba sobre o time, inclusive com manchetes de jornal proclamando os brasileiros campeões antes mesmo do jogo final. Deu no que deu. Sua presidência também organizou um torneio internacional de clubes, a Copa Rio, que, em sua terceira e última edição, foi batizado com o nome do próprio Rivadávia. Modéstia não era o seu forte.

3. Castor de Andrade (Bangu)

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Muitos cartolas têm as ilicitudes como, digamos, negócios paralelos. Castor de Andrade, patrono e benemérito eterno do Bangu, fazia diferente: o crime era seu meio de vida. Herdou do pai um dos maiores impérios de jogo do bicho do Rio de Janeiro e conseguiu a proeza de expandi-lo. Virou um dos homens mais poderosos do estado e circulava entre as elites nacionais, ganhando reverência até do ex-presidente João Figueiredo. Nunca assumiu formalmente nenhum cargo na diretoria do seu clube do coração, mas fez de absolutamente tudo para ajudar o Bangu: usou dinheiro da contravenção para bancar o elenco, subornou árbitros, fez fluir propinas, supostamente botou na gaveta até jogadores adversários quando foi conveniente. Durante mais de 30 anos exerceu sua influência, período no qual o time alvirrubro teve suas maiores glórias: finalista do Carioca por quatro temporadas seguidas, campeão em 1966, vice-campeão brasileiro em 1985. O poder de Castor de Andrade fez-se evidente até mesmo na escolha do mascote oficial do Bangu, em 1981: justamente o animal que batiza o bicheiro. Quem procurar a história do cartola no site do clube vai perceber uma reverência quase religiosa. Os registros falam em “melhor amigo e salvador” do Bangu, “acima do bem e do mal”, e não fazem a menor questão de disfarçar o império mafioso de Castor – pelo contrário, enaltecem-no. O bicheiro também tinha envolvimento no Carnaval: patrocinou a Mocidade Independente de Padre Miguel e foi fundador e primeiro presidente da Liga das Escolas de Samba.

2. Alberto Dualib (Corinthians)

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A dinastia Matheus no Corinthians deu lugar a outra longa presidência de um nome só: a de Alberto Dualib. Eleito para o cargo máximo em 1993, só largou o osso em 2007, praticamente arrancado da cadeira pela justiça. No teste do sucesso do clube ele passa com êxito: o Corinthians teve seus melhores anos sob Dualib, vencendo vários estaduais, duas Copas do Brasil, três Brasileiros e o primeiro Mundial de Clubes da Fifa. Testemunho da força política de Dualib é o fato de que ele conquistou para o clube o direito de participar do Mundial mesmo sem ter vencido antes uma Libertadores. Um dos títulos nacionais alcançados durante a gestão do cartola foi o de 2005, para o qual o Corinthians se reforçou pesadamente graças ao aporte de dinheiro da Media Sports Investment – a famigerada MSI, uma obscura empresa de investimentos em esportes. Seus rostos eram o russo Boris Berezovsky, presidente, e o iraniano Kia Joorabchian, representante no Brasil, ambos figuras carimbadas do submundo das negociatas internacionais. A parceria rendeu apenas este título, mas muitas dívidas para o Corinthians e acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro sobre Dualib. Dois anos depois o presidente estava deposto, deixando como seu legado final um doloroso rebaixamento. Dos maiores altos aos menores baixos, o reinado de Dualib mostrou tudo que um cartola de marca maior pode fazer por um clube de futebol.

1. Eurico Miranda (Vasco)

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Quem mais senão o imperador de São Januário para ficar com o primeiro lugar? Para quem conhece a peça pode ser difícil acreditar, mas Eurico Miranda só exerceu formalmente o cargo de presidente do Vasco por seis anos (2001-2007), antes de retornar em triunfo no ano passado. Mas sua influência na Colina teve início nos anos 60, e por muito tempo foi ele quem deu as cartas no clube, mesmo sem ocupar a cadeira máxima. Foi responsável por repatriar o ídolo Roberto Dinamite do Barcelona, em 1980, e por roubar Bebeto do arquirrival Flamengo em uma das transações mais célebres do futebol brasileiro, em 1989. Na década seguinte tornou-se vice-presidente de Antônio Soares Calçada, a quem enfrentara em eleições anteriores, e, diante da personalidade mais discreta do titular, virou o manda-chuva. Sua figura encharutada virou símbolo de um dos melhores períodos da história do Vasco. Os sucessos (quatro estaduais, um Rio-São Paulo, dois Brasileiros, uma Mercosul e uma Libertadores) vieram na mesma proporção dos desmandos. A mão de ferro de Eurico desautorizava treinadores e jogadores, centralizava as decisões, monopolizava entrevistas e se espraiava para a política clubística nacional. Enfrentava até do governador do Rio de Janeiro. No segundo jogo da final do Brasileiro de 2000, contra o São Caetano, o alambrado de São Januário cedeu após um tumulto nas arquibancadas, ferindo cerca de 150 torcedores. Ambulâncias entraram em campo e pessoas eram atendidas no gramado. Eurico desfilava em meio ao cenário de guerra, bradando ordens para que todos fossem retirados e o jogo (que ia dando o título ao Vasco), reiniciado – apesar de o governador Anthony Garotinho já ter determinado o encerramento do evento. Pelo regulamento, o acontecido deveria causar a eliminação do time mandante. A força política de Eurico forçou o descarte dessa regra, substituída apenas por um novo jogo em campo neutro. Em gesto de provocação à Globo, que transmitia a final e teria pintado-o como vilão do desastre, o cartola fechou um contrato para estampar a logomarca do SBT, emissora concorrente, apenas na partida extra. Eurico teve também carreira parlamentar, sendo deputado federal por dois mandatos. Seu maior ato no Congresso foi tumultuar a CPI da CBF/Nike, em 2000, e rasgar o relatório final dos trabalhos em plena sessão. Deixou a presidência do Vasco em 2008, com o clube rebaixado. Após o patético hiato que foi a gestão de Roberto Dinamite, o monarca está de volta, prometendo resgatar o “respeito” e já fazendo das suas cartolices novamente.

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