Os 11 maiores estádios do Brasil

Em outubro do ano passado saiu, sem nenhum alarde, a versão mais atualizada de um documento interessante que a CBF publica anualmente: o Cadastro Nacional de Estádios de Futebol. É uma compilação estatística sobre as arenas brasileiras, desde as mais acanhadas, com poucos milhares de lugares e arquibancadas que nem conseguem dar a volta no campo, até as mais monumentais, com seus assentos marcados e seu “padrão FIFA”. Traz informações interessantes, para quem gosta dessas coisas. Pode ser consultado aqui.

De lá tirei esta lista, falando um pouquinho sobre os maiores estádios do Brasil, segundo o Cadastro. A capacidade que considerei aqui foi estritamente aquela que o documento da CBF apresenta, mais especificamente o que é chamado de “capacidade de operação”.

11. Fonte Nova (Salvador, BA) – 50.025

fonte nova

NOME OFICIAL
Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira
PROPRIETÁRIO
Governo da Bahia
INAUGURAÇÃO
07.04.2013 – Bahia 1-5 Vitória, Campeonato Baiano
PRIMEIRO GOL
Renato Cajá, Vitória

Esta é a nova Fonte Nova, construída para a Copa do Mundo de 2014 no mesmo local da antiga, que foi implodida em 2010. Em sua versão original, de 1951, o estádio era um colosso que chegou a comportar mais de 80 mil pessoas e recebeu os grandes momentos do futebol baiano. O Bahia conquistou lá seus títulos nacionais de 1959 e 1988, e o Vitória venceu duas Copas do Nordeste sobre o maior rival, além de disputar a final do Brasileiro de 1993. Porém, a tradicional arena de Salvador foi condenada em 2007, um pedaço da arquibancada superior cedeu e sete pessoas morreram no desabamento. O novo estádio manteve o nome, uma homenagem ao governador da Bahia na época da inauguração do original. Como palco da Copa do Mundo recebeu seis jogos e o apelido de “Fonte dos Gols”, pelos placares elásticos que presenciou. Antes do torneio, em 2013, a Fonte teve uma inauguração movimentada. O evento deveria servir de teste para a caxirola, espécie de chocalho inventado pelo músico Carlinhos Brown para ser o instrumento oficial da Copa. Todos os torcedores receberam uma. O Vitória goleou o Bahia por 5-1 em clássico válido pela 4ª rodada do estadual, e a torcida tricolor, descontente com o time, atirou as caxirolas nos jogadores em protesto. Dali para frente o instrumento foi banido. Em 2016, alguns jogos de futebol das Olimpíadas do Rio de Janeiro terão lugar na Fonte.

10. Albertão (Teresina, PI) – 52.296

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NOME OFICIAL
Estádio Governador Alberto Silva
PROPRIETÁRIO
Governo do Piauí
INAUGURAÇÃO
25.08.1973 – Tiradentes 0-0 Fluminense, Campeonato Brasileiro
PRIMEIRO GOL
Dirceu Lopes, Cruzeiro (29.08, Tiradentes 1-1 Cruzeiro)

Nossa lista de maiores estádios brasileiros verá agora duas excentricidades, a começar pelo Albertão, localizado em Teresina. Foi erguido na gestão do governador Alberto Silva, cujo nome também batiza a obra, para a estreia do futebol piauiense no cenário nacional. O protagonista era o Tiradentes, tricampeão estadual nos anos 70, que estreou no Campeonato Brasileiro em 1973. O jogo inaugural do estádio terminou num anticlimático 0-0 com o Fluminense, mas foi marcado pelo acidente que matou cinco pessoas: uma grade de segurança que separava as gerais do fosso ao redor do campo quebrou, derrubando parte da multidão que se aglomerava no setor. Em 2013, mesmo sem chance alguma de ser escolhido como sede da Copa do Mundo, passou por uma reforma de cerca de R$ 30 milhões para modernização e ampliação. A foto acima, aliás, é da face antiga do Albertão – não é fácil achar fotos novas de boa qualidade que mostrem o estádio inteiro do alto. O aporte multimilionário não foi suficiente para deixar a arena em perfeitas condições, e o governo do Piauí já prepara uma nova fase de reparos emergenciais para corrigir defeitos primários nas estruturas.

9. Parque do Sabiá (Uberlândia, MG) – 53.350

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NOME OFICIAL
Estádio Municipal João Havelange
PROPRIETÁRIO
Prefeitura de Uberlândia
INAUGURAÇÃO
27.05.1982 – Brasil 7-0 Irlanda, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Falcão, Brasil

O segunde peixe fora d’água vem do Triângulo Mineiro, mais especificamente de Uberlândia. É também a única arena da nossa lista que não fica em uma capital. O Parque do Sabiá, mesmo nome de uma famoso parque ecológico da cidade, tem a distinção de ser o último estádio a receber a seleção brasileira de Telê Santana, Zico, Falcão e Sócrates antes da estreia na Copa do Mundo de 1982. O time inaugurou o campo em seu último amistoso de preparação para o mundial, e fez bonito, goleando categoricamente a Irlanda. Pouco depois o estádio foi palco do título nacional da segunda divisão do Uberlândia Esporte Clube – que desde então não chegou nem perto de glória semelhante e hoje mal se mantém na elite de Minas Gerais. O Parque do Sabiá, porém, continua firme e forte em seu gigantismo. Recebeu o Sul-Americano de Futebol Feminino de 1995 e foi uma das casas temporária do Cruzeiro durante as reformas no Mineirão para a Copa do Mundo de 2014. Em 95, por sugestão do vereador Leonídio Bouças, o estádio mudou de nome oficial para João Havelange – a população local, não muito contente, ainda prefere usar a nomenclatura original.

8. Beira-Rio (Porto Alegre, RS) – 56.000

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NOME OFICIAL
Estádio José Pinheiro Borda
PROPRIETÁRIO
Sport Club Internacional
INAUGURAÇÃO
06.04.1969 – Internacional 2-1 Benfica, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Claudiomiro, Internacional

Voltamos à nossa programação normal, com estádios de times relevantes em cidades futebolisticamente importantes. O Beira-Rio, casa do Internacional, nasceu como um revide. O Colorado originalmente mandava seus jogos no acanhado Estádio dos Eucaliptos. Nos anos 60, viu o megarrival Grêmio erguer o seu Olímpico e vencer 12 dos 13 estaduais subsequentes. O Inter encheu-se de brios, arranjou um terreno às margens do Guaíba (que não é um rio, e sim um enorme e comprido lago, mas os porto-alegrenses não gostam de ser lembrados disso) e construiu seu novo estádio. Batizado oficialmente em homenagem ao engenheiro português que comandou as obras e morreu pouco antes da inauguração, o novo lar logo recebeu a alcunha de Gigante da Beira-Rio, tão pomposa quanto o nome da (então) arena do seu coirmão. O efeito foi imediato: o Inter foi octacampeão gaúcho a partir do momento em que teve o Beira-Rio (batendo o recorde gremista de sete títulos consecutivos) e venceu três Brasileiros nos anos 70. Anos depois, conquistou suas duas Libertadores jogando as partidas decisivas no estádio. O Beira-Rio recebeu cinco jogos da Copa do Mundo de 2014 e fez história ao ser o primeiro palco do uso decisivo da novíssima tecnologia de linha do gol da FIFA: o primeiro gol da França na vitória por 3-0 sobre Honduras, na fase de grupos, só foi sacramentado com a ajuda eletrônica, que fazia sua estreia em competições oficiais.

7. Arena do Grêmio (Porto Alegre, RS) – 56.500

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NOME OFICIAL
Arena do Grêmio
PROPRIETÁRIO
Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense
INAUGURAÇÃO
08.12.2012 – Grêmio 2-1 Hamburgo, Amistoso
PRIMEIRO GOL
André Lima, Grêmio

Se a diferença de capacidade entre o Beira-Rio e a novíssima Arena do Grêmio (cerca de 500 cabeças) parece pequena, é porque é mesmo, e de propósito. Só a maior rivalidade do futebol brasileiro é capaz de motivar um clube a construir um estádio minuciosamente calculado para ser o mínimo possível maior do que o de seu arquirrival, só de sacanagem. Deus abençoe o Gre-Nal. Mas divago. A Arena transportou o Grêmio de sua tradicional sede no bairro da Azenha para os limites de Porto Alegre, onde haveria mais espaço para a construção de um estádio de maiores dimensões. Além da perda do histórico Olímpico (que ainda está de pé, mas inativo), os gremistas certamente lamentaram a falta de espaço na nova casa para realizar a “avalanche”, tradicional comemoração tricolor em que os torcedores descem correndo as arquibancadas em grupo, criando um magnífico efeito visual – e um risco de pisoteamento. Numa das primeiras avalanches, em janeiro de 2013, um pedaço de alambrado cedeu com o peso da massa que se acumulava na frente, derrubando torcedores no campo. Não houve feridos graves, mas o clube decidiu acrescentar cadeiras ao setor, efetivamente impedindo a prática. A inauguração do estádio, um grande evento até com apresentação do grupo americano Blue Man Group, foi uma reedição da final do Mundial Interclubes de 1983, vencido pelo Grêmio, e o placar foi até igual. A Arena é o maior estádio do Sul do Brasil.

6. Arruda (Recife, PE) – 60.044

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NOME OFICIAL
Estádio José do Rego Maciel
PROPRIETÁRIO
Santa Cruz Futebol Clube
INAUGURAÇÃO
04.06.1972 – Santa Cruz 0-0 Flamengo, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Betinho, Santa Cruz (07.06, Santa Cruz 1-0 Seleção Brasileira Olímpica)

Não é por acaso que o estádio do Santa Cruz leva o apelido de “Mundão do Arruda”. O local já chegou a abrigar mais de 100 mil torcedores, e hoje, mesmo com a capacidade reduzida, ajuda a manter o Santinha como constante recordista de média de público no futebol brasileiro. O nome oficial da arena homenageia o ex-prefeito do Recife (e pai do ex-vice-presidente da República Marco Maciel) que facilitou a obtenção do terreno para o Santa Cruz, ainda na década de 50. Já o nome popular é o mesmo do bairro onde o campo se localiza. O processo de construção foi arrastado e difícil, durou quase 20 anos e contou muito com a ajuda dos torcedores, que se mobilizaram para doar materiais e até mesmo trabalhar nas obras de graça. Depois de todo o esforço, os fieis seguidores corais foram recompensados com um jogo inaugural sem gols, num amistoso contra o Flamengo. Foi preciso arranjar outra partida, contra a seleção olímpica de Falcão, para ver o primeiro gol – felizmente, de um atleta da casa. O Arruda foi um dos palcos da Copa América de 1989, mas não integrou a lista de sedes da Copa do Mundo de 2014. A organização do mundial preferiu construir, com muito dinheiro público, uma nova arena na capital pernambucana a usar o segundo maior estádio particular do país, já pronto.

5. Mineirão (Belo Horizonte, MG) – 61.846

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NOME OFICIAL
Estádio Governador Magalhães Pinto
PROPRIETÁRIO
Governo de Minas Gerais
INAUGURAÇÃO
05.09.1965 – Seleção Mineira 2-1 River Plate, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Buglê, Seleção Mineira

O local é de más lembranças para o futebol brasileiro depois da Copa de 2014, desnecessário explicar o porquê, mas o Mineirão tem uma formidável história que o 7-1 não pode derrubar. A trajetória do futebol de Minas Gerais é dividido entre antes e depois do estádio. Não é modo de dizer. Os campeonatos estaduais realizados a partir da inauguração compõem aquilo que os estudiosos chamam de “Era Mineirão”. Cruzeiro e Atlético Mineiro viveram bons anos no início da vida da arena: a Raposa levou uma Taça Brasil de forma invicta em 1966 e uma Libertadores em 1976, enquanto o Galo foi campeão brasileiro em 1971 e vice em 1977, isso sem contar os estaduais. A rivalidade entre Cruzeiro e Atlético é provavelmente uma das maiores do mundo a ser contestada no mesmo estádio (ou seja, sem que cada clube tenha uma casa diferente), e os maiores jogadores de cada clube, respectivamente Tostão e Reinaldo, são os reis de gols do Mineirão. Em 2014, já depois da Copa, foi realizada lá a final da Copa do Brasil entre os arquirrivais mineiros, um dos grandes momentos do clássico. Vale uma curiosidade: os dois gols inaugurais do estádio forma marcados por jogadores do Atlético, mas nenhum valeu para o Atlético. Na primeira partida, o meia atleticano Buglê estreou as redes, mas ele atuava naquele dia pela seleção mineira. Na reabertura após as reformas para a Copa do Mundo, o lateral-direito Marcos Rocha, do Galo, fez contra e ajudou – logo quem – o Cruzeiro. O Mineirão recebeu seis jogos do mundial, incluindo uma semifinal, aquela mesmo. Receberá partidas de futebol nas Olimpíadas de 2016.

4. Castelão (Fortaleza, CE) – 63.903

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NOME OFICIAL
Estádio Governador Plácido Castelo
PROPRIETÁRIO
Governo do Ceará
INAUGURAÇÃO
11.11.1973 – Ceará 0-0 Fortaleza, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Erandy, Ceará (18.11, Ceará 1-0 Vitória)

O maior estádio do Nordeste do Brasil é cearense. O Castelão foi também a única sede nordestina da Copa do Mundo de 2014 a receber a seleção brasileira, o que fez por duas vezes, e ainda viu mais três jogos da competição. É o palco histórico do Clássico-Rei, a rivalidade entre Ceará e Fortaleza, que polariza o estado. Bote polarização nisso: dos dez maiores públicos do Castelão em todos os tempos, cada clube foi responsável por cinco. Assim como o Arruda, o Castelão também teve que esperar/organizar uma segunda partida para ver seu gol de estreia, já que o amistoso inaugural, justamente entre os grandes rivais da capital, terminou zerado. Batizado em homenagem a um governador, prática muito comum, o estádio foi erguido durante o frenesi de construção de grandes arenas esportivas que se seguiu à conquista do tricampeonato mundial pela seleção brasileira. Ele tem um homônimo menos famosos: o Castelão de São Luís (MA), que figuraria nesta lista há alguns anos. O Castelão (original) foi local também de um encontro entre o Papa João Paulo II e o músico Luiz Gonzaga, em 1980, quando o pontífice, visitando o Brasil pela primeira vez, participou do Congresso Eucarístico Nacional em Fortaleza e foi homenageado pelo Rei do Baião.

3. Morumbi (São Paulo, SP) – 66.795

morumbi

NOME OFICIAL
Estádio Cícero Pompeu de Toledo
PROPRIETÁRIO
São Paulo Futebol Clube
INAUGURAÇÃO
02.10.1960 – São Paulo 1-0 Sporting, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Peixinho, São Paulo

O São Paulo tem duas datas de fundação, então seria bastante apropriado que o seu estádio também fosse inaugurado duas vezes. Essa curiosidade marca o Morumbi, o maior estádio particular do Brasil. A construção de sua arena custou caro ao Tricolor, que passou por uma longa seca de títulos enquanto dedicava recursos à obra. Em 1960, com o estádio só meio pronto, realizou-se a inauguração referida acima, contra o Sporting de Lisboa. Mas os trabalhos só foram concluídos dez anos depois, e fez-se outro jogo, contra o também português Porto. Sorte do São Paulo que a primeira impressão é que vale e a inauguração considerada oficial é a primeira, porque o time venceu o jogo e conseguiu anotar o primeiro gol – contra o Porto, foi empate e os lusitanos abriram o placar. O Morumbi valorizou o bairro de mesmo nome, que, se hoje é um dos mais nobres da cidade de São Paulo, antes do estádio era uma região esquecida. Batizado em homenagem ao presidente do clube que comandou o início da construção (e morreu sem ver a obra pronta), o Morumbi recebeu por muito tempo os grandes jogos do futebol paulista, mesmo os que não envolviam o São Paulo. O maior público, por exemplo, foi na final do Paulista de 1977, entre Corinthians e Ponte Preta. No entanto, os maiores momentos vividos lá foram mesmo protagonizados pelos donos da casa: duas das três Libertadores são-paulinas foram sacramentadas no gramado do Morumbi.

2. Mané Garrincha (Brasília, DF) – 72.288

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NOME OFICIAL
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
PROPRIETÁRIO
Governo do Distrito Federal
INAUGURAÇÃO
18.05.2013 – Brasília 0-3 Brasiliense, Campeonato Brasiliense
PRIMEIRO GOL
Bocão, Brasiliense

Assim como a Fonte Nova, o Mané Garrincha também aparece aqui em sua nova versão, depois de ter sido posto abaixo para receber a Copa do Mundo. Inaugurado em 1974, o primeiro Mané só foi receber o nome de um dos maiores jogadores da história do futebol depois que o próprio Garrincha esteve no Distrito Federal, já em fim de carreira, para disputar um amistoso – em outro estádio, ressalte-se. Inicialmente a personalidade que dava nome à arena da capital era o ex-governador Hélio Prates. Ao refazê-lo para a Copa, o governo local esteve a ponto de erradicar a homenagem ao ponta-direita, rebatizando a obra apenas de Estádio Nacional, mas a pressão popular conseguiu garantir a manutenção do nome histórico. O Mané Garrincha foi o estádio mais caro de toda a Copa do Mundo, com custos totais girando em volta de R$ 1 bilhão, inteiramente em dinheiro público. Para uma cidade que não tem representante sequer na segunda divisão nacional desde 2010 é um exagero injustificável. Entretanto, grandes times nacionais têm cultivado o hábito de mandar algumas partidas em Brasília, o que traz alguma atividade futebolística relevante ao estádio. No mundial foram sete partidas recebidas, incluindo duas do Brasil. A abertura da Copa das Confederações de 2013 também se realizou no Mané Garrincha, e alguns jogos de futebol das Olimpíadas de 2016 terão lugar lá. Além de ser o segundo maior estádio brasileiro, é o maior das regiões Centro-Oeste e Norte.

1. Maracanã (Rio de Janeiro, RJ) – 78.838

maracana

NOME OFICIAL
Estádio Jornalista Mário Filho
PROPRIETÁRIO
Governo do Rio de Janeiro
INAUGURAÇÃO
16.06.1950 – Seleção Carioca 1-3 Seleção Paulista, Amistoso
PRIMEIRO GOL
Didi, Seleção Carioca

E chegamos a ele, o maior de todos. E por muitos anos foi mesmo. A capacidade total do Maracanã um dia chegou a espantosos 120.000 espectadores, colocando-o como maior palco para futebol do planeta, mas sucessivas reformas foram minando o tamanho do estádio, substituindo a lendária geral por cadeiras, e o honroso posto teve que ser abandonado. Segundo quem se habituou aos anos gloriosos do estádio, nem o charme sobrou. As lembranças, porém, não são poucas. O Maracanã foi megalomaniacamente construído para abrigar a Copa do Mundo de 1950 e, implicitamente, para abrigar o primeiro título mundial do Brasil. O público da final (contabilizadas todas as pessoas dentro do estádio, não apenas nas arquibancadas) foi inacreditável: 200.000 pessoas. Todas saíram decepcionadas com a queda diante do Uruguai. Poderia aquele monumento superar tão doloroso debute? Poderia, ah se poderia. O Maracanã tornou-se um personagem próprio da história do nosso futebol, palco de craques, esquadrões, decisões épicas e momentos inesquecíveis. Imortalizou o histórico Mário Filho, principal jornalista esportivo do Brasil e quem mais advogou pela construção de um estádio faraônico no Rio de Janeiro, um sujeito tão grande que, segundo seu irmão Nelson Rodrigues, merecia ser enterrado no Maracanã. Foi-o simbolicamente, emprestando seu nome depois da morte. O Maracanã tornou-se em 2014 apenas o segundo estádio do mundo a receber duas finais de Copa, e hospedará as Olimpíadas de 2016. Já recebeu Copa América, Copa das Confederações, Jogos Pan-Americanos. Toda essa história começou com um gigante: Didi, um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, que fez o primeiro gol do estádio ainda como juvenil. Lá foi a casa de Garrincha, Pelé (o Santos mandou jogos oficiais no local), Gérson, Rivellino, Roberto Dinamite, Zico, Romário. Quem chega às portas do estádio é recebido por uma estátua do zagueiro e capitão Bellini erguendo para sempre a Taça Jules Rimet. É, inquestionavelmente, um lugar de mitos. E o maior, em todos os sentidos, estádio do Brasil.

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