Os 11 maiores jogadores da Itália em Copas do Mundo

Depois dos pentas e dos tris, chega a hora dos tetras. Avanti, Italia!

11 FABIO CANNAVARO (1998 / 2002 / 2006 / 2010)
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Na primeira década dos anos 2000, foi o principal herdeiro da longa linhagem de defensores italianos. Cannavaro teve uma carreira bastante vertiginosa com a seleção da Itália, entre picos memoráveis e pontos baixos incompreensíveis. Entre aqueles, a marca de ser o jogador que mais vezes vestiu a camisa azzurra, e, claro, o título mundial em 2006, torneio em que capitaneou uma defesa brilhante e foi eleito o segundo melhor jogador. Já vinha da experiência de duas Copas disputadas, ambas como titular. Em 1998, esteve ao lado dos ícones Giuseppe Bergomi e Paolo Maldini, e chegou perto de eliminar os eventuais campeões franceses nas quartas. A campanha de 2002 terminou abruptamente nas oitavas. Em 2006 recebeu a faixa de capitão e tornou-se definitivamente o líder da retaguarda. Compensou a desvantajosa estatura com antecipações precisas, impulsão respeitável e seriedade – características suas. A Itália só sofreu dois gols rumo ao título: um contra e um de pênalti. A final daquele mundial foi exatamente a centésima partida de Cannavaro, e terminou com uma medalha no pescoço e uma taça nas mãos. Ao fim do ano, e até para surpresa de muitos, o zagueiro napolitano recebeu o prêmio de melhor jogador do mundo, graças à Copa. A trajetória com a seleção acabou melancolicamente em 2010, porém sem cancelar os feitos mais memoráveis.


10 GAETANO SCIREA (1978 / 1982 / 1986)
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Sinônimo da posição de líbero, lenda da Juventus e baixa precoce para o futebol mundial. Scirea morreu num grave acidente de carro na Polônia, quando iniciava sua carreira como membro do corpo técnico do clube que defendeu dedicadamente por 14 de seus 36 anos. Os juventinos certamente choraram a perda, mas a dor foi compartilhada por toda a Itália. Enquanto defendeu o time nacional, Scirea demonstrou uma combinação ideal de eficiência e discrição. Sua figura em campo impunha respeito, e sua importância tática era inestimável: compunha a marcação e cobertura e também se responsabilizava por iniciar jogadas a partir do campo italiano, flutuando entre a própria área e o meio-campo. Um completo libero, no sentido estrito da palavra. Chegou à segunda fase em 1978 com um time que já começava a tomar forma de campeão. A consolidação veio em 1982. Scirea, absoluto, supervisionava o trabalho de uma das mais ferrenhas defesas já vistas em mundiais. Sem extravagâncias, foi importante na conquista. Em 1986 os italianos não renderam o esperado, caíram nas oitavas e Scirea aposentou-se da seleção. Dois anos depois faria o mesmo no clube. Poderia ter um futuro de dirigente, mas os planos foram interrompidos bruscamente.


9 SILVIO PIOLA (1938)
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Provavelmente o maior responsável em campo pelo segundo título consecutivo da Itália nos anos 30. Um prolífico artilheiro (maior goleador da história do campeonato italiano), Piola foi lançado na seleção em 1935, pouco depois da primeira conquista mundial, e chegou voando ao torneio de 1938, já com o calibre de principal esperança de gols. Não decepcionou. Logo na estreia, contra a Noruega, marcou na prorrogação, após empate em 1-1 no tempo normal, e classificou os defensores do título para a fase seguinte. Nas quartas o desafio era contra a França, anfitriã. Novamente Piola transformou uma igualdade em vitória, mas desta vez com dois gols e sem precisar de prorrogação. Um detalhe da partida é que a Itália teve que mudar a cor do uniforme e escolheu um inédito preto, como forma de agradar o ditador Benito Mussolini – que, dizem alguns, ajudou a levar Piola para a Lazio. O apoio do Duce ao time da capital era notório. Mas voltando ao assunto. Na semifinal contra o time-sensação do Brasil Piola não marcou, mas deu uma assistência para Gino Colaussi e sofreu um pênalti, convertido por Giuseppe Meazza. Voltou a balançar as redes na decisão, por duas vezes. Terminou a Copa como artilheiro do time. Ainda poderia se consagrar mais pela seleção italiana, mas a Segunda Guerra impediu a realização de mais Copas em seu tempo e Piola teve que se contentar “apenas” com uma longeva e brilhante carreira em clubes.

8 SALVATORE SCHILLACI (1990)
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Tarantella de uma nota só. É a definição que mais se encaixa nas lembranças que os fãs de futebol guardam de Totò Schillaci, atacante que fez coincidir a única fase especial de sua carreira com a Copa da Itália, ganhou a convocação, viu cair no colo uma vaga no time, aproveitou ao máximo a chance escreveu seu nome na história. Até praticamente as vésperas do mundial ele atuava no pequeno Messina. Foi contratado pela Juventus, fez uma boa temporada e recebeu um voto de confiança do técnico Azeglio Vicini, que resolveu inclui-lo no elenco da seleção. Era reserva, mas entrou na primeira partida, contra a Áustria, e fez o gol da vitória. Substituiu Carnevale novamente na segunda partida, para não mais sair do time. Na terceira, marcou novamente, garantindo a passagem da equipe à segunda fase – em que brilhou ainda mais. Foi decisivo nas vitórias contra Uruguai e Irlanda, com mais dois gols. Na semi, contra a Argentina de Diego Maradona e Claudio Caniggia, abriu o placar. Os argentinos empataram e acabaram vencendo nos pênaltis, relegando os anfitriões a disputar apenas o bronze. Schillaci encarou a partida, novamente, como o jogo de sua vida. Participou do primeiro gol contra a Inglaterra e fez o segundo, garantindo o terceiro lugar para a Itália e, para si, a artilharia e o prêmio de melhor da Copa. Sucesso meteórico. Daí para frente a carreira perdeu força e o atacante se aposentou com 33 anos atuando no futebol japonês. Mas não precisava de mais nada.


7 FRANCO BARESI (1982 / 1990 / 1994)
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É difícil dizer quem foi o melhor líbero do futebol italiano, se Gaetano Scirea ou Franco Baresi. A favor de Scirea pesa a titularidade no título mundial de 1982 – que Baresi conquistou sem sair do banco, já que o colega juventino era titular absoluto. Tanto que o milanista nem foi à Copa de 1986, descontente que estava com seu papel na seleção italiana. Mas os anos subsequentes foram todos de Baresi, culminando em uma verdadeira epopeia pessoal na Copa de 1994, que o garante à frente de Scirea pelo menos nesta lista. Antes disso, em 1990, foi um dos destaques defensivos do torneio realizado na Itália, em que ficou em terceiro lugar. O fato curioso é que só naquela edição, e com 30 anos, estreou em Copas do Mundo. Chegou aos Estados Unidos como capitão para aquele que seria seu último mundial. Porém, logo na segunda partida, contra a Noruega, machucou seriamente o joelho. A recuperação esperada para o caso, ainda mais para um atleta de sua idade, eliminava qualquer possibilidade de Baresi voltar a jogar o mundial. Pois ele fez uma artroscopia, que não é pouca coisa, e em menos de um mês voltou a campo para jogar meramente a final da Copa do Mundo, e marcando ninguém menos do que Romário, o astro do Brasil. Nas palavras do próprio Baixinho, foi a marcação mais eficiente que ele já recebeu em toda a carreira. O camisa 6 italiano impediu a participação efetiva do centroavante brasileiro e ajudou a garantir o 0-0. Com a responsabilidade de bater o primeiro pênalti da decisão por cobranças, Baresi acabou chutando por cima do gol. O título escapou. Uma infelicidade em meio a um dia de superação e demonstração de todo o talento que o fez ser um dos maiores ídolos do Milan e da Itália.


6 PAOLO MALDINI (1990 / 1994 / 1998 / 2002)
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Participante de quatro Copas e dono do segundo maior número de partidas disputadas por um jogador, Maldini é o recordista em uma peculiar estatística dos mundiais: minutos em campo. Foram 2217 no total. A marca é justificada em parte pelo fato de o lateral-esquerdo ter jogado quatro prorrogações, mas também ajuda muito ele ter sido titular em todos os seus jogos e nunca substituído. Outro gigante do Milan, Maldini recebeu a faixa de capitão em Copas de Franco Baresi e envergou-a em 1998 e 2002. Mas já estava no time em 1990, com 22 anos, ajudando a Itália a sofrer apenas dois gols na competição. Foi incluído entre os melhores defensores do torneio, e repetiu a dose em 1994. A partir de ’98 já tomou conta da braçadeira, e foi dirigido na França por seu pai, Cesare Maldini (que também marcou época como defensor na seleção e jogou a Copa de 1962). A defesa italiana naquele torneio teve destaque, inclusive segurando os donos da casa nas quartas-de-final e mandando a definição para os pênaltis (melhor para os franceses). A extendida carreira internacional terminou em 2002, numa campanha fraca na Copa da Ásia. Sua marca de partidas pela seleção demorou a ser batida, e ele é ainda o segundo que mais vestiu a camisa azul. Pelo clube, jogou até os 40 anos, reforçando o status de mito.


5 DINO ZOFF (1970 / 1974 / 1978 / 1982)
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Ser capitão do título de 1982 foi o apogeu da extensa carreira do goleiro que marcou época em vários times, mas principalmente na Juventus. Zoff chegou ao torneio com 40 anos, e até hoje sustenta o recorde de jogador mais velho a ser campeão do mundo. Trazia a experiência de três torneios anteriores. Em 1970 ficou no banco, apesar de ter sido o titular na conquista da Eurocopa de dois anos antes. Recuperou a posição para 1974 e com um trunfo: mais de 12 partidas internacionais consecutivas sem sofrer gols. A marca (ainda insuperada) foi abaixo logo na estreia, e a campanha italiana deixou a desejar. O arqueiro, porém, não se abalou e continuou titular para 1978, ajudando o time a alcançar as semifinais. Completou quatro décadas de vida no ano da Copa de ’82, que seria sua última. A primeira fase claudicante da Itália foi apagada por uma trajetória impecável a partir da reta final, e Zoff teve grande importância. Contra o Brasil, por exemplo, pegou uma difícil cabeçada de Oscar nos minutos finais, evitando o empate e a classificação adversária. Alguns dias depois, ergueria a taça. Foi o último ato internacional de uma carreira legendária.

4 ROBERTO BAGGIO (1990 / 1994 / 1998)
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Há mais na história de Roberto Baggio do que apenas uma bola que sobrevoou um travessão e fez o Brasil comemorar. A imagem do hábil atacante pode ter ficado manchada pelo pênalti desperdiçado na final de 1994, mas ele tinha crédito. Baggio se apresentou às Copas do Mundo em 1990, quando, jovem atração da Fiorentina, ganhou a titularidade durante o torneio e marcou dois gols – um deles, contra a Iugoslávia na primeira fase, em inspiradíssima jogada individual. Voltou, portanto, como centro das atenções em ’94, ainda mais pelo momento especial que vivia na Juventus. Passou em branco inicialmente, mas soube mostrar estrela quando a Itália mais precisou, no mata-mata: virou o jogo sobre a Nigéria, marcou o decisivo sobre a Espanha no finzinho e despachou a Bulgária. Cinco gols em três jogos antes da tensa final, em que não conseguiu se sobressair e, quando teve a chance, acabou errando sua cobrança na série alternada que deu o tetra ao Brasil. Na chance seguinte, em 1998, Baggio fez bom papel, mostrando-se também um eficiente garçom, mas o técnico Cesare Maldini preferiu apostar mais em outros atacantes – decisão da qual se arrependeu publicamente após a eliminação italiana. Com os gols marcados na França, Baggio tornou-se o maior goleador italiano em Copas e único de seu país a marcar em três mundiais diferentes. Quis muito ir em 2002, e até se transferiu para o discreto Brescia para continuar atuando na Itália, mas foi prejudicado por uma lesão. Não teve a apoteose final que mereceu.


3 CLAUDIO GENTILE (1978 / 1982)
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No jogo fatídico que eliminou a talentosíssima seleção brasileira da Copa de 1982 aconteceu uma cena que ficou marcada para os brasileiros. Zico, ao tentar criar uma jogada, foi agarrado por seu marcador e teve a camisa destroçada, tal a ferocidade do oponente. Até hoje muitos não perdoam o árbitro Abraham Klein por não expulsar aquele defensor bigodudo responsável pelo lance. Ele era Claudio Gentile, especialista em perseguir craques. Ou pelo menos foi isso que fez na fase decisiva do mundial da Espanha: contra o Brasil, colou em Zico; contra a Argentina, ficou nos calcanhares de Diego Maradona; contra a Alemanha, foi a sombra de Karl-Heinz Rummenigge. Não era um jogador especialmente talentoso, mas compensava com versatilidade (podia atuar em qualquer posição da defesa, e em Copas jogou de lateral-direito e zagueiro) e muita, muita garra – que o diga a camisa de Zico. Estava presente na Argentina em 1978, mas teve seu grande momento mesmo em ’82, perseguindo os astros adversários e mostrando a eles o estilo italiano de defender. Em suas próprias palavras, “futebol não é para bailarinas”. Foi eleito um dos melhores jogadores de defesa da Copa que venceu.


2 GIUSEPPE MEAZZA (1934 / 1938)
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Apenas quatro jogadores estiveram em dois títulos mundiais da Itália, e só dois deles tiveram papel ativo em ambos. Giuseppe Meazza foi o principal deles, grande estrela em 1934, importante coadjuvante em 1938. À parte a carreira na seleção, Meazza conseguiu a proeza de ser ídolo das duas torcidas de Milão e, como prêmio, o estádio local foi renomeado para contemplá-lo. O currículo em Copas só serve para fazer crescer esse prestígio. Inicialmente um centroavante, o jogador foi deslocada para a meia na equipe de ’34, que capitaneou. Marcou um gol decisivo no jogo-desempate contra a Espanha e infernizou as defesas adversárias, facilitando a vida dos companheiros com passes e participações nos gols decisivos – serviu Enrique Guaita na semifinal e Angelo Schiavio na final. Foi o craque do torneio. Novamente capitão em ’38, fez só um gol, o da vitória contra o Brasil na semi, mas manteve a rotina de passes preciosos e jogadas que desestabilizavam as estratégias defensivas dos oponentes. Na final, foi o armador de três dos quatro gols do time. Sua condução de jogo fez com que o artilheiro italiano naquele mundial, Silvio Piola, declarasse que não teria feito o que fez sem Meazza. Sua marca de gols pela seleção só foi quebrada em 1973, e ele se mantém como vice-artilheiro da história dos azzurri.


1 PAOLO ROSSI (1978 / 1982 / 1986)
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Destruidor do sonho brasileiro de ver uma formidável equipe ser campeã em 1982. Artilheiro de última hora, simbolizando o despertar tardio da seleção italiana tricampeã. Do inferno ao céu. Paolo Rossi protagonizou uma verdadeira novela ao longo de três Copas do Mundo, que, a bem da verdade, é muito mais recheada de dramas e euforias do que apenas aquele título na Espanha. Já em 1978 o atacante mostrava a que vinha, em parceria bem-sucedida com Roberto Bettega. Foram três gols no torneio, três assistências e o prêmio de segundo melhor jogador. Rossi atuava no modesto Vicenza, e foi emprestado ao Perugia com o rebaixamento de seu time, em 1979. Foi lá que o avante acabou envolvido no infame Totonero, o esquema de manipulação de resultados que acabou por punir sete clubes, dois técnicos e 20 jogadores. Rossi pegou três anos de suspensão, que eventualmente viraram dois. Mesmo assim ele só voltou aos campos às portas do mundial de ’82. O prestígio de artilheiro adquirido nas temporadas anteriores garantiu sua vaga no time, mesmo fora de forma, e ele começou mal, sem marcar gols nos cinco primeiros jogos. O Brasil foi sua redenção. Na partida que ficou conhecida como “desastre do Sarrià”, em referência ao estádio em que aconteceu, Rossi marcou três vezes, eliminou os brasileiros e passou a Itália de fase. Na semifinal contra a Polônia, fez os dois gols. Na deicsão, contra a Alemanha, contribuiu com um. Acabou como artilheiro do torneio e melhor jogador, tudo graças às três partidas derradeiras. Essa “tríplice coroa” dos mundiais (campeão, craque, goleador) só foi obtida por um outro jogador, o argentino Mario Kempes em 1978. Rossi ainda estaria em 1986, mas, lesionado, não atuou.


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