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Os 11 maiores jogadores do Brasil em Copas do Mundo

Para estrear o blog, vamos iniciar uma série temática que pretendo fazer, recordando os grandes heróis de várias nações em Copas do Mundo. Comecemos pelo Brasil, que parece ter alguma história em Copas.

11 FALCÃO (1982/1986)
Jogos: 7
Gols: 3

Maior ídolo da história do Internacional, onde conquistou três Campeonatos Brasileiros, Paulo Roberto Falcão começou a escrever sua história em mundiais antes mesmo de participar de um: ao não ser convocado por Cláudio Coutinho em 1978, quando brilhava como possivelmente o melhor em atividade no país, tornou-se um dos mais famosos “esquecidos” das listas brasileiras. Teve que esperar até 1982, mas soube compensar. Fez três gols nos cinco jogos brasileiros (um deles o segundo diante da Itália, no jogo que eliminou a seleção), jogando ao lado de grande elenco mas mostrando luz própria. Tanto que foi escolhido como o segundo melhor jogador do torneio, mesmo sem chegar sequer à semifinal. Na votação, bateu nomes como Michel Platini, Karl-Heinz Rummenigge, Zbigniew Boniek e o colega Zico. Já em 1986 viajou machucado, entrou nas duas primeiras partidas vindo do banco e nada fez. Mas os feitos de ’82 já o credenciam a ocupar um lugar na lista.

10 DJALMA SANTOS (1954 / 1958 / 1962 / 1966)
Jogos: 12
Gols: 1

Ter quatro Copas na bagagem não é para muitos. No caso do Brasil, sete jogadores têm a honraria no currículo, e um deles é Djalma Santos. Foi às duas primeiras como jogador da Portuguesa e às outras como atleta do Palmeiras, e conquistou um titulo representando cada clube. Muito justo. Em 1954 foi titular de uma seleção de bons nomes, mas despreparada. Memso assim, foi o melhor lateral-direito do torneio. Perdeu a posição para De Sordi em 1958, mas sempre negou a muito aventada hipótese de racismo na seleção. Prefere dar crédito ao colega. Só que De Sordi, que jogou a Copa toda, se machucou antes da final. Djalma entrou, apagou do campo o ponta-esquerdo Lennart Skoglund, uma das sensações da seleção anfitriã, e, só com essa participação, acabou como melhor lateral-direito de novo. Ainda jogaria outros dois mundiais, vencendo em 1962, quando repetiu as majestosas atuações, e afundando junto com o resto do time em 1966, já veteraníssimo. Com outra indicação de melhor lateral-direito em ’62, é um dos dois únicos jogadores da história a aparecer três vezes seguidas no time ideal da Copa – o outro é Franz Beckenbauer.

9 ADEMIR (1950)
Jogos: 6
Gols: 9
Monstro sagrado do Vasco, onde foi um dos grandes nomes da época do Expresso da Vitória. Atacante imarcável, é considerado por muitos como o primeiro ponta-de-lança do futebol, mas era capaz de jogar em qualquer posição da linha ofensiva com desenvoltura. Até poderia ter começado a escrever seu nome em mundiais mais cedo, se não fosse pela Segunda Guerra, que impediu a realização dos torneios nos anos 40. Mas em 1950, no Brasil, Ademir estava a todo vapor, e provou isso. Jogando com total liberdade no ataque, foi o artilheiro da competição com nove gols, até hoje a marca mais alta atingida por um brasileiro em uma só Copa. Só contra a Suécia, na primeira rodada do grupo final, fez quatro, a maior quantidade de bolas na rede por um brasileiro em um só jogo de Copa. Infelizmente passou em branco no jogo decisivo, e não soube o gosto de erguer a taça do mundo. Nos anos subsequentes, embora mantivesse o pique no Vasco, foi purgado da seleção junto com quase todos os jogadores da campanha de ’50.

8 ZIZINHO (1950)
Jogos: 4
Gols: 2
Outro que jogou muito menos Copas do que deveria, e não ganhou o título. Basta dizer que Zizinho foi o ídolo de Pelé para dar uma noção da grandeza do maestro do Flamengo, que também fez chover por Bangu e São Paulo. Mestre Ziza, como era chamado pelos súditos, foi o cérebro da seleção na Copa da terra natal, mesmo sem jogar todas as partidas: machucado, só entrou em campo a partir da última rodada da primeira fase. Mas o Brasil só começou a dar espetáculo quando Zizinho assumiu os controles. Fez gols, orientou as ofensivas, organizou o time. Não por acaso, foi escolhido o craque da Copa, sem precisar de troféu para isso. Tinha idade para jogar mais mundiais, mas rusgas com dirigentes e uma saída atribulada do Flamengo atrapalharam a vida do craque na seleção – e, consequentemente, da seleção.

7 LEÔNIDAS (1934/1938)
Jogos: 5
Gols: 9
Nenhum brasileiro tem uma média de gols em Copas do Mundo tão boa quanto a de Leônidas da Silva. Em 1934, ainda garoto, um dos caçulas do elenco, o atacante, então no Vasco esteve em campo na única partida da seleção (derrota para a Espanha e eliminação imediata) e marcou o único gol. Em 1938 já era estrela. Ao lado de Domingos da Guia, era o grande nome daquele que foi o primeiro grande elenco brasileiro em uma Copa do Mundo. A campanha fez jus: o Brasil foi à semifinal, com Leônidas incansável. Já na estreia, contra a Polônia, fez três gols – dois na prorrogação – para decidir um jogo duríssimo, que terminou em 6-5. Um desses gols, reza a lenda, foi feito enquanto o Diamante Negro estava descalço, mas com os pés tão enlameados que a arbitragem não percebeu. A única partida em que Leônidas não atuou foi a semifinal, contra a eventual campeã Itália, e a decisão de não escalá-lo até hoje é cercada de controvérsias. Há quem diga que o técnico Ademar Pimenta queria guardar o jogador já prevendo a decisão, mas a verdade é que ele estava machucado e seria uma temeridade colocá-lo em campo. Sem ele, o Brasil perdeu. Com ele, na decisão do 3º lugar, venceu. Foi sua última Copa – os anos 40, de guerra, não tiveram o torneio, e em 1950 o craque, muito mais velho, foi preterido por um grupo já consolidado.

6 CAFU (1994 / 1998 / 2002 / 2006)
Jogos: 20
Gols: 0
Cafu é outro lateral-direito que atuou em quatro Copas, e, como Djalma Santos, também foi campeão duas vezes. Mas o capitão do penta tem justamente esse diferencial: foi capitão de uma conquista (a braçadeira praticamente caiu do céu, mas tudo bem). Mais: é o jogador brasileiro com mais partidas de Copa do Mundo disputadas. E permanece como único jogador da história a estar em campo em três finais mundiais consecutivas. Em seu debute, em 1994, foi um reserva constantemente utilizado na fase final, e jogou boa parte da decisão. Daí para frente assumiu o posto de titular da lateral-direita, e foi nessa condição que disputou as Copas de 1998 (vice), 2002 (campeão erguendo a taça) e 2006 (novamente capitão). O desempenho consistente em Copas é reflexo da vida sólida na seleção: Cafu é o jogador que mais partidas jogou com a camisa amarela, e esteve no time nacional por toda a sua carreira profissional. É um atleta que não recebe dos torcedores compatriotas o respeito que merece.

5 DIDI (1954 / 1958 / 1962)
Jogos: 15
Gols: 3
Um mestre da bola, meio-campista da mais nobre estirpe de armadores e pensadores do futebol. Didi tinha poderes sobrenaturais sobre a bola, pois podia colocá-la no ponto do espaço em que tivesse vontade. Deixou a marca de seu talento no Fluminense, no Botafogo e, mais brevemente, no São Paulo. E, claro, na seleção brasileira. Estreou em Copas em 1954, destacando-se na campanha brasileira que acabou, infelizmente, em pancadaria nas quartas-de-final contra a Hungria. Em 1958 foi o dono do espetáculo. Principal líder da seleção em campo, herói da classificação para o mundial com um gol de falta bem a seu estilo contra o Peru, nas eliminatórias, Didi fez o que quis nos campos suecos. Botou a bola embaixo do braço – literalmente: na final, logo que a Suécia abriu o placar, o meia buscou o esférico no fundo das redes e marchou resoluto para o círculo central, incentivando os companheiros e sacudirem o baque e partirem para cima. Foi o craque do primeiro título mundial, apelidado pela imprensa europeia de Mr. Football. Em 1962 venceu novamente, mas foi como coadjuvante de um tal Garrincha.

4 ROMÁRIO (1990 / 1994)
Jogos: 8
Gols: 5
Em algumas ocasiões fica claro que é um jogador específico que faz um time andar. O Brasil de 1994 certamente tinha seus valores, mas ninguém discorda que sem Romário não daria pé. O Baixinho já deveria ter mostrado serviço em 1990, mas, machucado, jogou apenas uma vez e foi substituído sem marcar presença. Nos Estados Unidos, quatro anos depois, prometeu: “Vou trazer a Copa”. Não poderia ter cumprido mais brilhantemente. O mundial foi todo seu. Mostrou o talento inconfundível de várias formas: em jogadas individuais, como contra Camarões. Dando passes, como contra os Estados Unidos. Na malandragem como (duas vezes) contra a Holanda. Até gol de cabeça ele fez, na complicadíssima semifinal contra a Suécia. Só não resolveu a final, mas outros fatores se encarregaram de garantir que a performance do gênio da grande área não passaria sem o título. Mas falando em ganhar a Copa sozinho…

3 GARRINCHA (1958 / 1962 / 1966)
Jogos: 12
Gols: 5
O homem que jogava marcadores no chão com uma ginga de corpo, fazia laterais e zagueiros de bobos na frente de estádios lotados com um movimento das canelas, grudava a bola em suas pernas tortas e não olhava para trás, a não ser para perceber a aproximação de um novo “joão” para driblar. Esse era Garrincha, o sujeito, que, na base da molecagem, botou uma Copa do Mundo no bolso. Essa molecagem quase custou ao inesquecível clown botafoguense a passagem para seu primeiro mundial. Num amistoso preparatório para o torneio da Suécia, em 1958, Garrincha desmoralizou a defesa da Fiorentina em um lance e, sobre a linha do gol, retardou o chute só para brincar um pouco mais com os adversários. Considerado irresponsável, perdeu a vaga no time titular. Fez falta, voltou no terceiro jogo do campeonato e não saiu mais do time, armando peripécias ao lado de Pelé. Foi campeão, desdenhando do torneio: “Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno!”. Quatro anos mais tarde, foi rei depois do Rei. Pelé, estrela da companhia no Chile, se machucou, e o campeonato era cascudo. Garrincha assumiu a responsabilidade de principal jogador e só não fez elefante voar no Chile, porque o resto ele fez de tudo. Até gols de cabeça e perna esquerda, suas deficiências. Expulso da semifinal por dar um pontapé – “amigável”, ele descreveu – num oponente, pôde jogar a final depois que a delegação brasileira se desdobrou em esforços e gentilezas diante dos organizadores. E o título veio novamente. Em 1966, carcomido pela bebida e pela pobreza, não foi o mesmo e não conseguiu ajudar o Brasil como antes. Sua história não teve um final feliz, mas certamente teve passagens de grande êxito.

2 RONALDO (1994 / 1998 / 2002 / 2006)
Jogos: 19
Gols: 15
Maior goleador de todas as Copas. O fenomenal Ronaldo foi mero espectador em 1994, quando era apenas um mirrado cruzeirense de futuro, mas não demoraria para concretizar o potencial e assumir a batuta. Em 1998, com meros 21 anos, já era o melhor do mundo e tinha a nação nas costas, na tentativa de defender o título. Fez uma grande Copa, com sete gols marcados e apresentações vibrantes, mas acabou ficando marcado pelo infortúnio e pelo mistério. Ninguém sabe com exatidão, até hoje, o que se passou nas horas que antecederam a final contra a França. É conhecido que Ronaldo teve uma convulsão, foi para o hospital, saiu do time titular e, em cima da hora, foi escalado. Motivos e detalhes ainda estão escondidos, mas o fato é que o Fenômeno não apareceu na decisão e o Brasil foi vice. Algum tempo depois, catástrofe: os joelhos viram mingau. Para se consolidar entre os maiores de todos os tempos, Ronaldo contraria a medicina e a natureza, põe-se de pé e vai botar o mundo aos seus pés no Japão e na Coréia do Sul. Consegue fazer uma Copa ainda melhor que a anterior, abocanhando a artilharia e o prêmio de segundo melhor jogador – concedido antes da final, em que ele marcou os dois gols do título. Em 2006 a campanha é decepcionante, mas pelo menos uma marca pessoal o atacante alcança: os gols necessários para superar Gerd Müller e tornar-se o goleador supremo das Copas do Mundo. Mesmo quando as coisas dão errado, elas dão certo.

1 PELÉ (1958 / 1962 / 1966 / 1970)
Jogos: 14
Gols: 12
Alguma surpresa? Único jogador tricampeão mundial. Mais jovem campeão mundial. Mais jovem a marcar um gol em Copas. Mais jovem a anotar um hat-trick em Copas. Melhor jogador em 1970. Rei do futebol, e Rei de Copas. Pelé foi, é e sempre será. De menino-prodígio, em 1958, a super-homem, em 1970, passando por duas frustrações individuais, cada uma com uma conclusão diferente. Mas mesmo fora, Pelé estava dentro: marcou gol em todas as suas quatro Copas, feito que divide com Uwe Seeler. Tornaram-se célebres tanto os gols que fez quanto os que não fez, e até um passe (para Carlos Alberto na final de ’70) entrou para a antologia do esporte como obra-prima. Definitivamente Pelé, o maior de todos.

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