Os 11 maiores jogadores da Argentina em Copas do Mundo

Os hermanos, bicampeões, recebem agora seu lugar ao sol. Eis os grandes nomes argentinos.

11 OSCAR RUGGERI (1986 / 1990 / 1994)
Jogos: 16
Gols: 1
Zagueiro que, no início da carreira, tomou a ousada decisão de trocar o Boca Juniors pelo River Plate, Ruggeri teve seu debute em Copa já sendo campeão e despediu-se delas como capitão da Argentina, em uma trajetória admirável pela seleção. Em 1986, compondo uma dupla segura com José Luis Brown, marcou um gol de cabeça na estreia e ajudou o time na conquista da taça. Em 1990 também era o dono da posição, mas jogou o torneio lesionado (perdeu duas partidas da fase de grupos). Mesmo assim não comprometeu em nada, manteve-se confiável e alcançou outra final, mas desta vez perdendo para a Alemanha. Chegou à edição de 1994 já tendo estabelecido um recorde de partidas de um jogador pela Argentina (hoje já superado por três atletas) e como vice-capitão. Atuou em todas as partidas e, nas duas últimas, usou a braçadeira – já que Diego Maradona havia sido afastado pelas acusações de doping. Na Copa da África do Sul, ano passado, chegou perto de ser nomeado assistente de Maradona, mas a indicação não saiu.


10 LEOPOLDO LUQUE (1978)
Jogos: 5
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4
Um talentoso atacante, que casava muito bem com a filosofia de futebol bem jogado adotada pelo técnico César Menotti. Luque foi lançado na seleção tardiamente, o que pode ser explicado pelo fato de ele não jogar em clubes de destaque até ser “garimpado” por Menotti para a seleção. Chegou à Copa como titular absoluto e foi fundamental na conquista, mesmo com os problemas que teve durante a disputa. Primeiro, uma contusão no braço esquerdo na partida contra a França (jogo em que marcou o gol da vitória, e, antes disso, havia feito outro fundamental contra a Hungria). Dias depois, recebeu a notícia da morte do irmão em um acidente de carro. Luque ficou fora de duas partidas se recuperando dos traumas físico e psicológico, mas não se furtou de entrar em ação novamente. Participou com dois gols da até hoje discutida goleada sobre o Peru, na segunda fase, que impulsionou a Argentina à decisão. Jogou também a final e amenizou a dor familiar com a taça. Seu drama ganhou a simpatia de todo o país e o transformou em símbolo da conquista.


9 GABRIEL BATISTUTA (1994 / 1998 / 2002)
Jogos: 12
Gols: 10
Batigol foi um dos grandes centroavantes do mundo nos anos 90, ídolo consagrado na Fiorentina e maior artilheiro da história da seleção argentina. Não surpreende que tenha se tornado também o principal goleador de seu país em mundiais, com marca próxima de um gol por partida. Entretanto, não foi campeão – na verdade, não chegou nem perto. Em 1994, formando um portentoso ataque com Diego Maradona e Claudio Caniggia, marcou um hat-trick contra a Grécia na estreia e mais uma vez na partida da eliminação, diante da Romênia, nas oitavas. O time sentiu a falta de Maradona e caiu cedo. 1998 foi o mais próximo que o atacante chegou de uma decisão: o time foi eliminado pela Holanda nas quartas com um gol no minuto final. Antes, Batistuta fizera outro hat-trick, sobre a Jamaica (é o único jogador a realizar a proeza em duas Copas diferentes), e o gol da vitória sobre o Japão. Ate aí tinha a desejada média de um tento por jogo. Mas naufragou em 2002 com o resto do time, numa campanha extremamente decepcionante. Apesar disso, fez mais um gol e consagrou-se como grande artilheiro argentino, conseguindo sobressair-se nas campanhas fracas de sua época.


8 SERGIO GOYCOCHEA (1990 / 1994)
Jogos: 6
Gols: -3
Para alguns apenas um sortudo, para outros um profissional que fez por merecer. O fato é que Goycochea ganhou de bandeja o cargo de titular numa Copa do Mundo e não deu bobeira, fazendo de 1990 um ano com seu nome escrito. Tudo começou no segundo jogo da Argentina, contra a União Soviética, quando Nery Pumpido se machucou e teve que entregar as luvas a seu reserva. Goycochea não era o arqueiro dos sonhos de ninguém: estabanado, propenso a largar bolas, em geral inseguro. Sua carta na manga era a fama de pegador de pênaltis. Ao longo do mundial superou as expectativas com a bola rolando, com boas defesas, e, principalmente, não decepcionou em sua especialidade. Foi o rei das decisões por pênaltis. Contra a Iugoslávia, nas quartas-de-final, pegou duas cobranças. Contra a Itália, na semi, mais duas. Nenhum outro goleiro na história das Copas bloqueou tantos chutes da marca de cal em uma só edição do torneio. O pênalti mais importante, porém, ele não pegou: acertou o canto da batida de Andreas Brehme na final, mas não alcançou a bola. faturou o vice-campeonato e o prêmio de melhor da posição. Esteve nos Estados Unidos em 1994, novamente no banco, mas não teve chances de jogar.


7 OSVALDO ARDILES (1978 / 1982)
Jogos: 11
Gols: 1
Foi o último regente do meio-campo argentino em mundiais antes de Diego Maradona. Ardiles, ou Ossie, como ficou conhecido pelos torcedores ingleses durante o período em que defendeu o Tottenham, foi um volante exemplar. Sua categoria e condução de jogo foram fundamentais na primeira conquista da Albiceleste, em casa. Representava muito bem a filosofia instituída pelo técnico César Menotti na seleção que montou: refinado e talentoso, atuava em time do interior do país e ficava fora do radar principal. Quando assumiu a posição, porém, tornou-se inquestionável. Em 1978 mostrou sua importância participando de tabelas e jogadas características de um futebol bem jogado que a era Menotti procurava apresentar. Empolgou os compatriotas e foi um dos melhores meio-campistas do torneio. Já em 1982, ano de seu segundo torneio, viveu uma situação inusitada: deixou seu clube na Inglaterra por causa da Guerra das Malvinas, para só voltar alguns anos depois. Não perdeu o prestígio com a torcida. Jogou a Copa da Espanha, manteve a classe e fez seu único gol em mundiais.


6 LUIS MONTI (1930)
Jogos: 4
Gols: 2
O estilo de Ardiles teve precedente na Argentina. O centromédio Luis Monti, da época em que ainda existiam centromédios, foi destaque da primeira Copa do Mundo com a camisa azul e branca. Já consolidado no time nacional, veterano de duas Olimpíadas e um Sul-Americano, Monti foi a referência do time vice-campeão no Uruguai. Foi o autor do gol da vitória contra a França, o primeiro da Argentina em mundiais, e abriu o placar na semifinal contra os Estados Unidos. Era um meio-campista completo: com o time na ofensiva, armava ataques; com o time recuado, confrontava duramente os oponentes, até com certa ferocidade por vezes – à moda argentina. Antes da decisão, contra o Uruguai, chegou a receber uma ameaça de morte da torcida rival, mas não se abalou e teve boa atuação na final, apesar da derrota. Depois da Copa foi jogar na Juventus, e tanto se adaptou ao país que trocou de seleção – foi incorporado ao elenco italiano, graças ao sobrenome, que o qualificava para isso como oriundo. Em 1934 tornou-se o primeiro (e até hoje único) futebolista a disputar Copas por seleções diferentes, coroando a marca com o título. Foi, portanto, o primeiro argentino campeão mundial – mesmo que com outra camisa.


5 GUILLERMO STÁBILE (1930)
Jogos: 4
Gols: 8
A carreira de Stábile na equipe nacional da Argentina foi curtíssima, porém fulgurante. As partidas que disputou no mundial de 1930 foram as suas únicas pela seleção, e os gols que marcou, que o credenciaram a ser o artilheiro da primeira Copa do Mundo, criam uma média fantástica de dois por partida. E ele nem participou de todas as partidas do time na Copa. Perdeu a estreia, mas mostrou o cartão de visitas logo depois, contra o México, marcando o segundo hat-trick da história dos mundiais. Foram mais dois contra o Chile e outro par de tentos sobre os Estados Unidos, já na semifinal. Um pique estonteante para El Infiltrador (apelido originado de sua capacidade de encontrar espaços nas defesas adversárias). Na decisão a Argentina saiu perdendo, mas empatou com Carlos Peucelle. Foi de Stábile o gol da virada, que, por alguns minutos, deu aos argentinos o gosto do título mundial. Mas o Uruguai correu atrás e revirou o placar no segundo tempo, faturando a taça. Depois do vice-campeonato Stábile foi jogar na Itália e não voltou a integrar o elenco da seleção. Não como jogador, pelo menos. Foi um bem-sucedido técnico, conduzindo a Argentina a a seis títulos sul-americanos e dirigindo-a na Copa de 1958.


4 JORGE BURRUCHAGA (1986 / 1990)
Jogos: 14
Gols: 3
Em 1986 o dono do pedaço foi Diego Maradona, auxiliado por alguns coadjuvantes de luxo. O principal deles foi Jorge Burruchaga, meia-atacante de velocidade e que, naquela Copa, cumpriu a função de correr para marcar, tirando um pouco desse peso das costas do colega superastro. Mas Burruchaga não ficou apenas na sombra de Maradona. Teve seus momentos memoráveis, principalmente na partida final, contra a Alemanha. Foi o autor do cruzamento para José Luis Brown abrir o placar, de cabeça. A Argentina ampliou, mas a Alemanha empatou. Já nos minutos finais foi a vez de Maradona servir de “escada” para o protagonismo do colega: enfiada de bola do camisa 10 para Burruchaga correr e tocar na saída do goleiro. Foi o segundo gol do jogador na Copa, fora outras decisivas participações. Também esteve na Itália para o torneio de 1990 e entrou em campo em todas as partidas do vice-campeonato. O avante teve um momento desagradável em seu fim de carreira, envolvido em um episódio de manipulação de resultados no futebol francês, onde jogava pelo Valenciennes.


3 DANIEL PASSARELLA (1978 / 1982 / 1986)
Jogos: 12
Gols: 3
Atual presidente do River Plate, onde construiu a maior parte da carreira e marcou época, Passarella foi o capitão da primeira conquista argentina e é o único jogador a fazer parte dos dois elencos campeões da Albiceleste. Diz-se que foi ao México em 1986 mais por homenagem do técnico Carlos Bilardo, e de fato nem jogou, mas há mais por trás disso, e só o fato de merecer essa homenagem mostra o quanto o zagueirão foi importante para o futebol de seu país. Com fama de líder mão-de-ferro, inspirou os companheiros em 1978, botou banca e foi premiado com o direito de erguer a taça, além da eleição para o time ideal do torneio. Em 1982, na tímida campanha de defesa do título, foi também importante, inclusive com dois gols – um deles sobre o Brasil. Era o batedor oficial de pênaltis da seleção nas duas Copas e também cobrava faltas, mostrando competência com a bola nos pés – a bem da verdade, demonstrava isso também com a bola em jogo. Como foi dito, esteve em 1986 como espectador, mas teve sua importância ativa. Participou do gol que classificou a Argentina para aquele mundial, em partida das eliminatórias contra o Peru. Mais: até poderia ter jogado se não tivesse tido um problema intestinal já perto do torneio. Também alega ter sido sabotado por Bilardo e por Diego Maradona, com quem não se dava. Mas esteve presente, e fez ainda mais história. Dirigiu a Argentina na Copa de 1998.


2 MARIO KEMPES (1974 / 1978 / 1982)
Jogos: 18
Gols: 6
Matador. A palavra descreve Kempes tão bem que virou seu apelido na Espanha, dado pela torcida do Valencia, onde jogou por seis anos e foi artilheiro do campeonato nacional em dois. Mesmo sem ser um centroavante de ofício (estava mais para um ponta-de-lança), sempre foi um habilidoso e oportunista e goleador, além de um avante muito colaborativo. Mostrou isso sem ressalvas na Copa de 1978. Já tinha ido ao mundial anterior, quando não marcou mas teve boa participação. Aposta principal do treinador César Menotti, passou em branco na primeira fase, apesar de ter participado de quase todos os gols argentinos até então. Compensou até demais na segunda. Fez os dois da vitória sobre a Polônia e mais dois na goleada controversa contra o Peru. Já era o grande craque do torneio quando pisou em campo para decidir o título contra a Holanda, e consolidou-se: marcou o gol que abriu o placar, mas viu os holandeses empatarem; novamente desquilibrou o marcador na prorrogação, e sacramentou a conquista com um passe para Daniel Bertoni ampliar a vantagem. Kempes foi o artilheiro e melhor jogador do mundial, além de ser campeão – apenas um outro jogador conseguiu essas três marcas em uma só edição do campeonato, o italiano Paolo Rossi. A última participação do atacante em Copas foi em 1982, quando não fez gols, mas auxiliou em alguns, e caiu nas quartas-de-final.


1 DIEGO MARADONA (1982 / 1986 / 1990 / 1994)
Jogos: 21
Gols: 8
Em 1986 um atarracado meia canhoto, vestido de azul e branco, deixou o planeta bola de queixo caído. Foi o protagonista de estonteantes momentos de futebol brilhante, em geral sozinho. Sem favor ou exagero, deu às plateias mundiais a melhor performance individual de um jogador em todas as Copas do Mundo, senão a melhor de um jogador em um único torneio de futebol. Basta dizer de Diego Maradona que há, na Argentina, uma religião que o idolatra como uma divindade. O que El Pibe fez no México é o tipo de coisa de que são feitas as lendas. De 14 gols marcados pela Argentina, cinco foram seus e apenas três não tiveram sua participação direta. Jamais um só homem fez tamanha diferença no maior palco do nobre esporte. É evidente que não podia faltar nessa lista de proezas o gol mais bonito das Copas, uma arrancada literalmente através de meio time da Inglaterra. No mesmo jogo, a perícia foi complementada pela malandragem, com o gol de mão mais comentado de todos os tempos. Maradona ergueu a taça como capitão naquela ocasião e entrou para os anais do futebol. Ah sim, e ele jogou outras três Copas, fazendo mais três gols e alcançando 21 partidas, um recorde nacional. Infelizemnte seu último ato foi uma suspensão por doping em pleno torneio de 1994. Sua última imagem marcante é uma corrida em direção à câmera em meio a um urro ensandecido, comemorando um gol (lindo, para variar) sobre a Grécia. Não se pode dizer que não causou furor também na despedida.


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