Os 11 maiores jogadores da Holanda em Copas do Mundo

Certo, eles nunca venceram o prêmio máximo, mas, verdade seja dita, encantaram mais do que alguns que venceram. Estes 11 em particular: os maiores holandeses em Copas.

11 EDGAR DAVIDS (1998)
Jogos: 6
Gols: 1
Dono de um dos looks mais reconhecíveis do futebol mundial, Edgar Davids desfilou suas tranças e seus óculos nos gramados franceses em 1998 para ajudar a seleção holandesa a alcançar as semifinais, naquela que foi a melhor performance do país em mundiais durante mais de 30 anos após a geração da Laranja Mecânica. O futebol holandês ficou conhecido pela ofensividade, mas, para isso ser possível em ’98, era preciso ter alguém cuidando da retaguarda. Davids foi esse cara. Melhor volante daquela Copa, ele foi responsável por bater a carteira de adversários em campo, trabalho que realizou com perfeição. Até se arriscou na frente, e foi fundamental nesse quesito nas oitavas-de-final, quando marcou o gol da vitória sobre a Iugoslávia no fim do jogo. Sua carreira em Copas do Mundo, porém, acabou abruptamente, já que a Oranje surpreendentemente não se classificou para o torneio do Japão e da Coréia do Sul em 2002 e, em 2006, performances irregulares custaram sua vaga no elenco. Davids, hoje perto dos 40 anos, ainda está por aí, de forma meio confusa: depois de deixar o Ajax em 2008 e tentar novos contratos sem sucesso, assinou com o Crystal Palace, onde passou o ano de 2010. Deixou o time inglês, mas não se aposentou oficialmente.


10 ARJEN ROBBEN (2006 / 2010)
Jogos: 8
Gols: 3
Rápido, habilidoso, letal com a perna esquerda, mas infernizado por contusões. Robben foi um garoto-prodígio do futebol holandês no início de carreira, tendo jogado por Chelsea e Real Madrid antes dos 24 anos. Apesar das oscilações da carreira, principalmente devido a constantes problemas físicos, em um aspecto o atacante apresenta incrível regularidade: Copas do Mundo. Estreou em 2006, foi o melhor em campo em dois dos três jogos que disputou e marcou o gol da vitória contra Sérvia e Montenegro, sendo um dos destaques (senão o único) do time que foi despachado nas oitavas-de-final. Chegou ao torneio de 2010 – surpresa! – machucado, e perdeu as duas primeiras partidas, mas a trajetória foi muito mais bem-sucedida. Logo em seu retorno, no fim da fase de grupos, participou de uma jogada de gol. Conseguiu fazer o burocrático time da Holanda subir de nível na competição, e teve participações fundamentais no mata-mata: marcou contra a Eslováquia, provocou uma expulsão contra o Brasil, brilhou contra o Uruguai. Deixou a desejar justamente na final, contra a Espanha, assim como o resto do time, mas foi um dos destaques de uma grande campanha.


9 FRANK DE BOER (1994 / 1998)
Jogos: 11
Gols: 0
Nos tempos de Laranja Mecânica, a Holanda tinha um par de gêmeos no elenco: René e Willy van de Kerkhof, respectivamente atacante e meia. Coincidentemente ou não, a próxima geração de sucesso do futebol holandês também apresentou gêmeos no time. Frank de Boer comandava a defesa e seu mano Ronald compunha o meio-campo. Os dois têm currículos de sucesso para mostrar, mas Frank esteve um degrau acima. Atualmente técnico do Ajax, que defendeu por 10 anos enquanto jogador, Frank de Boer foi um zagueiro inestimável para a Holanda em duas Copas do Mundo. Não só pela segurança na retaguarda. Uma característica demonstrada pelo beque em momentos importantes de mundiais foi o talento nos lançamentos longos. Apesar de não ter marcado gols em suas Copas, contribuiu diretamente para alguns, principalmente em 1998 – ano em que capitaneou o time. Seu alvo preferido era Dennis Bergkamp, que marcou duas vezes no mata-mata graças a bolas alçadas por Frank – uma delas foi o famoso gol contra a Argentina nas quartas-de-final, que rendeu a classificação no último minuto. A participação em mundiais terminou por aí, mas a carreira na seleção seguiu por mais seis anos, até uma contusão forçar sua aposentadoria internacional. Frank de Boer é o segundo jogador com mais partidas pela Holanda na história.


8 ARIE HAAN (1974 / 1978)
Jogos: 13
Gols: 2
E aqui começa o rol dos atletas da célebre Laranja Mecânica, a seleção holandesa dos anos 70 que promoveu uma das maiores revoluções táticas do futebol em todos os tempos, desenvolveu um estilo de jogo único e fascinante batizado de “Futebol Total” e bateu na trave duas vezes nas Copas do Mundo que disputou. Foram dois vices consecutivos, em 1974 e 1978. Arie Haan esteve nas duas ocasiões. Zagueiro do tipo que sabia como lidar com a bola, foi peça-chave do esquema defensivo da Laranja. Em 1974 compôs a retaguarda que sofreu apenas 3 gols nos 7 jogos, jogando no miolo de zaga. Em 1978 foi deslocado para o meio-campo, abrindo espaço para Ruud Krol jogar como líbero. Com essa nova possibilidade, Haan mostrou serviço: marcou dois golaços na segunda fase do mundial, que tiveram de decisivos o mesmo que tiveram de impressionantes. Primeiro contra a Alemanha, em revanche da final de quatro anos antes: com o adversário na frente, o jogador avançou com a bola e desferiu uma forte botinada de longe, acertando o canto direito. A partida terminou em 2-2. Já contra a Itália, na partida que decidia quem iria à final da Copa, Haan aumentou a dose: aos 30 do segundo tempo, jogo empatado, disparou um míssil a 30 metros de distância. A bola fez uma curva bizarra e ainda raspou a trave antes de entrar. Mesmo com essas participações fundamentais, o título escapou.

7 JOHNNY REP (1974 / 1978)
Jogos: 14
Gols: 7
Três jogadores dividem a marca de maior número de partidas pela Holanda em Copas, todos eles integrantes da Laranja Mecânica que atuaram em todos os jogos daquele timaço. O atacante Johnny Rep é um deles, e ainda conta com o bônus de ser o artilheiro máximo da Holanda na história da competição. Foram 4 gols em 1974 e outros 3 em 1978. Mesmo com os números parecidos pode-se dizer que sua melhor participação foi em ’74. Marcou duas vezes logo na estreia, contra o Uruguai, e contribuiu nas goleadas sobre Bulgária e Argentina. Não anotou gols decisivos naquela Copa, sina que manteve em ’78, quando seu colega Rob Rensenbrink se destacou mais. Mesmo assim Rep guardou três bolas nas redes, sendo duas em outra goleada holandesa, dessa vez sobre a Áustria. A parceria entre Rep e Rensenbrink, aliás, era das mais curiosas: não contyava com centroavante de ofício. Em ’74 os dois davam espaço para Johan Cruyff chegar de trás, cada um por um lado. Em ’78 Rep assumiu papel mais central na linha ofensiva, que ganhou a adição de René van de Kerkhof, mas não era essa sua principal característica.


6 RUUD KROL (1974 / 1978)
Jogos: 14
Gols: 1
Outro pilar da defesa holandesa durante os gloriosos anos 70, Ruud Krol foi um símbolo da Laranja Mecânica e disputou todas as partidas que colocaram seu país entre os maiores do futebol mundial, mesmo sem o título máximo. Em ’74 Krol atuava na lateral-esquerda – ou quase isso, já que a filosofia do “Futebol Total” ditava que os jogadores não guardassem posição fixa e fossem capazes de atacar tão bem quanto defendiam, independente de suas funções originais. Krol, além de ser um versátil defensor, sabia apoiar bem. Marcou nessa Copa um gol, na segunda fase. Em ’78, com a ausência de Johan Cruyff, Krol herdou a braçadeira de capitão e mudou de lugar em campo: passou a ser líbero. Como tal, foi reconhecido como um dos melhores jogadores de defesa do torneio, ajudando a conduzir a Holanda à segunda final consecutiva, onde perderam para a Argentina – justamente a seleção que sofrera o gol de Krol quatro anos antes. O jogador ainda atuaria pela Holanda mais cinco anos. Até hoje compartilha com alguns ex-colegas o número recorde de partidas pela Oranje em Copas.

5 ROB RENSENBRINK (1974 / 1978)
Jogos: 13
Gols: 6
Além de ser um dos grandes de seu país, Rensenbrink entrou para a história das Copas por um feito mais universal: foi o autor do milésimo gol dos mundiais. Aconteceu em 1978, quando converteu um pênalti contra a Escócia na primeira fase. Converter pênaltis era sua especialidade: de seus 6 gols em Copas, 4 foram a partir de cobranças de penalidade máxima. O ponta-esquerda, um dos poucos jogadores da Laranja Mecânica que não era proveniente do Ajax (jogava no Anderlecht) formou bela dupla ofensiva com Johnny Rep nos dois torneios que jogou. Em 1974 os holofotes brilharam mais sobre o parceiro, mas Rensenbrink ainda assim marcou um gol e foi destaque. Já ’78 foi um torneio mais seu. Vice-artilheiro com 5 gols, dono de um hat-trick e do gol 1000, deu enorme contribuição para impulsionar o time a mais uma decisão. Nas duas edições que disputou foi eleito para a equipe ideal do torneio. A grande infelicidade de sua carreira internacional veio na final de ’78. Com pouco tempo restando no relógio e o placar empatado em 1-1, Rensenbrink recebeu bola longa de Ruud Krol na área e arriscou o chute. A bola acertou a trave. Se tivesse marcado, seria campeão mundial e artilheiro da competição. Mas o jogo foi para a prorrogação e a Argentina levou a melhor.


4 JOHAN NEESKENS (1974 / 1978)
Jogos: 12
Gols: 5
De braço-direito a protagonista. Neeskens era, por assim dizer, o “segundo cérebro” do “Futebol Total” praticado pela Holanda em sua época, atrás apenas de Johan Cruyff. Seu colega e xará era o grande pensador da Laranja Mecânica, mas contava muito com a ajuda de Neeskens na armação e construção das jogadas e na condução do time – que necessitava de muita coordenação entre os jogadores para funcionar com precisão. A tabelinha entre os Johans fez muito sucesso na Copa da Alemanha, em 1974. Neeskens marcou todos os seus gols em mundiais lá e foi vice-artilheiro do torneio, além de um dos melhores meio-campistas. Abriu caminho para as vitórias sobre Bulgária, Alemanha Oriental e Brasil. Seu quinto gol veio na decisão contra os anfitriões, e quase foi o gol do título: com menos de dois minutos jogados, Cruyff foi derrubado na área. Neeskens, batedor oficial, chutou com confiança no meio do gol e colocou a Holanda em vantagem, mas a Alemanha conseguiu virar. Já em ’78, sem Cruyff, a Oranje tinha em Neeskens sua maior esperança de genialidade, mas o meia machucou-se na última partida da primeira fase. Voltou para tentar ajudar na final, mas não pôde ser o armador que se esperava. Menos mal que já havia guardado seu lugar entre os grandes craques holandeses.


3 WESLEY SNEIJDER (2006 / 2010)
Jogos: 11
Gols: 5
Na campanha classificatória para a Copa de 2010 a Holanda foi uma das seleções que mas se destacaram, e todos esperavam futebol bonito da parte holandesa durante o torneio. Qual não foi a surpresa quando o time laranja começou a apresentar um jogo pragmático, distante de suas raízes. Era, porém, eficiente, e graças a seu camisa 10: Wesley Sneijder, que vinha de uma temporada de sonha com a Internazionale após sair do Real Madrid pela porta dos fundos. O meia praticamente conduziu a equipe nas costas na fase de grupos, criando as principais jogadas que garantiram as vitórias. Então deslanchou ainda mais no mata-mata. Combinando armação inteligente, condução de jogo impecável e gols, tornou-se um dos craques da Copa e definitivamente o maior responsável por fazer a Holanda alcançar a final. Seu grande jogo foi contra o Brasil, nas quartas-de-final, em que marcou dois gols, mas não passou em branco nas oitavas e nem na semi. Vale dizer que foi muito beneficiado, na reta final, pela participação de Arjen Robben, que voltou de contusão para ser o principal parceiro de Sneijder nas ações ofensivas. Todo o time holandês caiu de produção no jogo decisivo contra a Espanha, e o título acabou escapando pela terceira vez. Isso não impediu que Sneijder, um dos artilheiros do mundial, fosse laureado como segundo melhor jogador – para muitos, o primeiro. Sò para não deixar de mencionar, ele já havia disputado a Copa de 2006.


2 DENNIS BERGKAMP (1994 / 1998)
Jogos: 12
Gols: 6
Se algum jogador holandês pôde ser considerado algum dia herdeiro de Johan Cruyff na seleção, certamente esse jogador foi Dennis Bergkamp. Em muitos aspectos o meia-atacante que até hoje provoca suspiros saudosos nos torcedores do Arsenal se assemelhava com o comandante da Laranja Mecânica de outrora: consciência tática, visão do jogo, capacidade de criar espaços do nada e talento. Muito talento. Bergkamp exibiu seus dotes em gramados americanos e franceses com a camisa laranja, e nunca teve uma função menor do que principal jogador do time, além de apresentar uma tendência a brilhar mais em partidas decisivas. Em 1994 decidiu o jogo final da fase de grupos contra Marrocos, abriu o placar nas oitavas contra a Irlanda e marocu uma vez contra o Brasil nas quartas-de-final, dando início à reação holandesa na partida – o Brasil acabou ganhando no fim das contas. Em 1998, foi responsável por um momento mágico na segunda fase. Depois de abrir caminho para a vitória sobre a Iugoslávia, nas oitavas, foi enfrentar a Argentina nas quartas. Armou o primeiro gol para Patrick Kluivert marcar e os argentinos empataram. No último minuto, pura habilidade. Bergkamp recebeu um lançamento de Frank de Boer de frente para Roberto Ayala. Com três toques de pé direito amorteceu a bola, colocou entre as pernas do zagueiro e mandou um chute dificílimo no ângulo, classificando a Holanda. Viria a perder na semi para o Brasil e terminar a Copa em 4º, como um dos melhores jogadores. Encerrou sua carreira internacional por um motivo prosaico: medo de avião. É o segundo maior artilheiro da história da Holanda.


1 JOHAN CRUYFF (1974)
Jogos: 7
Gols:
3
A lista deu várias indicações de quem seria o primeiro colocado, e não poderia ser diferente. Não dá pra falar de Holanda sem falar de “Futebol Total”, esses conceito não existiria sem Johan Cruyff. O longilíneo meia-atacante era capaz de ver um jogo de futebol de uma forma completamente distinta de todos os outros, e inspirar um time de forma que criava em torno de si um esquadrão de atletas capazes de explorar possibilidades que, para os oponentes, simplesmente não existiam. Isso é “Futebol Total”. Foi assim para Cruyff no Ajax, no Barcelona e na seleção holandesa, e é assim até hoje, com o velho ídolo transformado em um influente comentarista, obstinado em pregar um futebol mais ofensivo, colaborativo e baseado no talento. Cruyff disputou apenas uma Copa, mas foi o bastante. Aquela Holanda de 1974 assombrou espectadores e apavorou adversários, que não sabiam o que fazer diante de uma equipe que se espalhava e se recompunha como que por música. E Cruyff estava por todos os lados, supervisionando cada movimento. Na segunda fase a Holanda passou como um rolo compressor sobre Argentina, Alemanha Oriental e Brasil (então tricampeão), sem tomar conhecimento de nada. Cruyff marcou três vezes. Na final, uma sequência vertiginosa de passes nos primeiros segundos de jogo encontrou Cruyff na área, onde foi derrubado. Johan Neeskens bateu e a Holanda abriu o placar. Mas a Alemanha fez o que ninguém havia conseguido e jogou uma chave inglesa nas engrenagens da Laranja Mecânica. Cruyff foi duramente marcado por Berti Vogts e a Holanda foi vice-campeã. Cruyff não voltaria a um mundial, por causa da família: ela havia sido vítima de tentativa de sequestro um ano antes da Copa de 1978, e o jogador preferiu não arriscar.


Anúncios

2 comentários sobre “Os 11 maiores jogadores da Holanda em Copas do Mundo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s