Os 11 maiores estádios do mundo

Minha última lista foi sobre os maiores estádios do Brasil (aqui), e vimos como o Maracanã está tão à frente dos demais que mesmo sendo redimensionado continuará na frente como maior arena de futebol do país. Nosso colosso já foi o maior do planeta também. Foi inaugurado assim, e por muitos anos comportou públicos massivos, multidões imensuráveis. Isso mudou. Reformas sucessivas reduziram o Maraca, e hoje ele caiu fora da relação de maiores estádios do mundo.

E quem são esses que superaram o Maracanã? Quais são, afinal, os maiores estádios de futebol do mundo? Aqui está a resposta.

11 ANZ (Sydney, Austrália) – 83.500
Pelo nome atual pode ser que fique difícil identificar o local, mas este é o estádio olímpico de Sydney, construído para os Jogos de 2000. A nomenclatura oficial desde 2008 deve-se a um acordo com o banco ANZ, mas o estádio continua popularmente conhecido como Stadium Australia, seu nome de batismo. Nasceu como o maior estádio olímpico do mundo, com capacidade para 110.000 espectadores, mas passou por obras de redução com o tempo. É o maior da Oceania. Abriga até mais jogos de rúgbi e futebol australiano do que de futebol propriamente (a seleção australiana joga lá de vez em quando, e o Sydney FC já fez uso das instalações algumas poucas vezes), mas o suficiente para entrar na lista. Como sede da final do futebol na Olimpíada de Sydney foi um dos primeiros palcos em que se apresentou a Espanha campeã mundial – ou quase isso: o time espanhol medalha de prata tinha Xavi, Carles Puyol, Carlos Marchena e Joan Capdevila. O ouro foi para o time de Camarões, que tinha Samuel Eto’o.

10 BORG EL ARAB (Alexandria, Egito) – 86.000
É um estádio muito novo, inaugurado em 2007. Fica localizado no distrito turístico e industrial de mesmo nome próximo a Alexandria e destaca-se pelo fato de estar postado bem no meio do deserto. É tremendamente sub-utilizado: a casa da seleção egípcia é o Estádio Internacional de Cairo, e, pelo fato de o Borg El Arab ser gerido pela federação local, nenhum time o utiliza. O estádio foi inaugurado no Mundial Sub-20 de 2009, do qual foi uma das sedes, mas recebeu apenas um mísero jogo: a abertura, entre Egito e Trinidad e Tobago. E calma, que as bizarrices estão só começando.

9 BUNG KARNO (Jacarta, Indonésia) – 88.306
Pois é. Um dos maiores estádios de futebol do mundo fica na Indonésia. O Bung Karno tem esse nome em homenagem a Sukarno, primeiro presidente da Indonésia, que iniciou sua construção. Fica dentro de um complexo poliesportivo que também conta com piscinas e quadras de tênis. Teve seu nome alterado para Senayan durante a gestão de Suharto, sucessor de Sukarno no governo do país, mas a mudança foi revertida. Foi erguido no início dos anos 60 e finalizado em 1962, ano em que recebeu os Jogos Asiáticos. De lá para cá foram várias outras competições internacionais: edições dos Jogos do Sudeste Asiático, do Campeonato do Sudeste Asiático e da Copa da Ásia.

8 WEMBLEY (Londres, Inglaterra) – 90.000
Dispensa maiores apresentações. Muitos estádios são palcos históricos do futebol mundial, mas apenas um pode receber o título de santuário, e esse é Wembley. Claro, o Wembley de hoje, que entra nesta lista, não é o mesmo das lendas. Para quem não sabe, o Wembley original foi demolido em 2003 e, no mesmo lugar, foi construída uma versão modernizada, que abriu os portões em 2007. Não importa. A história ficou. Wembley viu o futebol amadurecer, recebeu de braços abertos incontáveis esquadrões de clubes britânicos que lá jogaram e até hoje recebe a final da mais antiga competição do esporte, a FA Cup (além de outros torneios menores). Sediou a Copa de 1966 e abrigou o único título mundial dos inventores do futebol. Recebeu a Olimpíada de 1948, a Eurocopa de 1996, várias finais continentais e o concerto Live Aid, em 1985. Remodelado, será a sede do futebol nas Olimpíadas de Londres. Certamente essa medalha de ouro terá um gosto a mais para a seleção vencedora.

7 SOCCER CITY (Joanesburgo, África do Sul) – 95.000
Esse não tem como não lembrar. Na Copa de 2010 só deu Soccer City, palco de três dos mais marcantes jogos: abertura, com empate entre África do Sul e México; final, com título inédito da Espanha sobre a Holanda; e a quarta-de-final entre Uruguai e Gana que teve a mão de Luis Suárez e o pênalti perdido de Asamoah Gyan no último milissegundo. Mas o estádio já tinha uma grande história antes do mundial. Construído em 1989 e desde sempre um monumento do marcante bairro de Soweto, foi onde Nelson Mandela deu seu primeiro discurso após ser libertado da prisão, em 1990, e recebeu em 1993 o funeral do ativista Chris Hani, líder do Partido Comunista Sul-Africano e combativo opositor do apartheid. Uma curiosidade: o nome oficial do Soccer City é FNB Stadium, devido a um acordo com o principal banco da África do Sul, mas a FIFA não permite que estádios-sede de Copas tenham nomes de empresas. O nome Soccer City foi um apelido criado para contornar isso, e acabou pegando. É o maior estádio da África.

6 CAMP NOU (Barcelona, Espanha) – 99.354
A casa do Barcelona é o maior estádio da Europa e a segunda maior arena particular do mundo (mas a maior pertencente a um clube; calma, já chego lá). Tinha que ser com o Barcelona. O Camp Nou foi erguido na segunda metade dos anos 50 (inaugurado em 1957) como substituto do Les Corts, primeiro campo do Barça e impossibilitado de se expandir devido a limitações físicas da região onde se localizava. O nome oficial do estádio por muitos anos foi Estadi del FC Barcelona, mas a torcida sempre se referiu a ele carinhosamente como Camp Nou – “campo novo” em catalão. O informal virou formal em 2000, com a adoção definitiva da alcunha. Muito mais adequado, convenhamos. O Camp Nou foi palco da Copa de 1982, da Olimpíada de 1992 e de várias finais de Copas Europeias e Ligas dos Campeões.

5 AZADI (Teerã, Irã) – 100.000
Enfim chegamos aos seis dígitos. A partir daqui só estádios com 100.000 lugares ou mais, como é o caso do Azadi, o estádio nacional do Irã. Ele foi construído em 1974 como parte de um complexo poliesportivo destinado a receber os Jogos da Ásia. Desde então é a casa da seleção iraniana e, diferente da maioria dos estádios públicos desta lista, recebe constantemente partidas de clubes. Persepolis e Esteghlal, rivais de Teerã, mandam jogos no Azadi. É comum o estádio sofrer com episódios de superlotação. Um deles, em 2005, foi especialmente grave: em um confronto entre Irã e Japão, pelas eliminatórias asiáticas para a Copa de 2006, sete pessoas morreram. O Azadi inaugura não só o nosso top 5, mas também um pequeno desfile de excentricidades: quatro dos cinco maiores estádios do mundo estão na Ásia.

4 BUKIT JALIL (Kuala Lumpur, Malásia) – 100.200
Isso mesmo, Malásia. Veja você. É um espanto, mas o pior é que tem motivo. Em 1998 a Malásia tornou-se o primeiro país asiático a sediar os Jogos da Commonwealth (a competição esportiva da Comunidade das Nações, que é a união de países que, um dia, foram colônias britânicas). Para celebrar a marca, projetou-se e levantou-se uma gigantesca arena em Kuala Lumpur: o Bukit Jalil. A capacidade do estádio é variável e pode gerar controvérsia quanto à classificação na lista. O número oficial aponta 87.411, mas isso com assentos para todos. A marca indicada acima, 100.200, é atingida quando o público pode ficar de pé. Preferi me guiar pela possibilidade maior. Caso minha escolha tivesse sido pela outra, o Bukit Jalil entraria em 9º lugar. Ou seja, é um gigante de qualquer forma. Outras competições importantes que o estádio já sediou foram os Jogos do Sudeste Asiático de 2001 e a Copa da Ásia de 2007. Chelsea e Manchester United já jogaram por lá em turnês de pré-temporada.

3 AZTECA (Cidade do México, México) – 105.000
Outro que tem muita história. O Azteca é o maior estádio das Américas e maior estádio particular do mundo – só que não pertence a um time. A dona do Azteca é a Televisa, uma das maiores empresas de comunicações do planeta. A companhia já permitiu que o campo fosse usado por diversos times mexicanos (Necaxa, Atlante, Pumas, Atlético Español, Cruz Azul), e o atual mandante dos jogos por lá é o América. O Azteca abriu em 1966, e seu propósito inicial era abrigar a Olimpíada de 1968. Acabou abrigando muito mais. Basta dizer que Pelé e Maradona brilharam no gramado do Azteca em Copas do Mundo, o Rei como regente do brilhante esquadrão brasileiro que venceu o tri em 1970 e o Pibe como astro maior da seleção argentina que levou o bi em 1986. Foi o Azteca que presenciou, na mesma partida, a Mão de Deus e o Gol do Século – ambos cortesia de Maradona. É o único estádio da história a receber duas finais de mundiais (será igualado pelo Maracanã em 2014). As arquibancadas do Azteca com certeza já viram muita coisa.

2 SALTLAKE (Calcutá, Índia) – 120.000
Depois da breve intromissão de um estádio significativo, retomamos a parada de arenas imensas localizadas em países asiáticos. É a vez da Índia e seu Saltlake Stadium. A única grande competição do estádio foram os Jogos do Sul Asiático de 1987 (três anos após a construção), mas ninguém pode acusar o governo do estado de Bengala Ocidental, dono da instalação, de mão-fechada: atualmente três times da primeira divisão indiana adotam o Saltlake como casa, entre eles Mohun Bagan e East Bengal, rivais de Calcutá, que disputam seus dérbis por lá. O nome oficial do estádio é Yuva Bharati Krirangan – traduzindo, “estádio da juventude indiana”. Foi lá, estranhamente, que o goleiro alemão Oliver Kahn encerrou sua carreira profissional, num amistoso entre seu Bayern de Munique e o Mohun Bagan.

1 RUNGRADO MAY DAY (Pyongyang, Coréia do Norte) – 150.000
Então. Chegamos finalmente à Coréia do Norte, lar do maior estádio de futebol do mundo. É. Deu pra reparar por esta lista que a tendência é erguer enormes estádios em ocasião de grandes eventos esportivos realizados em países que raramente os recebem. O governo norte-coreano preferiu não esperar essa oportunidade minimamente conveniente e ergueu um leviatã de concreto em homenagem a Kim Il-Sung, falecido pai do atual ditador Kim Jong-Il e “eterno presidente” da Coréia do Norte – quando ele ainda era vivo, diga-se. Durma-se com um barulho desses. O nome do estádio é uma homenagem ao 1º de maio, Dia do Trabalhador, e remete também à ilha de Rungra, no rio Taedong, que é onde se localiza o estádio. Perceba você que Pyongyang tem pelo menos outros dois estádios para jogos de futebol, e a seleção norte-coreana jogou neles durante as eliminatórias da Copa de 2010, por exemplo. O Rungrado May Day recebe partidas do esporte bretão de forma bastante esparsa, portanto, mas recebe. A função principal da arena é sediar o Festival Arirang, uma pomposa exibição de artes e ginástica que dura dois dias e comemora, surpresa!, o aniversário de Kim Il-Sung.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s